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sexta-feira, dezembro 30, 2005




Aconselho vivamente o filme. Já vi melhor no género; falta-lhe a força de um Senhor dos Anéis, por exemplo, que quase se assemelha a uma visão apocalíptica, do tudo por tudo do Armagedom, do juízo final. Mas no fundo permanece em geral fiel ao livro, que nisto é mais ligeiro do que a história de Tolkien. Já agora, leiam-no e dêem-no a ler. Indicado para adolescentes dos 7 aos 77.
É verdade, as Crónicas de Nárnia, de C. S. Lewis existem em tradução portuguesa de Portugal publicados pela Editorial Presença a 7,49€ cada um dos sete volumes.
A história é uma alegoria da obra redentora de Cristo pela Humanidade. A Magia Profunda é imagem e semelhança do Evangelho. Está lá tudo: o pecado, o inimigo usurpador, a necessidade de uma vítima vicária inocente como redentora, o legítimo rei que se fez vítima, a ressurreição e a recuperação da autoridade real, a responsabilidade do ser humano como delegado do Criador no mundo…
Num cinema perto de si…

quinta-feira, dezembro 29, 2005

O autor admirado das hortênsias em plena floração, na última Primavera, no quintal da casa onde vivia, em Oliveira de Azeméis




Tenho umas hortênsias tão lindas no meu quintal.
Saúdam-me, Ardem-me nos olhos.
Tão roxas-azuis, entram-me pela janela
Enquanto escrevo.
E me deixo abraçar por elas.

Quem as plantou?
Eu não, mas sei de quem são esses dedos,
Hábeis
E para meu gozo as plantou.
Eu só as escrevo.

quarta-feira, dezembro 28, 2005

Escrito no dia de Natal, ao Festejado do Natal

Vieste na fragilidade
Palavra eterna, forte, graça e verdade
Feito carne.

Na fragilidade
De que somos carne e sangue
Articulação, osso e medula.

Sem majestade, sem coroa nem manto,
Sem luzes que ladeiem nem cortejos que acompanhem a tua passagem,
Sem a glória do Único Filho que exibisses de ti mesmo.

Uns te anunciaram e te esperavam
Oravam e jejuavam até que viesses,
No templo, no lugar da profecia,
Outros nos cálculos astronómicos, atentos ao rasto dos astros,
E na maturidade das eras denunciando os sinais,
Com anseio de ao estábulo correr e poder te ver
No estábulo do arrabalde, onde outros te não esperavam.

E por dentro da nossa fragilidade te intrometeste,
Açoitado pela dor, por todas as paixões tentado.
Comeste da nossa fome, bebeste da nossa sede,
Conheceste a ardência do prumo do sol e a geada nocturna no deserto,
O rosto sulcado pela tristeza da partida dos que amaste,
Até a lâmina dos amigos que traem, os íntimos,
E a tortura e a enfermidade.

Mas em tudo permaneceste tu mesmo,

Sem nunca te tornares fragilidade,
A não ser essa nossa fragilidade,
Tanto na hora primeira, quando necessitado de agasalho e do peito da mãe,
Como na derradeira, meu Deus, meu Deus, abandonada da misericórdia do Pai.

Aí a nossa fragilidade toda se consumiu e se consumou.
Entendemos então a verdade e a graça
Feitas carne e sangue,
Feitas cada um de nós.
Hoje, dia de Natal, comemoramos o primeiro dia
De eternidade e força,
Em que
Fizeste de nós o que tu és.

Natal de 2005