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segunda-feira, abril 01, 2013

CELEBRAÇÃO


“Quando eu morrer batam em latas,

Rompam aos saltos e aos pinotes”

Mário de Sá-Carneiro, “Fim”

Quando morri batestes em latas
fizestes do meu corpo o tambor das vossas festas
rompestes em pinotes na seda de acrobatas

ocultastes-me nas costas de uma pedra
ajaezado numa câmara escura 
na ausência de um fandango
descurado na concha de um frio chão 

Quando nasci de novo bebestes
um brinde de celebração

Quando nasci de novo foi só
uma nova manhã para palpitar 
o encontro dos cálices do coração

no sol o rosto lavastes, ao céu quente
aprendestes a nova canção que os astros 
de há muito sussurravam
as estrelas cadentes 
eram os alegros esparsos

dessa composição por tecer 

Rui Miguel Duarte
31/03/2013

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