Nova vida, abundante vida, tudo quanto pode proporcionar um encontro pessoal e radical com uma pessoa especial. A contracultura da nova criação, em Jesus Cristo. N.B.: Este blog está em desacordo com o chamado novo acordo ortográfico de 1990.
domingo, novembro 07, 2010
PLATONISMO NO CRISTIANISMO
domingo, outubro 10, 2010
QUE DIREIS AOS POBRES?
Que direis aos pobres
ao vo-los anunciarem às vossas portas?
vêm incógnitos batidos das marés
das gentes, e se incrustaram
na crista do vosso olhar
serão somente poeira acumulada
à passagem de milhões de pés?
que direis aos que a própria terra
sorve de fome lentamente
a quem o céu sonegou as chuvas
aos traídos do vento,
aos que bebem no fundo
da misericórdia a sopa às gotas
que direis àqueles a quem oprimis
para vos engrandecerdes vos elevardes
acima dos bicos dos vosso pés?
que lhes direis, a esses
a quem vos foi ordenado que lhes désseis
de comer e a quem o prato
cheio de nada lhes retirais?
Que direis aos pobres?
9/10/10
domingo, setembro 26, 2010
O BOM PASTOR

O Bom Pastor é aquele
que conhece as quatro estações
das ovelhas
conhece a espessura da sua lã
e sabe que esta se no Verão lhes sobra
no Inverno não lhes calafeta
todas as portas e janelas da pele
ao frio
O Bom Pastor
conhece os azimutes todos
dos caminhos bravios das montanhas
onde habitam todos os caules
que lhes servem
de alimento
no cajado do tempo
na vara das estações
cada uma com o seu açoite
cada uma com o seu consolo
conhece-lhes os esgares do céu
de que boca de floresta
de que toca da noite
espreitam quentes os focinhos dos lobos
O Bom Pastor
é aquele que canta um canção
de amor à lânguida flauta
para as suas ovelhas
que lhes oferece no flanco
moribundo
um redil para seu abrigo
no cajado do tempo
na vara das estações
cada uma com a sua morte
cada uma com a sua vida
19/09/10
terça-feira, setembro 21, 2010
ELIAS

Quem está na montanha vê as coisas de cima
e a roupa do corpo parece-lhe durar
para sempre imune aos temporais
e ao alvoroço vacilante da multidão
quem está na montanha
toca com a ponta dos dedos
nos lumes do céu
e maneja mais destramente
o trovão, a majestosa imponência
dos dedos de Deus
quem está na montanha
de um gesto
incendeia o altar do sacrifício
e jorra o rio
na água límpida das pedras
quem está na montanha
domina as artes do discurso
é mestre de ilusionismo bobo de feira
tratador de ventos terramotos fogos
doutor da mais cristalina sabedoria
quem está na montanha
é paladino e chanceler da justiça
da nação
quem está na montanha
da montanha pode cair
e só numa gruta abscôndita na alma
pode escutar o sussurro
o harmonioso murmúrio
da voz de Deus
12/09/10
quarta-feira, setembro 08, 2010
PROCURAMOS UM DEUS

"O reino dos antigos deuses não resgatou a morte / E buscamos um deus que vença connosco a nossa morte"
Sophia de Mello Breyner Andresen, in "Senhora da Rocha"
Há manhãs que acordam nos rostos
opacos e escuros das tempestades
para nosso afrontamento, e que assim
nos conduzem a quebrar a aliança
que nos liga às coisas
à realidade
a estilhaçar o fio de prata
que nos liga ao corpo, ao chão fremente
mas tudo se pode afundar no mar
é então que sacerdotes de um culto estranho
nos aproximam do peito as facas
igualmente escuras e opacas
e no-las apontam com rigor ao coração
e nós derivamos o olhar, o clamor
para os recintos rasgados na terra
para os círculos dilacerados no céu
em demanda no voo das aves
de um olhar fresco dos deuses antigos
de uma voz que se fizesse ouvir
na vibração dos ares
nas paredes poliédricas de templos de seda
procurámos o reino, o lugar de repouso
a casa à beira-mar
mas nada nos resgatou da morte
nada desviou a sombra da faca
da aorta, para longe da boca do medo
o reino dos antigos deuses
não chegou ao nosso meio
porque era vazio e frio de granito
e quanto se exaltou o vento
assim se foi
e sem saber sabíamo-lo: buscávamos um deus
que transpusesse as paredes e o espaço
que morresse connosco a nossa morte
nos secasse o rio que dos rostos
nos colos das manhãs ainda caem
e nos desdobrasse as asas
da sua vida
Rui Miguel Duarte
04/09/10
SIMÃO DE CIRENE

“Quando o levavam, obrigaram um homem de Cirene chamado Simão, que vinha do campo, a carregar a cruz de Jesus às costas e a seguir atrás dele.”
Evangelho de Lucas 23,26 (versão A Bíblia para todos)
Simples homem da terra,
tisnado e áspero como os bois
irmãos do arado
o teu braço,
que antes se habituara
a quebrar na enxada
outro braço agora, de soldado
amante de sangue
ignorante das tuas horas
nesta hora ignaro
de demente vingança
prende e esmaga
braço por braço
ombro por ombro
sobre as tuas costas
faz poisar o peso de pena
de um condenado
abate-se a canga do céu
despojado de estrelas
a cruz toda do mundo
RUI MIGUEL DUARTE
29/08/10
segunda-feira, agosto 23, 2010
ODE LUNAR
Que encolhes, Lua
— dizem —
que quanta eras cessaste
de o ser
vêem-te estiolar
muito te pediram e tiraram,
Lua,
sob o teu candelabro se enlaçaram
os namorados, e juraram
que a eternidade
seria o prolongamento do beijo,
ó Lua alcoviteira
com o teu beneplácito de deusa
enlouqueceram os uivos dos lobos
as noites das aldeias,
e viram-se dos túmulos
redespertarem os mortos,
mas só nessas horas do teu reinado
efémero na noite, efémero
mas que deixava
nos ouvidos e nos olhos
o rumor do terror
que a aurora não dissipava,
ó Lua pantomineira
também te derramaste cheia
dentro do caldeirão da rainha bruxa
na preparação do molho agridoce
para embeber o pomo
que jugularia a vida de Branca de Neve,
ó Lua feiticeira
em ti requestaram inspiração
os poetas
com os teus segredos mancharam a folha
e organizaram a tinta,
ó Lua paroleira
a tua pele violentou
de um pequeno salto Neil Armstrong
sem que em ti achasse
nem no teu ventre gerasse
selenitas
filhos que te adornassem a velhice,
ó Lua solteira
tanto te pediram e extorquiram
estes terráqueos, mas sei triste
que nada te deram
que te não acalentaram
o coração
talvez por isso
arrefecida
— como dizem —
talvez por isso assim
desnudada
murches
21/08/10
A propósito de uma notícia segundo a qual a Lua está a encolher.
domingo, agosto 15, 2010
RACIONALIDADE DO ATEÍSMO
sexta-feira, agosto 13, 2010
O NEGATIVO DO PENSAMENTO E CONFISSÃO POSITIVOS
sexta-feira, agosto 06, 2010
PROFECIA SOBRE PORTUGAL

“Eu vi a Cristo num país de assombro
onde rapazes proclamam alto o Teu nome”
Ruy Cinatti, “Fezada”
Eu vi a Cristo num país de assombro
onde rapazes proclamam alto o Teu nome,
num país longínquo de cor e escombro.
Um país em que os homens pasmam de fome.
Esse é um país em que os rapazes na rua
encostam as rodas das bicicletas às valas
e descalçam os pés na lua.
Uma terra de coxos sem bengalas.
É um país cujos velhos
carregam sobre o dorso a humilhação
sem relhos nem trabelhos
de poupar à crise os escaravelhos.
Vi a Cristo nos olhos claros de um amigo,
dando às bocas a água copo a copo
e aos ventres grão a grão o trigo.
País de povo delapidado a martelo e escopro.
Vi a Cristo nas mãos crespas dos Seus seguidores,
curando as feridas de viúvas e grávidas,
abertas por abutres vestidos de Senhores.
É um país de estrondo, reanimado nas praias impávidas.
5/08/2010
sábado, julho 31, 2010
A MOSCA

segunda-feira, julho 26, 2010
SUBIDA AO SINAI
subo de dorso curvado
e olhar arrastando
no chão
o coração ainda se ergue
para o pico
mas o peso da convocação de Deus
a massa ingente da profecia por nascer
acabrunha o próprio ar
que respiro
sarça que arde nos pés
sobre a delicadeza sagrada
da terra,
temo apenas rasgá-la
por isso o meu dorso
pesado sem asas
e carente dum mistério duma voz duma palavra
que o salve
vai curvado
e sobe
20/07/10
terça-feira, julho 13, 2010
MEDITAÇÃO SOBRE O SALMO 93

“A selvagem exalação das ondas”
Sophia de Mello Breyner Andresen, “O Mar”
A selvagem exalação das ondas
subindo aos astros é mais possante
do que eu
o exaltado rugido do tropel das águas
abre mais a boca escura aos céus
do que o clamor cavo
da minha alma
o estampido excessivamente rouco
do seu chicote
flagelando os penhascos
consomem o ar que respiro
e desmantelam o chão que piso
Mas o Senhor nas alturas, forte e grandioso
no Seu trono
é mais levantado do que todas as águas
o fragor da Sua voz
mais sonora de eternidade
e escora-me o mundo sob os pés
é então que
toda a minha vacilação diluída
nas ondas se esvai, e todo o sobressalto
recolhe à vazante
é então que
a voz do Senhor acima dos céus, forte e grandioso
no Seu trono
ensurdece esse muito ruído das marés
num estreito murmúrio de búzios
10/07/10
sábado, junho 19, 2010
DISCURSOS
Há palavras vólucres
palavras que existem nos ares
que ocupam as mesas no lugar
das chávenas de café
umas arrebatam as ideias
outras exilam-nas
e projectam-se no espaço
de silêncio e névoa que vai
dos lábios do falante
aos ouvidos do auditor
são palavras coloridas
que coroas de flores
e que abrasam
e abraçam o perímetro
todo do teu coração
18/06/10
sábado, junho 12, 2010
O MAIOR AMOR

“Ninguém tem maior amor do que este, de dar alguém a sua vida pelos seus amigos”
Evangelho de João 15:13
Cada manhã que o dia me desperta
é uma noite mais que me adormece
o fôlego e ao peito me dá quebranto
Cada manhã que os teus olhos em orvalho me vêem
é uma noite mais que me oculta
a face por trás do véu da tua face
Cada manhã que o sol põe flores róseas nas minhas mãos
é uma noite mais que me desvenda
de todo o corpo
frutos vermelhos para o teu contentamento
10/06/10
quarta-feira, maio 26, 2010
O PIANO

“There is a silence where hath been no sound,
There is a silence where no sound may be,
In the cold grave – under the deep, deep sea”
Thomas Hood, “Silence”
Da praia cinzenta longe
guerreiro hirto contra as garras
levantadas das águas
resgatei tecla a tecla
o meu piano
No fundo denso e de lama
da floresta encontrei
a plateia para a minha tocata
e nela derramei tecla a tecla
a minha voz
Nos sinais das mãos
e no deleite dos olhares
fremente na fascinação das asas
pairando sobre a pele
nua
cativado foi tecla a tecla
o meu amor
Lá onde nunca
um assobio se ouviu
onde todo o som é impossível
lacei todas as teclas
do meu silêncio
ao frio silêncio
da funda e profunda tumba
do fundo do mar
18/05/10
TALVEZ

Talvez se eu abrir a janela ao dia
veja a noite acenar para mim
e as árvores sem mácula
estenderem pássaros
verdes
talvez deixe que o riacho
que passa indolente
no fundo da ribanceira
se projecte afinal no ar
e o beba com toda a força
da minha sede
talvez afinal eu precise
de um salto para além da rotina
do mesmo modo de versejar
e do mesmo jeito de beijar
e só precise disso mesmo:
que da noite das árvores do riacho e de ti
eu aprenda quanto mistério
há ainda em todos vós
por perscrutar
sábado, maio 08, 2010
Ensaio sobre a união do Corpo
Há dias, num “post” de um amigo do FaceBook, desenvolveu-se entre mim, ex-católico e ex-agnóstico e hoje tecnicamente evangélico, e outro amigo, ex-ateu e ex-convertido evangélico e actualmente católico, um debate em que de um lado e do outro se terçaram argumentos acerca dos fundamentos teológicos em que um e outro baseiam a preeminência da sua variante de Cristianismo em relação à do outro. Mal algum vem ao mundo com tais debates, simplesmente sei, por experiência, que quando a temática é religião, futebol e política, os debates têm a potencialidade intrínseca de se tornarem emocionais, porquanto mexem com a alma e com o sangue, habitam as cavernas da vida. Por outro lado, qualquer debate exige tempo e atenção dos contendores, o qual terá necessariamente de ser tomado de empréstimo a outras tarefas em agenda. Por isso, não queria prolongar muito esse debate, ainda porque, por outro lado, mais não seria do que os contendores mais não seriam do que novos avatares que, quiçá às centenas de milhar, já antes de nós o haviam tido.
O meu temor de a conversa degenerar em emocionalidade confirmou-se: o meu amigo entrou num registo de tentativa de persuasão e de conversão da minha pessoa. A frase-chave, em relação à rejeição de certos fundamentos dogmáticos caros ao catolicismo (como a primazia de Pedro, a questão da veneração ou adoração a Maria) pelos protestantes e evangélicos, foi: “Porque não aceitais?” Mais adiante, o meu amigo ousou dizer que, se eu lesse o que ele leu e pesquisasse o que ele pesquisasse, não continuaria a ser protestante por muito tempo. Pois era precisamente isso que eu queria evitar. Na minha infância de cristão nascido de novo, eu gostava desses debates, vibrava com a pesquisa das razões espirituais, históricas e escriturísticas que assistem à fé cristã e, convencido da pertinência das mesmas e animado de um espírito de missão e de fogo glossolálico pentecostal, partia à evangelização dos perdidos, incluindo dos católicos e dos evangélicos de outras denominações não pentecostais, pois estes últimos também andavam a perder algumas coisas importantes para terem uma vida cristã mais plena. E, em abono da verdade, não era só o entusiasmo que era grande, mas a minha facúndia e destreza dialéctica não eram modestas. Eu era uma espécie de Demóstenes evangélico. Entretanto, deixei-me disso. Infelizmente ou talvez não. Hoje não me interessa ter razão e ganhar o debate pela extenuação ou pela conversão do outro. Não me empenho em converter ninguém. Lembro-me de Jesus, e de como nem Ele, sendo a Verdade, se esforçava por converter ninguém, simplesmente ensinava, operava milagres, amava e estava com as pessoas e não lhes exigia adesão. Só com aqueles que O queriam seguir era mais exigente, por querer fazer destes mestres de vida para as gerações vindouras. E com os religiosos e leitores ávidos de teologia, esses que levam o debate teológico mais a sério do que a própria vida e tão convencidos em si mesmos da sua verdade como sendo a própria Verdade, era curto e grosso. E em seguida seguia o Seu caminho deixando-os a pensar e murmurar sozinhos. Será da idade, será das minhas experiências de vida cristã não sectária que mudei a minha atitude? Talvez por tudo isto, e estou contente com o facto. Em suma, nada tenho contra a troca de argumentos: um diz o que pensa, o outro faz o mesmo, e fica-se por aqui. Sem que um tente converter o outro. Católicos e protestantes/evangélicos já conhecem bem os argumentos dos outros. Repeti-los torna-se exercício de tautologia. E cada parte, estribada na sua convicção da sua superioridade, acaba cada parte por recorrer à argumentação pela infamação do outro: pega-se nos defeitos, contradições internas, erros e responsabilidades históricos e fealdades do outro como forma de desacreditar as suas ideias (a Inquisição, as cruzadas, o complexo imperial, o erro exegético da conexão Pedro/pedra, a veneração/adoração a Maria, o magister dixit dogmático da cúpula nos católicos, a sobrevalorização da “Tradição” a par e mesmo acima da Escritura; a não aceitação da antiguidade da noção da primazia de Pedro e da existência da igreja católica, a rejeição da honra devida à Mãe de Deus, as mais que muitas divisões teológicas e orgânicas, o desconhecimento absoluto e universal da formação do cânone e a ignorância teológica em geral, entre protestantes). Decido terminar o debate, pois tinha inquinado. A última intervenção foi desse meu amigo. Ao que ele disse eu teria com que refutar e contra-argumentar ponto por ponto. Até por uma questão de honra à minha idade, cabelos brancos, inteligência e conhecimentos, pois boa parte do que ele lera e me aconselhou a ler eu conhecia, tendo tirado conclusões distintas. E pelo que eu considerava ser um topete de alguém mais jovem do que eu, que, não tendo achado respostas às suas questões nas teologias protestante e evangélica, as teria achado na católica, tentando agora fazer um prosélito da sua confissão. Se eu tivesse prosseguido, faltando à minha promessa de me calar, não faltaria réplica a cada um dos meus argumentos. E a réplica não ficaria isenta de tréplica, e assim sucessivamente, de forma que, mesmo que cada um abandonasse a pretensão de querer converter o outro e nos cingíssemos ao plano das ideias, ainda estaríamos aqui daqui a cem anos. Eu tinha e tenho as minhas opiniões sobre os cultos, teologia, história, liturgias e alegações católicas, pelo conhecimento de décadas e de leituras, mas abstive-me e abstenho-me de dizer mais acerca do que penso. Mas como esse é peditório para o qual eu já dei e hoje o debate pelo debate, sem fim, não me interessa, calei-me. Ponto.
Mesmo antes desta conversa, tinha já em mente escrever algo que com ela se relaciona. Que essa conversa tenha ocorrido apenas confirmou a necessidade e a urgência que o meu coração recebera do Espírito de Deus nesse sentido. O que significa ser cristão? O debate pelo debate nas cartas paulinas (1.ª aos Coríntios e aos Gálatas) é designado “facciosismo”, e classificado como carnalidade. Obra humana, pois. Nada tem a ver com o zelo de Deus pela Verdade, e esta em Amor. O impulso para meditar e escrever sobre o assunto surgiu após o fim-de-semana de comunhão anual da Aliança Evangélica do Luxemburgo, há algumas semanas atrás. Presente pela segunda vez para ministrar à comunhão de igrejas o pastor norte-americano Dan Sneed. O cerne do conjunto de mensagens, como no ano passado, foi o apropriado para as circunstâncias: a unidade. Mais propriamente, foi a mensagem de sexta feira que me sugeriu o mote. Tratou-se de essencialmente de um testemunho de testemunhos. Contou que em certa ocasião estivera no Iraque a pregar para um encontro de várias igrejas cristãs. Estavam presentes católicos, protestantes, ortodoxos, igrejas de rito oriental, metodistas. Inúmeras são as diferenças teológicas, hermenêuticas e litúrgicas entre uns e outros; todavia, imperava a unidade. Todos eles, se se pronunciassem sobre as suas concepções e doutrinas, teriam pano para mangas para discutir. Mas não o faziam. Amavam-se e tinham prazer em estar juntos. Havia no entanto necessidade de perdão. Todos eles tinham pessoalmente, ou alguém na família, que tivesse sido preso, torturado, perseguido, violado. Logo, todos eles tinham necessidade de perdoar a alguém. E a pregação que Deus instruiu Dan Sneed foi o testemunho do perdão ao assassino do seu próprio filho. E o Espírito Santo levou aqueles irmãos a abraçarem-se e chorar juntos, a perdoar, adorar a Deus em conjunto e a reforçar o amor que tinham uns pelos outros. Num país de maioria muçulmana, onde imperava um regime ditatorial, é uma questão de sobrevivência.
Discutir diferenças teológicas e tentar converter o outro é estranho aos cristão dessa terra, sejam eles católicos, protestantes, ortodoxos, igrejas de rito oriental, metodistas. É carnalidade e criancice. O sinal distintivo é o amor, o prazer de estar com e em serviço do outro. E este é o verdadeiro testemunho, no Iraque e em qualquer parte do mundo. É para isto que quero trabalhar, não para converter o meu irmão à minha teologia nem para ser convertido à dele. Quem quiser contestar que contesta, mas não pode deixar de entender o que dever entendido: isto é Cristianismo.