segunda-feira, junho 22, 2009

O ALTAR DE ALMOFADA 3 – A PEDRA

Era uma sexta-feira do início de Maio de 2009. O céu estava aberto sobre Steinsel, no Luxemburgo. O meu pastor, Paulo Cardoso, ensinava sobre a importância de frequentar a casa de Deus, a casa de culto onde a comunidade de cristãos local se reúne para em conjunto celebrar Deus. Com efeito, muitos cristãos deixam de se congregar, e surgem as mais variadas desculpas. Eis um problema tão velho quanto a existência da Igreja de Cristo. Já o autor da carta aos Hebreus advertia para ele. O cansaço, o muito trabalho, o stress: alguns dos nomes que essas desculpas recebem. São nomes como esses, que começam como desculpas para justificar um hábito ou a falta dele, e se convertem em ídolos, senhores dominadores que estiolam o sentido do amor, do zelo e do compromisso e ocupam o lugar que pertencem a estes.
Um dos versículos bíblicos citados a propósito foi o comentário de Jacob ao sonho da escada celeste que tivera (Génesis 28:16):
— Realmente o Senhor está neste lugar; e eu não o sabia.
E o lugar, esse lugar, foi chamado pelo próprio Jacob “Casa de Deus”. A congregação dos santos no culto é a Casa de Deus. A verificação de Jacob interpela quem quer estar com Deus a vir ao lugar onde os santos se reúnem. E ao vir e se reunir pode ser surpreendido como Jacob o foi, e verificar que Deus está de facto aí. E encontrar Deus muda o figurino dos dias e das emoções.
Ora, a Casa de Deus é a igreja – tanto no sentido tradicional de edifício, como no sentido mais primordial de comunidade. O étimo é grego: ekklesia. Nos regimes democráticos de tipo ateniense, era o nome dado ao principal órgão de poder, a assembleia dos cidadãos; adoptado pelos cristãos, passou a designar a congregação dos santos, para o convívio, a adoração e a oração a Deus em conjunto. O tema deste passo bíblico não é explicitamente a fundação e natureza da igreja enquanto corpo congregador dos filhos de Deus. Este passo bíblico é a história de uma revelação pessoal a Jacob por parte de Deus. Esta revelação pessoal teve como propósito abrir a Jacob os horizontes mentais para a promessa divina que consistia em multiplicá-la em revelações e alianças pessoais por toda a sua família e descendentes.
O princípio, porém, fica estabelecido. Posso entender a Casa de Deus como o lugar onde se abre o espaço para descer uma escada de comunicação entre o céu e a terra, onde Deus faz a sua habitação. Consiste numa aliança cuja iniciativa parte de Deus e subordinada a cláusulas. Estas constituem promessas cujo beneficiário é a parte humana. O destino da Casa viva de Deus é ser composta de congregação de inúmeras relevações e alianças pessoais.
E tem como fundamento uma pedra. O pastor leu e enfatizou a declaração de Jacob de que Deus estava ali. E prosseguiu a exposição da mensagem. Mas a pedra chamava-me. Convidava-me a deter-me. Li num relance de olhos todo o episódio, mas a minha mente já sabia onde queria meditar, e que questões a despertavam. A pedra que serviu de almofada foi ungida e erigida como memorial do encontro com na Casa deste. Porquê? Teria isto algum significado ou seria mero acaso: Jacob tomou aquela pedra simplesmente porque era a que tinha à mão?
Estas perguntas ficaram a martelar no meu espírito, e pediam uma resposta. Imediatamente soube que uma ideia me estava a ser dada, e que ideia era. E estava certo que me era exigido proclamá-la. Pedi ao pastor para partilhar com a congregação o que o Espírito de Deus me mostrara.

segunda-feira, junho 15, 2009

O ALTAR DE ALMOFADA 2 – A PEDRA E AS ESCADAS

Embora aterrado com a visão – tão cheia de luz e fogo, e a voz de Deus, mais forte do que o trovão, som de muitas águas, mas nítida – a palavra que Deus lhe dera era o bastante para o tranquilizar. Percebia que essa palavra merecia a confiança.
Sabia que o sonho lhe fora dado pelo Deus de seu pai e avô. Entendera que lhe falara, que tivera o privilégio de Ele se lhe revelar. E confirmava que a promessa da multiplicação das gerações da linhagem de Abraão lhe era agora transmitida, incontáveis como as estrelas do céu e o pó da terra. E que esse Deus estaria com Ele, e que havia comunicação entre o céu e a terra, que os anjos de Deus seriam com ele para o guardar e lhe trazer a bênção do céu, em obediência à voz do Senhor. Sim, a promessa era também para ele, não apenas por ser da linhagem de Abraão. Deus falara com Jacob, e não com o neto de Abraão. Havia umas escadas entre ele e Deus. Do alto das escadas Deus falava-lhe, como falara com Abraão. Ouvira e ouviria Deus, como Abraão. Com ele Deus fizera uma aliança, a mesma que fizera com Abraão. Conhecia agora Deus pessoalmente, e não apenas por ouvir o avô e o pai falarem dele. Abraão fora conhecido como o amigo de Deus. Também com ele tinha Deus firmado essa relação íntima.
Sabia que a promessa de Deus à linhagem de Abraão era para uma terra deleitosa, e essa terra fora claramente apontada. Mas uma coisa não sabia:
– Não sabia que também nesta terra Deus está.
Sim, a promessa era Canaã. Essa era a herança. Mas percebia que o Deus dos seus antepassados e seu Deus era Senhor também de outras terras. Daquela terra. Da terra que era por ora o seu destino, Haran. Também aí o seu Deus seria com ele, e dirigiria os seus passos, e seria o seu conselheiro, e o protegeria, e lhe daria uma jovem e linda mulher, a quem amasse, e que o amasse e lhe desse muitos filhos e filhas. Aí o abençoaria.

Era costume entre os povos tomar pedras e fazer delas um marco da consagração de um voto aos seus deuses. Às promessas do Deus e de seu pai e avô e agora igualmente seu Deus respondeu Jacob com votos: entregar-Lhe-ia o dízimo de todos os bens que lhe fossem dados segundo essas promessas. Tomou ele também a sua pedra e consagrou-a como memorial ao Deus da aliança acabada de concertar. E conforme o costume, chamou à pedra, e ao lugar em que a achara, Casa de Deus. Como sinal último da aliança, ungiu a pedra com um pouco de azeite, que representa a presença de Deus. Sempre que ele ou seus filhos por ali passassem lembrar-se-iam da aliança de Deus com Jacob e reafirmá-la-iam em seus corações, voltando-se de novo para ela.
O olhar não sondou em redor nem a mente se questionou. A pedra que a mão tomou foi a que lhe serviu de almofada. Essa era a sua Bethel, a sua Casa de Deus.

Lembrara-se: o seu avô Abraão sacrificara e selara aliança com o seu Deus por ali. Então o Senhor já chamara para si havia muito aquela terra. A Abraão e à sua linhagem prometera um território da ribeira do Egipto até ao rio Eufrates. Aquela terra fazia parte da promessa. E Deus disse-lhe que lha dava. Ali plantara erva para os seus gados, ali abrira caminhos para as suas caravanas e mercancias. Ali construiriam cidades e plantariam e cultivariam cereais e árvores de fruto. Que lhe dissera Deus? Os seus filhos e netos estender-se-iam para todos os pontos cardeais. A estrada para Haran era igualmente herança para os seus filhos e netos. E Haran. E toda a terra.
Como poderia ter-se esquecido disso: que Deus também estava ali?

terça-feira, junho 09, 2009

Camões: Em defesa da língua Portuguesa

E na língua, na qual quando imagina,
Com pouca corrupção crê que é a Latina
Os Lusíadas (Canto I estrofe 33)

Camões foi a seu tempo, juntamente com a sua geração, um grande renovador e fixador de novos padrões e formas na língua portuguesa, na sintaxe, no vocabulário, na expressividade retórica e estilística. Justamente amanhã se celebra o seu dia, e com ele o dia da alma lusa.
E como organismo vivo, a língua continua hoje a ser reinventada.

Vem isto a propósito precisamente de Camões, não o Luiz Vaz, mas o Instituto.
Há uns tempos, ao consultar a página da Direcção Geral dos Recursos Humanos da Educação, do Ministério da Educação, sobre concursos de recrutamento de pessoal docente, verifiquei que não havia nenhum concurso aberto, mas sim um tal "procedimento concursal".
Um pro quê?
Como a responsabilidade sobre os concursos de recrutamento de docentes para os cursos de língua e cultura portuguesa para os ensinos básico e secundário passou para a alçada do O o Instituto Camões, tutelado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (que já tinha a responsabilidade sobre os concursos de recrutamento de leitores para as universidades estrangeiras), ontem mesmo, ao aceder ao portal de internet do Instituto, verifiquei que havia um "procedimento concursal" aberto para leitores.

Quando li isto na página do Ministério de Educação pensei que poderia ser uma de duas coisas: ou era da minha vista, ou era mais um neologismo da prolífera língua de quem escreveu essa enigmática expressão, o eduquês. Concluí que só podia ser de quem escreveu, e que a expressão viera de uma das cabecinhas pensadoras dos monstros Cila escondido num alto rochedo da Av. 5 de Outubro em Lisboa, e que mais monstruoso e temível ficou desde que se levantou a nova cabeça Prof. Doutora Maria de Lurdes Rodrigues.
Passado o susto, fui à minha vida. Até porque já não sou há três funcionário desse monstro, perdão, desse ministério. Olhos que não vêem, coração que não sente.

Eis senão quando depara-se-me no sítio internet do Camões a mesma medonha visão de palavras que antes me tinha traumatizado as tripas. Talvez as cabecinhas pensadoras da Cila que antes tinham trabalhado para o Ministério da Educação estivessem agora no Camões. O que estava recalcado veio à superfície. Nããããoooo!!!

Porém, uma rápida pesquisa na internet dirigiu-me a outras páginas de outros organismos da administração pública onde o monstro aparece, por exemplo, aqui, ou aqui.
No último link, o monstro é definido como "o conjunto de operações
que visa a ocupação de postos de trabalho necessários ao desenvolvimento das actividades e à prossecução dos
objectivos de órgãos ou serviços"…
Mas pergunto porque desenvolvimento não é "procedimento desenvolvimental". E aparece aí também o termo "recrutamento", e não "procedimento recrutamental".
Ai que do monstro Cila caí no monstro Caríbdis, pois os tentáculos aparecem por todo o lado! A expressão afinal não é da língua eduquês, mas de uma outra mais tentacular e omnipresente, o administrês, que subtilmente nos penetra em todos os poros e nos contamina o modo de pensar e de falar, e até eu já me deixei influenciar!

Ou então, visto de outra forma, não tão negativista, que plasticidade a da língua portuguesa!
Assim o Instituto Camõe, de mãos dadas com os demais órgãos da administração pública, faz a sua parte no fiel cumprimento da nobilíssima missão de defesa da lindíssima língua portuguesa, fiel dilecta da latina e tão semelhante à mãe. Perdão, da nobilíssima missão de procedimento defensal da lindíssima língua portuguesa – é assim que se deve dizer.
O Instituto fez jus ao nome do seu patrono.

Leitor, quando quiseres mandar outrem à fava, não o digas assim mesmo, com estas palavras mesmas, nem uses palavrões. E usar palavrões é banal e por isso deixou de ser dissuasor. Quão melhor não é usares uma outra estratégia que deixe o adversário de rastos, confuso, perdido, nauseado. Não entende que golpe baixo recebe, não tem anticorpos para ele e ei-lo a cair por terra, com uma dor de cabeça que lhe dá sensação de ter uma bomba-relógio lá dentro e com forte indigestão, sem conseguir conter o vómito.
Quando pois quiseres mandar alguém à fava, diz-lhe assim:
– Vai p'ró procedimento concursal!

sexta-feira, junho 05, 2009

O ALTAR DE ALMOFADA 1 – NO CAMINHO

Aquele era o dia da partida. No alforge, além de provisão para uns dias de viagem, levava a bênção e o conselho do pai e o beijo da mãe. Um era a certeza de que o propósito da viagem se cumpriria, pois o Deus de seu pai e avô haviam prometido para a sua família uma descendência numerosa, e se Ele fora com eles cumprindo a Sua aliança com eles, seria igualmente com ele. O outro alimentava-lhe a alma com a garantia da cumplicidade: da sua mãe querida, que o ajudara a ganhar o lugar da primazia destinado, segundo o costume, ao irmão, sabia que podia esperar o mais terno acolhimento e as mais calorosas boas-vindas, ao regressar com sua esposa.
– Escuta bem, meu filho: não deves casar com nenhuma mulher de Canaã. Vai à Mesopotâmia, a casa do teu tio materno Labão, escolhe uma das filhas dele. Estão em idade de casar, e são gente de bem. E que o Deus do teu avô Abraão e teu pai seja contigo.
Partiu. Estava só. A bênção e conselho do pai e a cumplicidade da mãe davam-lhe força aos pés na caminhada, mas estava só. Os quilómetros sucediam-se e essa percepção tornava-se progressivamente mais clara. Só. Ele teria apenas de escolher a noiva entre as primas, e suportar a desilusão caso nenhuma lhe agradasse verdadeiramente. Mas, segundo o costume, deveria procurá-la entre os parentes dos seus pais. O irmão já tinha várias esposas, ele nem uma. Talvez esta, para lhe dar os filhos prometidos e assim continuar a inumerável descendência de Abraão, e depois tomasse outras.
Mas talvez esse Deus de Abraão e de Isaac o guiasse e a prima que tinha para lhe dar por esposa fosse, afinal, lindíssima. Assim fizera com seus pais Isaac e Rebeca, e bem sabia quantos se amavam.
Deixara Bersheba ao nascer do sol em direcção a Haran, e ao cabo de muitas horas eis que o sol tombara. Aproveitou até ao último vestígio de escarlate no céu. O vindo de ocidente ficava-lhe pelas costas, e a sua sombra caminhava adiante de si. Por fim, o facho solar esgotava-se, e com ele a luz para lhe iluminar a estrada. Não adiantava continuar.
Estirou as pernas longamente, espreguiçou-se, respirou fundo e bocejou. Fechou os olhos e deixou-se ficar uns instantes, em silêncio, a captar a murmúrio do repouso na respiração. A textura doce da eternidade na chama de uns poucos segundos: abriu os olhos.
Novamente mãos à obra.
Com umas poucas ervas rasteiras por leito, recostou-se ao abrigo de uma rocha – um parco abrigo contra o fresco vento nocturno, mas ainda assim um abrigo. Tomou uma pedra suficientemente grande e suficientemente lisa para nela encostar a cabeça e fechou os olhos de vez. A única luz eram estrelas no céu, aquelas que se podiam deixar ver por entre as clareiras nas nuvens.

sábado, maio 09, 2009

17'' que mudaram o curso da História


No 1.º de Maio deste ano, eu e as meninas (a Caroline e a Eunice) fomos passear ao centro termal e de lazer de Amnéville.
Entre outras pequenos passeios e aventuras (de comboiozinho, visita ao aquário, um lanche e uma partida de bowling), as meninas fizeram o seu primeiro passeio a cavalo (pónei).
Só da aventura da Caroline tenho registo vídeo. Magistral, tranquila, descontraída, dominadora da situação por parte da menina mais doce, esperta, enérgica, eléctrica, curiosa, comunicativa, bem disposta, faladora, aventureira, corajosa, destemida e fiteira, inventora da nova língua "gabum". Após uma reacção irada à colocação do capacete, já apaziguada, ei-la, com ele apenas meio posto, mas com destemor épico a assumir as rédeas do animal. A primeira vez, mas com a elegância e a segurança do cavaleiro experiente.
17'' magistrais que mudaram o curso da História. Aos 15 meses. Não tardará que se oiça falar de maiores proezas com influência ainda mais decisiva no curso da História.

segunda-feira, março 16, 2009

Dedicado ao mais celebrado mestre da eloquência de sempre




Demóstenes

Tu não sabes, mas os seixos moldaram-te
Nas praias da Ática
À beira do abandono lançaste o manto à areia
mas o vento elevou-o à altura das fragas
à tua voz e ao teu espírito

Daí o trovão fala às velas
o vento ecoa a elegância do pregão
aquele que faz o povo recobrar a força,
Demóstenes
e Atenas navega
para o porto da liberdade

Espírito e voz moldados
As gerações que se te seguirem
serão mais gagas do que tu
e contigo quererão aprender
na escola, não na vida
a voz e o espírito
o pulmão e o coração
a força e a elegância
a escolha do ritmo e do vocábulo
o relâmpago do raciocínio
e o trovão da paixão
imitarão a tua arte
honrar-te-ão como o mestre perfeito
da invenção, da ordem dos elementos, da beleza e da declamação
citarão os teus incisos, períodos e orações
decalcarão e jurarão sobre a tua eloquência
aspirarão à tua Coroa

Sem seixos, sem praia, sem fragas
sem o fogo e o vento a falarem às entranhas da cidade
sem a neblina propínqua da servidão
o espectro opaco da Macedónia

Quem tiver uma causa uma voz e um espírito e uma palavra
escutar-te-á
e de novo o teu espírito soprará e a tua voz de pedras rugirá

quinta-feira, março 05, 2009

CO2: não podemos exterminá-lo?


A ciência, como a conhecemos hoje (e como talvez desde sempre) tem os seus dogmas, os seus lugares comuns, declarações de fé, mitos. Quando chega ao domínio da divulgação, em revistas, jornais, programas de televisão, perde o rigor e ganha em ridículo, adopta uma retórica ideológica, dogmática, tautológica, religiosa, de verdade revelada, mais do que os próprios discursos dos religiosos que tanto zurze e critica. É assim com os darwinistas (ou neo-darwinistas) e com esses outros sacerdotes das altíssimas verdades da ecologia.
Desde que "descobriu" e "provou" o aquecimento global, que o homem é o grande responsável do fenómeno e que o principal agente gerador do efeito de estufa gerador do mesmo é o dióxido de carbono, sucede-se minuto a minuto a evangelização ecológica contra essa besta apocalíptica do século XXI. Há tempos, passou na televisão francesa um anúncio (não notei a quê, a minha atenção apenas foi chamada pelo que ouvi e vi de seguida) em que se sugeria qualquer coisa como se não se poderiam suspender as emissões de CO2. E a imagem, como se accionada por um comando à distância, parava, as pessoas paravam, tudo parava. Irónico ou não, a única solução para que as emissões de CO2, logo a poluição do planeta, cessem é que paremos, que não façamos nada, que paremos de respirar, que a vida. Ridículo.
Hoje, na rubrica de meteorologia do canal infanto-juvenil Gulli, ouvi algo que me deixou estarrecido: que o planeta não gosta do CO2.
Como?! Fervente de indignação, vociferei:
— Mentira!
A Eunice, com 8 anos, dizia que era verdade. E procurei explicar que não é bem assim. Que nós inspiramos oxigénio e expiramos dióxido de carbono, e que Deus criou o mundo de maneira que com as plantas verdes fosse ao contrário: elas inspiram dióxido de carbono e dão-nos o oxigénio.

Sim, se as árvores e todas as plantas verdes, que são a maioria dos seres vivos do planeta, pudessem falar, imagino que diriam, com maior indignação do que a minha:
— E nós? De que planeta somos?