Entreguei ao mar as conchas
que de tantas se despoja
fiquei com a da mão
rendi ao céu as nuvens
que em tantas se espalha
guardei o algodão
dei aos olhos o teu rosto
que com tanto se sustenta
e resgatei uma ilusão
Rui Miguel Duarte
18/05/12
Nova vida, abundante vida, tudo quanto pode proporcionar um encontro pessoal e radical com uma pessoa especial. A contracultura da nova criação, em Jesus Cristo. N.B.: Este blog está em desacordo com o chamado novo acordo ortográfico de 1990.
sábado, maio 19, 2012
sexta-feira, maio 18, 2012
NO DORSO DAS ÁLEAS
“Le plomb que le cerisier
met aux ailes de la barbarie”
René Depestre, in “Voyage à dos de cerisier 3”
o chumbo que se mistura
com as asas da corrupção
não mata a promessa
feita solenemente ao meu poema
de sair à rua com a luz levantada
das espaldas
o meu poema é português
chega-me no vinho
e nos sons indiferentes do oceano
e basta-lhes que as flores
da cerejeira lhe pintem o tempo
estou grato porque sei
que nasci com um destino:
quando as asas se abrirem
nas flores do meu país
viajar ao fundo da beleza
Rui Miguel Duarte
17/05/12
met aux ailes de la barbarie”
René Depestre, in “Voyage à dos de cerisier 3”
o chumbo que se mistura
com as asas da corrupção
não mata a promessa
feita solenemente ao meu poema
de sair à rua com a luz levantada
das espaldas
o meu poema é português
chega-me no vinho
e nos sons indiferentes do oceano
e basta-lhes que as flores
da cerejeira lhe pintem o tempo
estou grato porque sei
que nasci com um destino:
quando as asas se abrirem
nas flores do meu país
viajar ao fundo da beleza
Rui Miguel Duarte
17/05/12
terça-feira, maio 15, 2012
EXORTAÇÃO
“Uma árvore tem sempre esperança”
Livro de Job 14:7
uma árvore tem sempre
esperança
semeada na raiz
enquanto os homens
deixam na terra, que lhes suportou
o peso, por tributo os ossos
só as árvores não morrem
mesmo que lhes separem
o tronco dos pés sempre darão
de si rebentos novos
pois persistentemente os seus olhos
fixam o seu amigo sol
tu homem em vez de rendido
ao rosto do pó
sê como as árvores
que se mantêm de pé,
em quem as aves do céu
também esperam
Rui Miguel Duarte
Livro de Job 14:7
uma árvore tem sempre
esperança
semeada na raiz
enquanto os homens
deixam na terra, que lhes suportou
o peso, por tributo os ossos
só as árvores não morrem
mesmo que lhes separem
o tronco dos pés sempre darão
de si rebentos novos
pois persistentemente os seus olhos
fixam o seu amigo sol
tu homem em vez de rendido
ao rosto do pó
sê como as árvores
que se mantêm de pé,
em quem as aves do céu
também esperam
Rui Miguel Duarte
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Rui Miguel Duarte
sábado, maio 12, 2012
FIAPOS DE PRIMAVERA
temperatura amena
nas pontas da brisa
com ameaças de frescura
sobre o rosto das árvores
a cada passo que dermos
talvez as nuvens abdiquem
um pouco o caminho
à passagem lesta
do sol
pelo menos assim podemos pedir
ao Deus do céu
que nos dê esse manto de luz
e o passeio no parque
com as crianças
de cada dia
12/05/12
nas pontas da brisa
com ameaças de frescura
sobre o rosto das árvores
a cada passo que dermos
talvez as nuvens abdiquem
um pouco o caminho
à passagem lesta
do sol
pelo menos assim podemos pedir
ao Deus do céu
que nos dê esse manto de luz
e o passeio no parque
com as crianças
de cada dia
12/05/12
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terça-feira, maio 08, 2012
LUZ DO MUNDO
“… em todas as línguas do mundo
uma pequena luz bruxuleante”
Jorge de Sena
Uma pequena luz igual
a todas as outras
e desigual de todas as outras
uma pequena luz que incendeia
todos os sóis
uma luz que apenas brilha
tal a vida que é extraída da chama
que insiste em brilhar
sobre o sopro azedo
dos que a não percebem
porque se vestiram de negritude fosca
da indiferença do mundo
e não sabem que língua
fala a luz a luz
em todas as línguas clara
e brilhantemente vertida
eng kléng Liicht schéint
lux parua lucet
luz que se não extingue
que se não dobra ante qualquer
vento
vento
em todo o mundo luz é
o foco firme do mundo
7/05/12
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Rui Miguel Duarte
segunda-feira, maio 07, 2012
Maravilhosa nova Europa
O governo alemão teima, e entende que não se devem encorajar na Europa políticas de relançamento, mais promover via das reformes no mercado de trabalho implementadas pelo antigo chanceler Gerhard Schröder. Anuncia-se um braço de ferro com o novo Presidente francês, ou então a cedência pragmática deste, como Sarkoky o fez.
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sábado, maio 05, 2012
Enviar sms ao volante…
Como evitar que os condutores enviem sms enquanto conduzem? Eis os melhor método.
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quinta-feira, maio 03, 2012
SOBRE A MURALHA
“… em casa da prostituta, chamada
Raab…”
Josué, 2:1
cada olho da minha casa
dá para um dos lados da muralha
do lado de fora
corre um vento raso
aos murmúrios que ameaça
aplicar-se às trompetes da declaração
de guerra um vento que sobe
e penetra na minha casa até falar
às paredes com a promessa
que ela será para os projécteis
uma pedra firme no invisível
do lado de dentro chega-me
o pão e o valor do comércio
da minha vida
no chão do meu corpo
é o lado em que sou
por umas poucas horas
a estrela mais ascendente
e nas seguintes a mais cadente
de um lado chega vê-se
uma miragem no deserto
do outro conheço quanto deserto
do outro conheço quanto deserto
há dentro da miragem
entre dentro e fora
da muralha de Jericó
oscila a minha casa
oscila dentro de mim
Rui Miguel Duarte
3/05/12
quarta-feira, maio 02, 2012
AQUELE DE CUJA MÃO FUGIU O ANJO
Do e-book "Aquele de cuja mão fugiu o anjo" (http://pt.scribd.com/doc/ 90401321/ Aquele-de-Cuja-Mao-Fugiu-o-Anjo -Poemas-J-T-Parreira), o melhor livro (para o autor destas palavras), de jamais escrito por João Tomaz Parreira, o mais elaborado, o mais requintado em trabalho poético. A exigir, cada poema, uma degustação lenta, repetida, para acompanhar, detectar as múltiplas voltas, imagens, descrições, metáforas, efabulações que cada composição contém. Como um vinho. Uma homenagem não encomendada, mas com apreço poético. Um exemplo (p. 33):
DISCURSO AOS JOVENS
DISCURSO AOS JOVENS
Não deixeis para amanhã
a vossa humilde tarefa de olhar
pela honra dos mais velhos
de pequeno
é que um rio faz o destino
das suas águas poderosas
nenhum pássaro
é novo em demasia
para se lançar no alto
imóvel céu
Escrevo-vos
porque cada dia
vos trará um surpresa
é preciso decantá-la até à gota
mais simples do sangue
Uma névoa que se levante
e se envolva nas coisas
como um rio de cinza – Vos escrevo
porque sois fortes – dissipai-a
todavia
que os dias de sol
não vos enganem
Bem e Mal já não são as fronteiras
que jamais deveriam tocar-se
por isto vos escrevo
para que o vosso coração se mova
na verdade.
terça-feira, abril 24, 2012
NO CAMINHO
caminhámos sobre as águas
e nelas semeámos a noite
para o amor feito
para nós
confiámos a distância
ao rio depusemo-nos de tudo
na luta contra as margens
até as mãos se reconhecerem no silêncio
unimo-nos
no segredo das árvores
lá, onde os navios
rasgam o caminho
Ri Miguel Duarte
23/04/12
e nelas semeámos a noite
para o amor feito
para nós
confiámos a distância
ao rio depusemo-nos de tudo
na luta contra as margens
até as mãos se reconhecerem no silêncio
unimo-nos
no segredo das árvores
lá, onde os navios
rasgam o caminho
Ri Miguel Duarte
23/04/12
segunda-feira, abril 16, 2012
MUDA
“como um cordeiro que é levado ao matadouro ou como uma ovelha emudecida nas mãos do tosquiador”
Isaías 53:7
vi pelos olhos de Isaías
a ovelha levada
diante dos nossos olhos
em marcha lenta
sobre o gume da faca
os escombros do mundo
dissolviam as maçãs do rosto
a mão do carniceiro
não é menos áspera
mas quiçá será mais compassiva
e lhe aliviará todo esse peso
que lhe cerra a garganta
se o gume finda na ponta
vale mais apressar o golpe
para que de uma vez por todas
se solte e ecoe o grito emudecido
se solte a dor a derradeira
como feto retido no útero
o grito que pesa sobre a espinha
é urgente a declaração
de que a marcha do silêncio
terminou
lá, no lugar onde o céu
se rasga da terra
lá, onde vi a carne
posta perante Deus e os homens
a carne que cala a boca
do mundo
Rui Miguel Duarte
15/04/12
sábado, abril 14, 2012
CRIANÇA DORMINDO
dorme doce criança
dorme sem futuro
nem passado nem presente
como quem está além da esperança
sem saber o que é não ser contente
ou perdida num túnel escuro
dorme a cabeça encostada suave
na coxa do papá faz o ninho a ave
14/04/12
dorme sem futuro
nem passado nem presente
como quem está além da esperança
sem saber o que é não ser contente
ou perdida num túnel escuro
dorme a cabeça encostada suave
na coxa do papá faz o ninho a ave
14/04/12
segunda-feira, abril 09, 2012
HOJE, PÁSCOA
“Iam a correr…”
Evangelho segundo João 20:4
hoje preferimos
deixar o sono dormindo na cama
e correr, correr ao túmulo
porque nos disseram que a morte
havia de si própria fugido
deixámos tudo até o peixe
fazer a sua faina nas brasas
e a fome arder só ao lume
e correr, correr ao túmulo
porque nos disseram que a pedra
havia desertado
hoje preferimos
saltar obstáculos
e mesmo pisar urtigas com ambos os pés nus
porque nos disseram que a vida
conquistara o vento
preferimos ao linho
molhado em aloés
antes molhar as frontes
com a água corrente da vertiginosa pressa
de chegar ao túmulo
o lugar de descansar
do tumulto o coração
Rui Miguel Duarte
9/04/12
domingo, abril 08, 2012
O QUE SE MOSTRA
“Depois mostrou-lhes as mãos…”
Evangelho segundo João 20:20
mostro-te as minhas mãos
as mãos que reconheces
pelo toque vazio dos pregos
estas mãos que aspergiram
os rios imortais entre os montes
mãos que dispersaram
no firmamento as poeiras
do tempo
inaugurando o ciclo das estações
debaixo da pulsação do sol
que criaram as notas musicais
para tu cantares
mãos que esculpiram os rostos
dos homens em madeira rara
mãos cujos dedos são finos
como os das aves
e cujas palmas a morte
pouco a pouco amarrotou
até à extinção total
mostro-te estas mãos
que beijaram os espinhos
e deles extraíram latejante
a rosa
Rui Miguel Duarte
Evangelho segundo João 20:20
mostro-te as minhas mãos
as mãos que reconheces
pelo toque vazio dos pregos
estas mãos que aspergiram
os rios imortais entre os montes
mãos que dispersaram
no firmamento as poeiras
do tempo
inaugurando o ciclo das estações
debaixo da pulsação do sol
que criaram as notas musicais
para tu cantares
mãos que esculpiram os rostos
dos homens em madeira rara
mãos cujos dedos são finos
como os das aves
e cujas palmas a morte
pouco a pouco amarrotou
até à extinção total
mostro-te estas mãos
que beijaram os espinhos
e deles extraíram latejante
a rosa
Rui Miguel Duarte
7/04/12
domingo, abril 01, 2012
TINTO
“en tinta púrpura
da prensa escorre o poema da vida”
Ramón Blanco
esmaga a uva
até lhe retirar a tinta no palato
os dedos contam as gotas
que escorrem devagar
ao batimento de cada raio de sol
enquanto a aranha tece
a mortalha para a mosca
as pipas e tonéis abrem-se
de espanto para a nota rubra
de frutos silvestres
que sairá da obra de desespero das suas mãos
então, o que esmagou e matou
no lagar, lugar onde são as promessas geradas,
é o que dá a vida aos homens
é o sangue, pelo qual navega
tudo quanto resgata
ao adormecimento dos lábios
e tece na língua um poema tinto
de final longo
1/04/12
quarta-feira, março 28, 2012
OUTRA JERUSALÉM
“Construam casas para nelas habitarem; plantem hortas e comam do seu fruto.”
Jeremias 29:5
disseram-nos
que construíssemos casas
e as adornássemos de pomares
a toda a volta da nossa vista
aí, dia a dia, faríamos amor
até bisnetos nos nascerem
disseram-nos
que nessa terra ao plantarmos hortas
colheríamos paz, que muros
não haveria que estancassem
os nossos sonhos
nem o flagelo da fome nos puniria
e assim fizemos:
mesmo embutidos entre os rios
toda a terra
é outra Jerusalém
26/03/12
Jeremias 29:5
disseram-nos
que construíssemos casas
e as adornássemos de pomares
a toda a volta da nossa vista
aí, dia a dia, faríamos amor
até bisnetos nos nascerem
disseram-nos
que nessa terra ao plantarmos hortas
colheríamos paz, que muros
não haveria que estancassem
os nossos sonhos
nem o flagelo da fome nos puniria
e assim fizemos:
mesmo embutidos entre os rios
toda a terra
é outra Jerusalém
26/03/12
terça-feira, março 27, 2012
BABILÓNIA
fora do mundo
descobrimos que há mundo
que há jardins e palácios
para lá do deserto
e também rios de águas vítreas
que para lá do choro e do riso
também há riso e choro
e que as lágrimas não são as últimas coisas
que derramamos
e que também aí a alegria se purifica
nunca imaginámos
que os caminhos do Senhor fossem
tão vastos e que o vento
levasse tão longe o aroma
do figo maduro
26/03/12
descobrimos que há mundo
que há jardins e palácios
para lá do deserto
e também rios de águas vítreas
que para lá do choro e do riso
também há riso e choro
e que as lágrimas não são as últimas coisas
que derramamos
e que também aí a alegria se purifica
nunca imaginámos
que os caminhos do Senhor fossem
tão vastos e que o vento
levasse tão longe o aroma
do figo maduro
26/03/12
sábado, março 24, 2012
MEDITAÇÃO SOBRE O SALMO 137
recostamos os joelhos à beira dos rios
da Babilónia, os rios onde nem
os pés lavamos da marcha desde Sião,
mas os pensamentos vão lavados
e perambulam como corças
pela nudez acre da nossa terra
esfolada
perguntando aos rios se
haverá ainda por lá salgueiros em pé
é que nos arrancaram dos olhos
os contornos de Sião
e despojaram os nossos ombros
do linho de Jerusalém,
e nus nos deixaram
sem a túnica santa e branca que vestíamos
ao sábado
se de ti, Sião, a memória se escoar
nestas águas estranhas
que os dedos da minha mão direita
percam o tacto sejam como fantasmas
nas cordas da harpa
19/03/12
segunda-feira, março 19, 2012
MEDITAÇÃO SOBRE O SALMO 137
recostamos os joelhos à beira dos rios
da Babilónia, os rios onde nem
os pés lavamos da marcha desde Sião,
mas os pensamentos vão lavados
e perambulam como corças
pela nudez acre da nossa terra
esfolada
perguntando aos rios se
haverá ainda por lá salgueiros em pé
é que nos arrancaram dos olhos
os contornos de Sião
e despojaram os nossos ombros
do linho de Jerusalém,
e nus nos deixaram
sem a túnica santa e branca que vestíamos
ao sábado
se de ti, Sião, a memória se escoar
nestas águas estranhas
que os dedos da minha mão direita
percam o tacto sejam fantasmas
nas cordas da harpa
19/03/12
domingo, março 11, 2012
POR ONDE ANDA UM POEMA
Por onde anda um poema
um só esgaçado nas orlas da tarde?
um poema que não vá em modas
novas como uma brisa que não sacode
os nossos ombros
por onde anda um poema
um só capaz de rescender maresia?
dai-nos um desses à língua
sem lhe retirardes o sal
dai-nos esse pão nosso quotidiano
que perdoa todas as ofensas
e nos eleva às alturas do canto
a rasar as asas dos pássaros
buscamos esse poema
limpo da textura de água
em que a infância
encontre a sua casa
11/03/12
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