“Und wo wir Zukunft sehn, dort sieht es Alles
und sich is Allem und geheilt für immer”
“E onde nós vemos futuro vê ele Tudo
e a si no Todo e salvo para sempre”
Rainer Maria Rilke, in Elegias de Duíno 8 (original e tradução de Maria Teresa Dias Furtado, Assírio & Alvim)
Não queria sair do Paraíso. Por isso
quis ver Tudo da copa da árvore.
quis ser mais alto e sobretudo permanecer
caso me faltasse a mão para abarcar toda
a visão, todo o espaço do Jardim feito concha
pelos rios que correm sem nascente nem foz.
Ausente da brisa do crepúsculo,
que é o Teu rosto dado de frente
escolhi um vento com aroma
de um fruto dando de lado.
Há uma dor em mim que é a da aproximação,
quanto mais me chego a Ti mais me dói.
Ser ausente do que vi em Ti,
que vês Tudo, que és salvo em Ti
e eu em Ti nos Teus olhos
de sangue de animal manso.
Escolhi outro crepúsculo
um sol caído em outros olhos,
olhos de aproximação da cobiça
da vida ignorante de quão espesso
é o seu vazio, de que olhar
os rios do Paraíso, que são
a Tua presença,
é ver-Te ausentando-Te
e eu neles para longe
fluindo sem nascente nem foz.
Não queria sair do Paraíso mas possuí-lo,
não me chegava esta mulher que
me deste, só o ver-me Tudo
mais asa do que anjo
mais sabor do que fruto.
Mas foi ainda nas águas dos rios,
que são o que me resta do passado,
que vejo o futuro.
Rui Miguel Duarte
18/06/15
Originalmente publicado em Salmo Presente
Nova vida, abundante vida, tudo quanto pode proporcionar um encontro pessoal e radical com uma pessoa especial. A contracultura da nova criação, em Jesus Cristo. N.B.: Este blog está em desacordo com o chamado novo acordo ortográfico de 1990.
quinta-feira, julho 09, 2015
quarta-feira, maio 27, 2015
POUR MA MÈRE ET POUR MON PÈRE
Il y a plus de fleurs dans mon coeur que dans ma mère et mon père
voyez tous ces oiseaux dans le ciel
c'est jolie ils chantent une berceuse
de "frère Jacques" la nuit passe les oiseaux
sont en train de cacher leur poussins
le soleil revient papa a dit à maman
"on pourrait acheter un chien pour Caro?"
après maman dit: "Caro, on va t'acheter un chien"
papa a dit que c'était bien un chien à la maison
et elle a son chien elle est très contente
elle s'est bien occupé des animaux
les fleurs poussent super bien et dans mon cœur
il y a toujours une place pour ma mère et pour mon père
FIN
27/05/2015
Poema de Caroline Ventura-Duarte (7 anos)
voyez tous ces oiseaux dans le ciel
c'est jolie ils chantent une berceuse
de "frère Jacques" la nuit passe les oiseaux
sont en train de cacher leur poussins
le soleil revient papa a dit à maman
"on pourrait acheter un chien pour Caro?"
après maman dit: "Caro, on va t'acheter un chien"
papa a dit que c'était bien un chien à la maison
et elle a son chien elle est très contente
elle s'est bien occupé des animaux
les fleurs poussent super bien et dans mon cœur
il y a toujours une place pour ma mère et pour mon père
FIN
27/05/2015
Poema de Caroline Ventura-Duarte (7 anos)
domingo, abril 19, 2015
FLUXO DE SANGUE
“Porque dizia consigo: Se eu tão-somente tocar a sua roupa, ficarei sã."
Evangelho segundo Mateus 9:21
Dizia comigo: há um rumo de sangue
que me conduz a ti o sangue que
ao correr repetidamente abriu sulcos
nas minhas lágrimas e erodiu a minha alma
dizia comigo: há um princípio de sangue
no meu e teu fim, foi ele o sangue que pintou
a veste branca, não da púrpura
dos senadores romanos
mas de um escarlate
que vem da medula
da dor animal
dizia comigo: há um trâmite de sangue
de troca por troca, de simples oferta e procura
de mim para ti
ai se soubesse não teria trocado tanto dinheiro
para ficar com o meu sangue, que afinal
insistia em me deixar as feridas insaradas
dizia comigo: há um fluxo de sangue
do teu e meu sangue, um rasto
de frutos silvestres espremidos
na orla do teu manto
Rui Miguel Duarte
18/04/15
Evangelho segundo Mateus 9:21
Dizia comigo: há um rumo de sangue
que me conduz a ti o sangue que
ao correr repetidamente abriu sulcos
nas minhas lágrimas e erodiu a minha alma
dizia comigo: há um princípio de sangue
no meu e teu fim, foi ele o sangue que pintou
a veste branca, não da púrpura
dos senadores romanos
mas de um escarlate
que vem da medula
da dor animal
dizia comigo: há um trâmite de sangue
de troca por troca, de simples oferta e procura
de mim para ti
ai se soubesse não teria trocado tanto dinheiro
para ficar com o meu sangue, que afinal
insistia em me deixar as feridas insaradas
dizia comigo: há um fluxo de sangue
do teu e meu sangue, um rasto
de frutos silvestres espremidos
na orla do teu manto
Rui Miguel Duarte
18/04/15
quarta-feira, março 11, 2015
CALEB
“Há anos que escrevo o mesmo poema”
J. T. Parreira
Sou ainda o mesmo que fui outrora
ainda hoje os mesmos olhos
olham por dentro das mesmas pupilas
e procuram o mesmo infinito
há quarenta anos que sonho
o mesmo sonho
que este passeia pelo monte e lhe cria
um nome, Hebron,
e o soletra letra a letra,
como o nome de um amigo, com
o mesmo suspiro em silêncio
há quarenta anos que espero
então era soldado e lavava
a espada no sangue de gigantes
hoje lavo-a na chuva
que se acumula no vale
sou o mesmo rosto furtivo
à viragem do vento e recalcitrante
à passagem dos dias
há anos que escrevo o mesmo poema
que fala de promessas e de campos largos
e montes para conquistar
a mão do Senhor abrindo a minha
a pulso no papiro
os cabelos que hoje são brancos
já o eram então há quarenta anos:
embora mais longos
Rui Miguel Duarte
6/03/2015
J. T. Parreira
Sou ainda o mesmo que fui outrora
ainda hoje os mesmos olhos
olham por dentro das mesmas pupilas
e procuram o mesmo infinito
há quarenta anos que sonho
o mesmo sonho
que este passeia pelo monte e lhe cria
um nome, Hebron,
e o soletra letra a letra,
como o nome de um amigo, com
o mesmo suspiro em silêncio
há quarenta anos que espero
então era soldado e lavava
a espada no sangue de gigantes
hoje lavo-a na chuva
que se acumula no vale
sou o mesmo rosto furtivo
à viragem do vento e recalcitrante
à passagem dos dias
há anos que escrevo o mesmo poema
que fala de promessas e de campos largos
e montes para conquistar
a mão do Senhor abrindo a minha
a pulso no papiro
os cabelos que hoje são brancos
já o eram então há quarenta anos:
embora mais longos
Rui Miguel Duarte
6/03/2015
domingo, janeiro 18, 2015
PRIMEIRO
primum uiuere deinde philosophari
primeiro vivamos depois filosofemos
primeiro sejamos devedores do recobro
das árvores depois da mutação da tormenta
primeiro escondamos a vergonha
antes de entrarmos nos salões de sermos mestres
que cospem a esmola e a pisam
primeiramente sentemo-nos no degrau que ocupa Lázaro
primeiro aprendamos o tremor
que há um calafrio que é volátil
e tem rosto de Medusa que os seus cabelos
mordem e o seu olhar cria em nós estátuas
primeiro aprendamos que há uma espada
que ceifa a raiz e o eco do medo
primeiro bebamos o vinho
na estação e fora da estação
conheçamos que todas as cores têm
matizes notas no âmago da candura
primeiro agarremos o sonho
passeemos nele todo por dentro
enquanto o vento o traz e o leva
primeiro filosofemos depois poetemos
com a boca do abismo à beira dos olhos
é aí que descobrimos
que há asas à beira de nós
pés seguros nas mãos rijas dos anjos
contudo são a terra que nos dá
as flores para o nosso contentamento
primeiro amemos depois vivamos
Rui Miguel Duarte
18/01/2015
terça-feira, dezembro 23, 2014
NATAL
não é quando um homem quiser
o Natal, nem quando qualquer outro homem fizer
quantas estrelas inquietas
seriam necessárias para reconduzir
magos e poetas ao mistério do Conselheiro
na dimensão de pequenas mãos
quantos concertos de anjos
e acordes de flautas de pastores
para acompanharem
os vagidos frágeis de Deus na faringe
de um Menino, Natal
foi quando Deus quis e sonhou
que o Príncipe da Paz fosse menor
do que um rei
foi quando Deus quis que passou
pelo sonho de profetas
um Menino
o Maravilhoso coberto de panos
de linho de rejeição
que um Menino, num sopro único, nasceu
como todos os meninos, que são
o despojo da dor das suas mães
foi quando Deus encheu o tempo
foi então que a palpitação das galáxias
descansou à espreita desse momento
que é o princípio de tudo em flor
Rui Miguel Duarte
23/12/2014
o Natal, nem quando qualquer outro homem fizer
quantas estrelas inquietas
seriam necessárias para reconduzir
magos e poetas ao mistério do Conselheiro
na dimensão de pequenas mãos
quantos concertos de anjos
e acordes de flautas de pastores
para acompanharem
os vagidos frágeis de Deus na faringe
de um Menino, Natal
foi quando Deus quis e sonhou
que o Príncipe da Paz fosse menor
do que um rei
foi quando Deus quis que passou
pelo sonho de profetas
um Menino
o Maravilhoso coberto de panos
de linho de rejeição
que um Menino, num sopro único, nasceu
como todos os meninos, que são
o despojo da dor das suas mães
foi quando Deus encheu o tempo
foi então que a palpitação das galáxias
descansou à espreita desse momento
que é o princípio de tudo em flor
Rui Miguel Duarte
23/12/2014
quarta-feira, dezembro 17, 2014
A CIÊNCIA DOS COMEÇOS
“He was interested in roots and beginnings”
de JRR Tolkien, The Lord
of the rings – The Fellowship of the Ring, Livro 1, cap. 2
interessavam-lhe os começos
conhecer que sons
foram tocados no início
que raízes
foram lançadas nos fundos
dos canais, o lugar onde pudesse
despontar o espírito, onde a terra
abra portas para a sua insinuação
escavar aonde vai o seu sonho
escavar fundo onde
até os montes nascem
esta é a ciência que cultiva:
a indagação do crepúsculo
da árvore no húmus
de toda a beleza
Rui Miguel Duarte
17/12/14
Labels:
JRR Tolkien,
Poesia,
Rui Miguel Duarte
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