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sábado, janeiro 04, 2014

Nos jardins da Babilónia

aprendi a língua da Babilónia
a língua que falam 
as árvores 
                   da glória 
aprendi como os jardins se levantam
                   e abraçam o zigurate
aprendi a moldar a lama 
                   e dar-lhe a candura do rio

aprendi a língua da Babilónia
a língua que cantam 
sonhos estátuas duras
                   de profecia

aprendi que o vinho existe
e que se degusta antes de o dia 
                   ter espessura
que se bebe de janela aberta
                   só

aprendi 
onde as ruas
                   se cruzam
com masmorras as vozes que denunciam
que o banquete dos aromas
                   vai começar

aprendi e depressa desaprendi
o que tem a Babilónia para eu lhe ensinar?


Rui Miguel Duarte
31/12/13

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