segunda-feira, abril 16, 2012

MUDA

como um cordeiro que é levado ao matadouro ou como uma ovelha emudecida nas mãos do tosquiador
Isaías 53:7

vi pelos olhos de Isaías
a ovelha levada
diante dos nossos olhos
em marcha lenta
sobre o gume da faca

os escombros do mundo
dissolviam as maçãs do rosto
a mão do carniceiro
não é menos áspera
mas quiçá será mais compassiva
e lhe aliviará todo esse peso
que lhe cerra a garganta

se o gume finda na ponta
vale mais apressar o golpe
para que de uma vez por todas
se solte e ecoe o grito emudecido
se solte a dor a derradeira
como feto retido no útero
o grito que pesa sobre a espinha

é urgente a declaração
de que a marcha do silêncio
terminou

lá, no lugar onde o céu
se rasga da terra
lá, onde vi a carne
posta perante Deus e os homens
a carne que cala a boca
do mundo


Rui Miguel Duarte
15/04/12

sábado, abril 14, 2012

CRIANÇA DORMINDO

dorme doce criança
dorme sem futuro
nem passado nem presente 
como quem está além da esperança
sem saber o que é não ser contente
ou perdida num túnel escuro
dorme a cabeça encostada suave
na coxa do papá faz o ninho a ave

14/04/12

segunda-feira, abril 09, 2012

HOJE, PÁSCOA

“Iam a correr…”
Evangelho segundo João 20:4

hoje preferimos
deixar o sono dormindo na cama
e correr, correr ao túmulo
porque nos disseram que a morte
havia de si própria fugido

deixámos tudo até o peixe
fazer a sua faina nas brasas
e a fome arder só ao lume
e correr, correr ao túmulo
porque nos disseram que a pedra
havia desertado

hoje preferimos
saltar obstáculos
e mesmo pisar urtigas com ambos os pés nus
porque nos disseram que a vida
conquistara o vento

preferimos ao linho
molhado em aloés
antes molhar as frontes
com a água corrente da vertiginosa pressa
de chegar ao túmulo
o lugar de descansar
do tumulto o coração

Rui Miguel Duarte
9/04/12


domingo, abril 08, 2012

O QUE SE MOSTRA

“Depois mostrou-lhes as mãos…”
Evangelho segundo João 20:20

mostro-te as minhas mãos
as mãos que reconheces
pelo toque vazio dos pregos

estas mãos que aspergiram
os rios imortais entre os montes
mãos que dispersaram
no firmamento as poeiras
do tempo
inaugurando o ciclo das estações
debaixo da pulsação do sol
que criaram as notas musicais
para tu cantares
mãos que esculpiram os rostos
dos homens em madeira rara

mãos cujos dedos são finos
como os das aves
e cujas palmas a morte
pouco a pouco amarrotou
até à extinção total

mostro-te estas mãos
que beijaram os espinhos
e deles extraíram latejante
a rosa

Rui Miguel Duarte
7/04/12

domingo, abril 01, 2012

TINTO

en tinta púrpura

da prensa escorre o poema da vida”

Ramón Blanco

esmaga a uva
até lhe retirar a tinta no palato
os dedos contam as gotas
que escorrem devagar
ao batimento de cada raio de sol

enquanto a aranha tece
a mortalha para a mosca
as pipas e tonéis abrem-se
de espanto para a nota rubra
de frutos silvestres
que sairá da obra de desespero das suas mãos

então, o que esmagou e matou
no lagar, lugar onde são as promessas geradas,
é o que dá a vida aos homens
é o sangue, pelo qual navega
tudo quanto resgata
ao adormecimento dos lábios
e tece na língua um poema tinto
de final longo

1/04/12

quarta-feira, março 28, 2012

OUTRA JERUSALÉM

“Construam casas para nelas habitarem; plantem hortas e comam do seu fruto.”
Jeremias 29:5

disseram-nos 
que construíssemos casas 
e as adornássemos de pomares
a toda a volta da nossa vista 
aí, dia a dia, faríamos amor 
até bisnetos nos nascerem 

disseram-nos 
que nessa terra ao plantarmos hortas
colheríamos paz, que muros 
não haveria que estancassem 
os nossos sonhos
nem o flagelo da fome nos puniria

e assim fizemos:
mesmo embutidos entre os rios
toda a terra 
é outra Jerusalém

26/03/12

terça-feira, março 27, 2012

BABILÓNIA

fora do mundo
descobrimos que há mundo
que há jardins e palácios
para lá do deserto
e também rios de águas vítreas

que para lá do choro e do riso
também há riso e choro
e que as lágrimas não são as últimas coisas
que derramamos
e que também aí a alegria se purifica

nunca imaginámos
que os caminhos do Senhor fossem
tão vastos e que o vento
levasse tão longe o aroma
do figo maduro

26/03/12

sábado, março 24, 2012

MEDITAÇÃO SOBRE O SALMO 137

recostamos os joelhos à beira dos rios
da Babilónia, os rios onde nem
os pés lavamos da marcha desde Sião,

mas os pensamentos vão lavados
e perambulam como corças
pela nudez acre da nossa terra
esfolada
perguntando aos rios se
haverá ainda por lá salgueiros em pé

é que nos arrancaram dos olhos
os contornos de Sião
e despojaram os nossos ombros
do linho de Jerusalém,
e nus nos deixaram
sem a túnica santa e branca que vestíamos
ao sábado

se de ti, Sião, a memória se escoar
nestas águas estranhas
que os dedos da minha mão direita
percam o tacto sejam como fantasmas
nas cordas da harpa

19/03/12

segunda-feira, março 19, 2012

MEDITAÇÃO SOBRE O SALMO 137

recostamos os joelhos à beira dos rios
da Babilónia, os rios onde nem
os pés lavamos da marcha desde Sião,

mas os pensamentos vão lavados
e perambulam como corças
pela nudez acre da nossa terra
esfolada
perguntando aos rios se
haverá ainda por lá salgueiros em pé

é que nos arrancaram dos olhos
os contornos de Sião
e despojaram os nossos ombros
do linho de Jerusalém,
e nus nos deixaram
sem a túnica santa e branca que vestíamos
ao sábado

se de ti, Sião, a memória se escoar
nestas águas estranhas
que os dedos da minha mão direita
percam o tacto sejam fantasmas
nas cordas da harpa

19/03/12

domingo, março 11, 2012

POR ONDE ANDA UM POEMA


Por onde anda um poema
um só esgaçado nas orlas da tarde?
um poema que não vá em modas
novas como uma brisa que não sacode
os nossos ombros

por onde anda um poema
um só capaz de rescender maresia?
dai-nos um desses à língua
sem lhe retirardes o sal

dai-nos esse pão nosso quotidiano
que perdoa todas as ofensas
e nos eleva às alturas do canto
a rasar as asas dos pássaros

buscamos esse poema
limpo da textura de água
em que a infância
encontre a sua casa

11/03/12

terça-feira, março 06, 2012

SEGREDO


Uma árvore tem sempre esperança; mesmo que a cortem, brota de novo e não pára de produzir rebentos.
Job 14:7

deixa-me contar-te,
criança velha,
o segredo da árvore

sempre de pé, mesmo quando
lhe deitam o tronco
e os ramos são separados do sol
mesmo quando suspendem
o abraço com o qual te consolavam
vegetal, e por isso
tão rente à terra

criança velha,
da árvore eis o segredo:
a raiz sempre permanece de pé,
apegada à fertilidade
do silêncio

6/03/12

NEVA EM VARSÓVIA

(a propósito de uma cena do filme O Pianista de Roman Polanski)

neva em Varsóvia
enquanto o fugitivo passa
com pés de pluma sobre as teclas
do piano dedo a dedo
sobre a cabeça enegrecida
que o chapéu esconde,

o fugitivo ao de leve entre os bicos
dos corvos e o piano é
à cautela uma labareda
sobre a cabeça enegrecida
mas mais negra ainda é a neve

1/03/12

domingo, março 04, 2012

NEVA EM VARSÓVIA

(a propósito de uma cena do filme O Pianista de Roman Polanski)

neva em Varsóvia
enquanto o fugitivo passa
com pés de pluma sobre as teclas
do piano dedo a dedo
sobre a cabeça enegrecida
que o chapéu esconde,

o fugitivo ao de leve entre os bicos
dos corvos e o piano é
à cautela uma labareda
sobre a cabeça enegrecida
mas mais negra ainda é a neve

1/03/12

sábado, fevereiro 25, 2012

PAROXISMO




μείζω γε μέντοι τῆς ἐμῆς σωτηρίας
εἴληφας ἢ δέδωκας
mais recebeste para minha salvação 

do que deste…”


Eurípides, Medeia v. 534-535


mais recebeste do que deste
o próprio nome te pus
na fronte o nome pelo qual foste retirada
dentre as bestas selvagens pois não sabes
mas os dentes que exibem são teus inimigos
e tu insistes, Medeia, e mordes nas crianças?
como desejei mudar o teu hálito de canibal,
ó mulher traidora da tua própria terra,
mulher de cabelos de vapor,
tu tão pouco me deste
e eu que tanto te dei, o nome de Hélade apenas
e com ele te dei tudo

23/02/12

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

OS BÁRBAROS

OS BÁRBAROS

Γιατί οι βάρβαροι θα φθάσουν σήμερα
“Os bárbaros chegam hoje”

Konstantinos Kavafis

chegam hoje, vêm para ficar
com barbas pintadas de sol
chegam ao amanhecer
quando os risos esperam o galope
dos seus cavalos de pompa

os bárbaros de barba que impõe silêncio
aos medos que no gume ferem o grito
da injustiça chegam hoje

eles sabem quem somos que temos poetas
dissimulados na facunda beleza dos frisos
e trazem uma nova alma nas barbas
finas como fios de sangue
a nova alma de que carecemos
a nova liberdade, liberdade das palavras
que são enganos

vêm, estão para chegar, arranquemos
de nós todas as dúvidas que nas espadas
das barbas trazem a solução, pois
mais não precisamos que da claridade
do ferro nos nossos rostos

22/02/12

sábado, fevereiro 18, 2012

QUEM OS DEUSES AMAM


Ὃν οἱ θεοὶ φιλοῦσιν ἀποθνῄσκει νέος

Quem os deuses amam morre novo

Menandro

os deuses amam
as tuas gargalhadas
e riem-se
encontram nos teus olhos
pérolas incandescentes
que anelam possuir
e para isso retorcem
os dedos

os deuses na tua boca
a voz amam
clamam pelo que tens
e eles não conhecem
e por isso no teu corpo jovem
acordam o sonho
e na mesma pressa de amar
to reclamam

quem os deuses amam?
que deuses amam?

18/02/12

terça-feira, fevereiro 07, 2012

ECLAIR


tes yeux de colombe
s’épanouissant en pétales d’ombre
tes yeux encastrés en arbre
dans un volcan de marbre
tes yeux de poussin
éclairant les premiers rideaux du matin

7/02/12


PIEGUICE


Não sejais piegas
— diz o governante ao povo
a excelência não anda às cegas
mas vive e trabalha com energia ele é novo

e aos gestos dá voz à voz largo espaço
com isto ensina uma imortal
lição à indolência  nacional
— fazei o que eu digo não o que eu faço

7/02/12



sexta-feira, fevereiro 03, 2012

BOA NOTÍCIA

Vasco de Graça Moura, ao tomar posse posse como novo presidente do Centro Cultural de Belém, em coerência com o que sempre tem defendido (e eu próprio defendo), decide abolir o Novo Acordo Ortográfico da documentação da instituição.

quarta-feira, fevereiro 01, 2012

LÍNGUA

sempre que tenho de falar, trava-se-me a língua na boca
Livro de Êxodo 4,10

Não falo, Senhor,
porque não sei
não há arcadas
que sustentem a minha voz
trava-se-me a língua é coxa
sempre que tenho
de discorrer sobre geada

o que me pedes, Senhor,
é como se cortasse
com lâmina mal afiada
a cabeça dum condenado,
não
me constranjas, Senhor,
a rasgar o silêncio
dentro do peito
fazê-lo falar mais o faz calar
como penedos corroídos
ao vento

1/02/12

quinta-feira, janeiro 26, 2012

FÁTUOS

“Abria-se a noite como uma romã”
José Eduardo Agualusa, in Milagrário Pessoal, p. 108.


um fogo sem artifícios
estrelas pálidas e ululantes
no céus como só olhos de aves
as poderiam espalhar

estendidos na frescura dos beirais
escorre dos lábios o oiro
a que habituaste a rosa,
o que tens para nos dar
agora ó noite ardente,
rubra nas velas
que se acendem remotas
no rufar das cigarras

senão a explosão dos teus dedos
como grãos de romã?

26/01/12


segunda-feira, janeiro 23, 2012

PASSEIO DOMINICAL

No domingo chega-se tarde ao trabalho
as mães atrasam-se nos beijos que dão
aos filhos, de rostos luminosos de maçã
os passos atrasam-se
numa meticulosa triangulação de ar
uma perna que sucede ao chão
e este a outra perna

no domingo entra o jardim
pela crianças dentro
— que bom que hoje está soalheiro,
mas mesmo que neve
as ruas dançam em perfeita comunhão
no coração que guardam no olhar

no domingo suja-se louça de porcelana

chora a pele no choque contra a outra pele
como o amor do mar com a rocha
primacial, portentoso

no domingo é o vento que envolve
os braços e todos levanta em uníssono
num cântico raro
nos corações ao alto
a Deus nas alturas

23/01/12

domingo, janeiro 22, 2012

CARTA AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA*

Exmo. Sr. Presidente da República,  

Sempre os Portugueses se habituaram a ver nos chefes de Estado, tanto em monarquia como na República, não apenas a figura paternal, daquele que está com eles nos bons e maus momentos. Uma figura que pudessem identificar como protector, que combatesse com eles, e fosse à sua frente, nas guerras contra inimigos externos e internos. Que os amasse. Mas também a quem amassem, em quem vissem um exemplo de conduta e ética, de casamento feliz entre valores e conduta.  

O Sr. Presidente pretendeu inserir-se nessa linha de mito, procurando transmitir de si a imagem de pessoa honesta, e última reserva moral da Nação. O Sr., porém, tem-nos grandemente decepcionado. Foi obrigado a renunciar ao seu vencimento de Presidente, em virtude uma lei que, justamente, impedia os detentores de cargos públicos de acumular vencimento com pensões. Fê-lo por isso, claramente, porque a tal foi obrigado. E escolheu o valor que maior rendimento lhe dá: a acumulação de pensões. Esperava-se do detentor da mais alta magistratura nacional o exemplo pró-activo, que o tivesse feito antes da implementação da tal lei, voluntariamente. Isto, sim, constituiria um exemplo. Isto, sim, daria um sinal aos seus concidadãos de que se identificaria com eles, e que se poderiam identificar com o senhor. Mostrou, afinal, que é um cidadão como os outros: nem melhor nem pior, que até se pauta pela conveniência pessoal, e segundo este padrão usa a lei. Tivesse-o feito, teria dado prova de sensibilidade, de generosidade, de sabedoria, de virtude cristã, de que é Presidente para servir, não para ser servido. Todavia, o cidadão, que é Presidente, que dá lições aos outros era um dos tais que acumulava, e só deixou de o fazer porque, infelizmente para ele, a tal foi legalmente obrigado.  

Mais recentemente, antes da aprovação do Orçamento de Estado, manifestou apreensões quanto aos sacrifícios impostos aos cidadãos a que obriga a aplicação do mesmo. Porém, tendo tido a oportunidade de agir em consciência e em concordância com as suas declarações e apreensões, vetando-o, suscitando a fiscalização preventiva da respectiva constitucionalidade, não o fez, tendo-o promulgado liminarmente. Donde, a sensação que fica para os Portugueses é de o seu Presidente ser uma figura que custa muito dinheiro ao erário público, que fala, por vezes bem, mas que não age quando se impõe. Uma magistratura inútil, inepta, e pior, inconsequente, pois, ao falar, espera-se que aja em conformidade. E abstém-se de o fazer.  As suas últimas declarações, contudo, excederam as expectativas. O senhor disse, e cito o que vem transcrito pelos órgãos de comunicação social: "tudo somado, o que irei receber do Fundo de Pensões do Banco de Portugal e da Caixa Geral de Aposentações, quase de certeza, não vai chegar para pagar as minhas despesas, porque como sabe eu também não recebo vencimento como Presidente da República." O que o senhor recebe de pensões, acumulado, são, ao que consta, 10 042 €. A este montante acrescem outros rendimentos seus, publicamente divulgados. Não há memória de tal honestidade nas palavras de um político em Portugal, que assim mostra o íntimo da sua alma. E de tão grande afronta e insulto aos milhares e milhões de concidadãos, que vivem com 5 % mensais ou menos do que isso, e com isso têm de sustentar famílias, pagar rendas, comer, tratar da sua saúde. Ou aos que nem isso têm, pois se vêem no desemprego de longa duração. Aos que, mesmo trabalhando, têm mais despesas do que receitas, e por isso passam fome. Como podem esses Portugueses fazer face às suas despesas, se o senhor, com os seus rendimentos mensais, não consegue? Permita que lhe diga, Sr. Presidente: não será caso para pensar que, quiçá, o senhor não tem vivido acima das suas possibilidades? Não será caso para, como cidadão, fazer o mesmo que os seus concidadãos: reduzi-las?  

Não há comentários possíveis à inenarrável declaração de V. Exa.. É bom que saiba, Sr. Presidente, que o sr. acabou por dar o golpe de misericórdia na já pouca confiança e ligação que os cidadãos tinham com os políticos que os têm governado.  E é em nome da liberdade de consciência e de expressão, e do sobressalto cívico que V. Exa. invocou aquando da tomada de posse para o seu segundo mandato, que, como cidadão livre, e por acaso que se identifica com a área político-ideológica da qual V. Exa. é oriunda, que apelo a que resigne ao cargo. V. Exa. deixou de ser o Presidente de todos os Portugueses. As relações entre Presidente e os seus concidadãos fica manchada pela vergonha, pelo sentimento da traição daquele para com estes. Deixou moral e politicamente de ter condições para tal. A menos, evidentemente, que V. Exa. tenha uma explicação para dar aos Portugueses. A menos que se tenha expressado mal, por omissão, e não se estivesse a referir às suas despesas pessoais e familiares, mas às inerentes com o cargo e o sustento dos serviços agregados à sua Casa Civil e das instalações que, por inerência de cargo, ocupa. Dou-lhe este benefício da dúvida, e honestamente tenho, como têm os meus e seus concidadãos, de considerar a hipótese do contraditório. Mas, se nada for dito da sua parte, se se mantiver o silêncio, se nada tiver a nos dizer, é minha opinião (e estou certo de que da generalidade dos Portugueses) que V. Exa. faria bem a si próprio, e a todos os Portugueses, em poupá-los a quatro longos e penosos anos deste sentimento de vergonha, até ao fim do seu mandato, resignando de imediato ao cargo de Presidente da República Portuguesa.   Com os melhores cumprimentos,  


Rui Duarte  

*Texto enviado por correio electrónico para a Presidência da República: belem@presidencia.pt. Coloquei no assunto "exemplo".