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sábado, outubro 01, 2011

DA MATÉRIA DO POEMA

“Subi ao alto, à minha Torre esguia, 
Feita de fumo, névoas e luar”
Florbela Espanca, “Torre de névoa”

o meu poema não habita 
em torres de névoa não há espera matinal
por D. Sebastião 
morreram todos eles para sempre 
e os seus corpos secaram 
nos dentes dos chacais 
em Alcácer-Quibir
no meu poema não ardem baixo os luares 
sobre as águas

no meu poema há só o sol a prumo

não há Ítacas, Társis nem Índias
de fuga ou nostalgia
há a amplidão nítida dos rios
que duma mão nascem e na outra desaguam

no meu poema há a outra margem
uma terra toda inteira
ainda sem nome nem padrão 
de descoberta

30/09/11

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