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terça-feira, julho 10, 2012

FUGA

“Mas Jonas decidiu fugir para longe de Deus”
Jonas 1:3

vou-me embora
pesa-me Nínive esmaga-me Jerusalém
com a Lua me vou por onde ela
se decompuser no mar

vou-me, esperando que o vento
esbarronde nas pedras a voz de Deus
e me dê asas me faça irmão dos arcanjos

vou-me embora,
para as margens do Sol
não é Társis mais que um porto de passagem
o porto de ancoragem passa as Hespérides
lá mora o que eu espero
para lá do fim do mundo de todas as esferas

chegar é partir alcançar é ir embora
não há vento que me baste
chuvas que me revertam a sede
ondas que sustenham o navio no silêncio

não suporto
o peso de Nínive
e o esmagamento de Jerusalém
e já tarda
vou-me embora

Rui Miguel Duarte
5/07/12
poema subordinado ao tema "vou-me emborismo"

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