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sábado, fevereiro 18, 2006

Verdade?!

Tenho ouvido dizer a sábios e pensadores que devemos temer ou evitar aqueles que dizem ser a sua convicção a verdade.
Eu, que de sábio pouco considero ter, perguntarei: que mal há nisso? que mal há em aspirar à verdade? Teremos de nos conformar com uma síndroma de Pôncio Pilatos, aquele que perguntou a Jesus o que era a verdade, querendo com isso duvidar da verdade, de todas as verdades, ou querendo negar-lhe e secá-la do absoluto e aceitando-a ao concurso das coisas meramente relativas e contingentes, como relativista e de contingência era o mundo nesses dias? Um homem cuja verdade consistia em prestar contas ao imperador de Roma da manutenção da ordem na província que lhe fora confiado superintender (conforme a interpretação de A Paixão de Cristo de Mel Gibson)?
Há realmente perigo nos donos da verdade?
Mas afinal, quem se acha dono da verdade? Eu não, e no entanto temos convicções enraizadas e creio em absolutos, que estes não são mera abstracção ou utopia.
Eu não sou dono da verdade. A Verdade, sim, é que é minha dona.

3 comentários:

Ego ipse disse...

...Até porque a VERDADE é Cristo! e é conhecendo-o e reconhecendo-o que nos firmamos na verdade... mas confesso que feita a excepção acima tenho muitas reservas perante os "donos da verdade"

rui miguel duarte disse...

Sim, a Verdade é Cristo. Nós, os que decidiram segui-Lo, simplesmente devem remeter para o que Ele disse de se próprio. E seguimo-Lo por isso. Por isso a Verdade é nossa dona, nosso Senhor.
Quem não nasceu entende esta nossa proclamação como pretensiosismo:
— Quem te julgas tu? Essa é a tua opinião (=verdade). Há outras opiniões e visões, tão válidas. Onde está o teu Cristinanismo e tolerância?
Ou:
— A Verdade é que não há verdade. O que é hoje não é amanhã.

Se calhar também nós, por vezes, caímos nessa tendência de valorizar a ideia, e não a pessoalidade de Deus.
Por outro lado, proclamar que a verdade é relativa faz desse proclamadores "donos da verdade", a verdade de que não há verdade, recusando-se sequer a testar que possa haver Verdade, que esta é uma construção mental ou social, faz do relativimismo laico (agnóstico, ateu) mais intolerante o que a fé cristã alguma vez foi.
Não negamos a ninguém a pensar ou crer como entende, mas também ninguém no-lo negue a nós. Simplesmente convidamos as pessoas a experimentar Cristo.

Paula disse...

Gostei da tua última frase.