terça-feira, julho 28, 2009

Férias: 1 a 17 de Julho





















Férias, férias, férias!

Desejadas e ansiadas como um Messias, amadas com a mais sedutora amante, devoradas como um cozido à portuguesa, saboreadas como um chocolate e sorvidas como um sorvete, curtas como a chama de um fósforo, perdidas como uma nota de 500 €!
Assim foram as férias: em Sintra, os travesseiros, as queijadas, cabo da Roca, Amadora, Costa da Caparica, um gelado na geladaria Emanha no Parque das Nações, em Aveiro, as primeiras experiências de praia da Caroline, no Porto, no Douro, em caves de Porto, reencontro com amigos e com família, o aniversário do meu irmão, visita a igrejas nas quais já nos congregámos, descansar, o prazer de comer fora, de "ter um livro para ler e não o fazer" (como escreveu o Pessoa).
E ala, que são horas de regressar – agora que estava a ser giro…

segunda-feira, junho 22, 2009

O ALTAR DE ALMOFADA 3 – A PEDRA

Era uma sexta-feira do início de Maio de 2009. O céu estava aberto sobre Steinsel, no Luxemburgo. O meu pastor, Paulo Cardoso, ensinava sobre a importância de frequentar a casa de Deus, a casa de culto onde a comunidade de cristãos local se reúne para em conjunto celebrar Deus. Com efeito, muitos cristãos deixam de se congregar, e surgem as mais variadas desculpas. Eis um problema tão velho quanto a existência da Igreja de Cristo. Já o autor da carta aos Hebreus advertia para ele. O cansaço, o muito trabalho, o stress: alguns dos nomes que essas desculpas recebem. São nomes como esses, que começam como desculpas para justificar um hábito ou a falta dele, e se convertem em ídolos, senhores dominadores que estiolam o sentido do amor, do zelo e do compromisso e ocupam o lugar que pertencem a estes.
Um dos versículos bíblicos citados a propósito foi o comentário de Jacob ao sonho da escada celeste que tivera (Génesis 28:16):
— Realmente o Senhor está neste lugar; e eu não o sabia.
E o lugar, esse lugar, foi chamado pelo próprio Jacob “Casa de Deus”. A congregação dos santos no culto é a Casa de Deus. A verificação de Jacob interpela quem quer estar com Deus a vir ao lugar onde os santos se reúnem. E ao vir e se reunir pode ser surpreendido como Jacob o foi, e verificar que Deus está de facto aí. E encontrar Deus muda o figurino dos dias e das emoções.
Ora, a Casa de Deus é a igreja – tanto no sentido tradicional de edifício, como no sentido mais primordial de comunidade. O étimo é grego: ekklesia. Nos regimes democráticos de tipo ateniense, era o nome dado ao principal órgão de poder, a assembleia dos cidadãos; adoptado pelos cristãos, passou a designar a congregação dos santos, para o convívio, a adoração e a oração a Deus em conjunto. O tema deste passo bíblico não é explicitamente a fundação e natureza da igreja enquanto corpo congregador dos filhos de Deus. Este passo bíblico é a história de uma revelação pessoal a Jacob por parte de Deus. Esta revelação pessoal teve como propósito abrir a Jacob os horizontes mentais para a promessa divina que consistia em multiplicá-la em revelações e alianças pessoais por toda a sua família e descendentes.
O princípio, porém, fica estabelecido. Posso entender a Casa de Deus como o lugar onde se abre o espaço para descer uma escada de comunicação entre o céu e a terra, onde Deus faz a sua habitação. Consiste numa aliança cuja iniciativa parte de Deus e subordinada a cláusulas. Estas constituem promessas cujo beneficiário é a parte humana. O destino da Casa viva de Deus é ser composta de congregação de inúmeras relevações e alianças pessoais.
E tem como fundamento uma pedra. O pastor leu e enfatizou a declaração de Jacob de que Deus estava ali. E prosseguiu a exposição da mensagem. Mas a pedra chamava-me. Convidava-me a deter-me. Li num relance de olhos todo o episódio, mas a minha mente já sabia onde queria meditar, e que questões a despertavam. A pedra que serviu de almofada foi ungida e erigida como memorial do encontro com na Casa deste. Porquê? Teria isto algum significado ou seria mero acaso: Jacob tomou aquela pedra simplesmente porque era a que tinha à mão?
Estas perguntas ficaram a martelar no meu espírito, e pediam uma resposta. Imediatamente soube que uma ideia me estava a ser dada, e que ideia era. E estava certo que me era exigido proclamá-la. Pedi ao pastor para partilhar com a congregação o que o Espírito de Deus me mostrara.

segunda-feira, junho 15, 2009

O ALTAR DE ALMOFADA 2 – A PEDRA E AS ESCADAS

Embora aterrado com a visão – tão cheia de luz e fogo, e a voz de Deus, mais forte do que o trovão, som de muitas águas, mas nítida – a palavra que Deus lhe dera era o bastante para o tranquilizar. Percebia que essa palavra merecia a confiança.
Sabia que o sonho lhe fora dado pelo Deus de seu pai e avô. Entendera que lhe falara, que tivera o privilégio de Ele se lhe revelar. E confirmava que a promessa da multiplicação das gerações da linhagem de Abraão lhe era agora transmitida, incontáveis como as estrelas do céu e o pó da terra. E que esse Deus estaria com Ele, e que havia comunicação entre o céu e a terra, que os anjos de Deus seriam com ele para o guardar e lhe trazer a bênção do céu, em obediência à voz do Senhor. Sim, a promessa era também para ele, não apenas por ser da linhagem de Abraão. Deus falara com Jacob, e não com o neto de Abraão. Havia umas escadas entre ele e Deus. Do alto das escadas Deus falava-lhe, como falara com Abraão. Ouvira e ouviria Deus, como Abraão. Com ele Deus fizera uma aliança, a mesma que fizera com Abraão. Conhecia agora Deus pessoalmente, e não apenas por ouvir o avô e o pai falarem dele. Abraão fora conhecido como o amigo de Deus. Também com ele tinha Deus firmado essa relação íntima.
Sabia que a promessa de Deus à linhagem de Abraão era para uma terra deleitosa, e essa terra fora claramente apontada. Mas uma coisa não sabia:
– Não sabia que também nesta terra Deus está.
Sim, a promessa era Canaã. Essa era a herança. Mas percebia que o Deus dos seus antepassados e seu Deus era Senhor também de outras terras. Daquela terra. Da terra que era por ora o seu destino, Haran. Também aí o seu Deus seria com ele, e dirigiria os seus passos, e seria o seu conselheiro, e o protegeria, e lhe daria uma jovem e linda mulher, a quem amasse, e que o amasse e lhe desse muitos filhos e filhas. Aí o abençoaria.

Era costume entre os povos tomar pedras e fazer delas um marco da consagração de um voto aos seus deuses. Às promessas do Deus e de seu pai e avô e agora igualmente seu Deus respondeu Jacob com votos: entregar-Lhe-ia o dízimo de todos os bens que lhe fossem dados segundo essas promessas. Tomou ele também a sua pedra e consagrou-a como memorial ao Deus da aliança acabada de concertar. E conforme o costume, chamou à pedra, e ao lugar em que a achara, Casa de Deus. Como sinal último da aliança, ungiu a pedra com um pouco de azeite, que representa a presença de Deus. Sempre que ele ou seus filhos por ali passassem lembrar-se-iam da aliança de Deus com Jacob e reafirmá-la-iam em seus corações, voltando-se de novo para ela.
O olhar não sondou em redor nem a mente se questionou. A pedra que a mão tomou foi a que lhe serviu de almofada. Essa era a sua Bethel, a sua Casa de Deus.

Lembrara-se: o seu avô Abraão sacrificara e selara aliança com o seu Deus por ali. Então o Senhor já chamara para si havia muito aquela terra. A Abraão e à sua linhagem prometera um território da ribeira do Egipto até ao rio Eufrates. Aquela terra fazia parte da promessa. E Deus disse-lhe que lha dava. Ali plantara erva para os seus gados, ali abrira caminhos para as suas caravanas e mercancias. Ali construiriam cidades e plantariam e cultivariam cereais e árvores de fruto. Que lhe dissera Deus? Os seus filhos e netos estender-se-iam para todos os pontos cardeais. A estrada para Haran era igualmente herança para os seus filhos e netos. E Haran. E toda a terra.
Como poderia ter-se esquecido disso: que Deus também estava ali?

terça-feira, junho 09, 2009

Camões: Em defesa da língua Portuguesa

E na língua, na qual quando imagina,
Com pouca corrupção crê que é a Latina
Os Lusíadas (Canto I estrofe 33)

Camões foi a seu tempo, juntamente com a sua geração, um grande renovador e fixador de novos padrões e formas na língua portuguesa, na sintaxe, no vocabulário, na expressividade retórica e estilística. Justamente amanhã se celebra o seu dia, e com ele o dia da alma lusa.
E como organismo vivo, a língua continua hoje a ser reinventada.

Vem isto a propósito precisamente de Camões, não o Luiz Vaz, mas o Instituto.
Há uns tempos, ao consultar a página da Direcção Geral dos Recursos Humanos da Educação, do Ministério da Educação, sobre concursos de recrutamento de pessoal docente, verifiquei que não havia nenhum concurso aberto, mas sim um tal "procedimento concursal".
Um pro quê?
Como a responsabilidade sobre os concursos de recrutamento de docentes para os cursos de língua e cultura portuguesa para os ensinos básico e secundário passou para a alçada do O o Instituto Camões, tutelado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros (que já tinha a responsabilidade sobre os concursos de recrutamento de leitores para as universidades estrangeiras), ontem mesmo, ao aceder ao portal de internet do Instituto, verifiquei que havia um "procedimento concursal" aberto para leitores.

Quando li isto na página do Ministério de Educação pensei que poderia ser uma de duas coisas: ou era da minha vista, ou era mais um neologismo da prolífera língua de quem escreveu essa enigmática expressão, o eduquês. Concluí que só podia ser de quem escreveu, e que a expressão viera de uma das cabecinhas pensadoras dos monstros Cila escondido num alto rochedo da Av. 5 de Outubro em Lisboa, e que mais monstruoso e temível ficou desde que se levantou a nova cabeça Prof. Doutora Maria de Lurdes Rodrigues.
Passado o susto, fui à minha vida. Até porque já não sou há três funcionário desse monstro, perdão, desse ministério. Olhos que não vêem, coração que não sente.

Eis senão quando depara-se-me no sítio internet do Camões a mesma medonha visão de palavras que antes me tinha traumatizado as tripas. Talvez as cabecinhas pensadoras da Cila que antes tinham trabalhado para o Ministério da Educação estivessem agora no Camões. O que estava recalcado veio à superfície. Nããããoooo!!!

Porém, uma rápida pesquisa na internet dirigiu-me a outras páginas de outros organismos da administração pública onde o monstro aparece, por exemplo, aqui, ou aqui.
No último link, o monstro é definido como "o conjunto de operações
que visa a ocupação de postos de trabalho necessários ao desenvolvimento das actividades e à prossecução dos
objectivos de órgãos ou serviços"…
Mas pergunto porque desenvolvimento não é "procedimento desenvolvimental". E aparece aí também o termo "recrutamento", e não "procedimento recrutamental".
Ai que do monstro Cila caí no monstro Caríbdis, pois os tentáculos aparecem por todo o lado! A expressão afinal não é da língua eduquês, mas de uma outra mais tentacular e omnipresente, o administrês, que subtilmente nos penetra em todos os poros e nos contamina o modo de pensar e de falar, e até eu já me deixei influenciar!

Ou então, visto de outra forma, não tão negativista, que plasticidade a da língua portuguesa!
Assim o Instituto Camõe, de mãos dadas com os demais órgãos da administração pública, faz a sua parte no fiel cumprimento da nobilíssima missão de defesa da lindíssima língua portuguesa, fiel dilecta da latina e tão semelhante à mãe. Perdão, da nobilíssima missão de procedimento defensal da lindíssima língua portuguesa – é assim que se deve dizer.
O Instituto fez jus ao nome do seu patrono.

Leitor, quando quiseres mandar outrem à fava, não o digas assim mesmo, com estas palavras mesmas, nem uses palavrões. E usar palavrões é banal e por isso deixou de ser dissuasor. Quão melhor não é usares uma outra estratégia que deixe o adversário de rastos, confuso, perdido, nauseado. Não entende que golpe baixo recebe, não tem anticorpos para ele e ei-lo a cair por terra, com uma dor de cabeça que lhe dá sensação de ter uma bomba-relógio lá dentro e com forte indigestão, sem conseguir conter o vómito.
Quando pois quiseres mandar alguém à fava, diz-lhe assim:
– Vai p'ró procedimento concursal!

sexta-feira, junho 05, 2009

O ALTAR DE ALMOFADA 1 – NO CAMINHO

Aquele era o dia da partida. No alforge, além de provisão para uns dias de viagem, levava a bênção e o conselho do pai e o beijo da mãe. Um era a certeza de que o propósito da viagem se cumpriria, pois o Deus de seu pai e avô haviam prometido para a sua família uma descendência numerosa, e se Ele fora com eles cumprindo a Sua aliança com eles, seria igualmente com ele. O outro alimentava-lhe a alma com a garantia da cumplicidade: da sua mãe querida, que o ajudara a ganhar o lugar da primazia destinado, segundo o costume, ao irmão, sabia que podia esperar o mais terno acolhimento e as mais calorosas boas-vindas, ao regressar com sua esposa.
– Escuta bem, meu filho: não deves casar com nenhuma mulher de Canaã. Vai à Mesopotâmia, a casa do teu tio materno Labão, escolhe uma das filhas dele. Estão em idade de casar, e são gente de bem. E que o Deus do teu avô Abraão e teu pai seja contigo.
Partiu. Estava só. A bênção e conselho do pai e a cumplicidade da mãe davam-lhe força aos pés na caminhada, mas estava só. Os quilómetros sucediam-se e essa percepção tornava-se progressivamente mais clara. Só. Ele teria apenas de escolher a noiva entre as primas, e suportar a desilusão caso nenhuma lhe agradasse verdadeiramente. Mas, segundo o costume, deveria procurá-la entre os parentes dos seus pais. O irmão já tinha várias esposas, ele nem uma. Talvez esta, para lhe dar os filhos prometidos e assim continuar a inumerável descendência de Abraão, e depois tomasse outras.
Mas talvez esse Deus de Abraão e de Isaac o guiasse e a prima que tinha para lhe dar por esposa fosse, afinal, lindíssima. Assim fizera com seus pais Isaac e Rebeca, e bem sabia quantos se amavam.
Deixara Bersheba ao nascer do sol em direcção a Haran, e ao cabo de muitas horas eis que o sol tombara. Aproveitou até ao último vestígio de escarlate no céu. O vindo de ocidente ficava-lhe pelas costas, e a sua sombra caminhava adiante de si. Por fim, o facho solar esgotava-se, e com ele a luz para lhe iluminar a estrada. Não adiantava continuar.
Estirou as pernas longamente, espreguiçou-se, respirou fundo e bocejou. Fechou os olhos e deixou-se ficar uns instantes, em silêncio, a captar a murmúrio do repouso na respiração. A textura doce da eternidade na chama de uns poucos segundos: abriu os olhos.
Novamente mãos à obra.
Com umas poucas ervas rasteiras por leito, recostou-se ao abrigo de uma rocha – um parco abrigo contra o fresco vento nocturno, mas ainda assim um abrigo. Tomou uma pedra suficientemente grande e suficientemente lisa para nela encostar a cabeça e fechou os olhos de vez. A única luz eram estrelas no céu, aquelas que se podiam deixar ver por entre as clareiras nas nuvens.

sábado, maio 09, 2009

17'' que mudaram o curso da História


No 1.º de Maio deste ano, eu e as meninas (a Caroline e a Eunice) fomos passear ao centro termal e de lazer de Amnéville.
Entre outras pequenos passeios e aventuras (de comboiozinho, visita ao aquário, um lanche e uma partida de bowling), as meninas fizeram o seu primeiro passeio a cavalo (pónei).
Só da aventura da Caroline tenho registo vídeo. Magistral, tranquila, descontraída, dominadora da situação por parte da menina mais doce, esperta, enérgica, eléctrica, curiosa, comunicativa, bem disposta, faladora, aventureira, corajosa, destemida e fiteira, inventora da nova língua "gabum". Após uma reacção irada à colocação do capacete, já apaziguada, ei-la, com ele apenas meio posto, mas com destemor épico a assumir as rédeas do animal. A primeira vez, mas com a elegância e a segurança do cavaleiro experiente.
17'' magistrais que mudaram o curso da História. Aos 15 meses. Não tardará que se oiça falar de maiores proezas com influência ainda mais decisiva no curso da História.

segunda-feira, março 16, 2009

Dedicado ao mais celebrado mestre da eloquência de sempre




Demóstenes

Tu não sabes, mas os seixos moldaram-te
Nas praias da Ática
À beira do abandono lançaste o manto à areia
mas o vento elevou-o à altura das fragas
à tua voz e ao teu espírito

Daí o trovão fala às velas
o vento ecoa a elegância do pregão
aquele que faz o povo recobrar a força,
Demóstenes
e Atenas navega
para o porto da liberdade

Espírito e voz moldados
As gerações que se te seguirem
serão mais gagas do que tu
e contigo quererão aprender
na escola, não na vida
a voz e o espírito
o pulmão e o coração
a força e a elegância
a escolha do ritmo e do vocábulo
o relâmpago do raciocínio
e o trovão da paixão
imitarão a tua arte
honrar-te-ão como o mestre perfeito
da invenção, da ordem dos elementos, da beleza e da declamação
citarão os teus incisos, períodos e orações
decalcarão e jurarão sobre a tua eloquência
aspirarão à tua Coroa

Sem seixos, sem praia, sem fragas
sem o fogo e o vento a falarem às entranhas da cidade
sem a neblina propínqua da servidão
o espectro opaco da Macedónia

Quem tiver uma causa uma voz e um espírito e uma palavra
escutar-te-á
e de novo o teu espírito soprará e a tua voz de pedras rugirá

quinta-feira, março 05, 2009

CO2: não podemos exterminá-lo?


A ciência, como a conhecemos hoje (e como talvez desde sempre) tem os seus dogmas, os seus lugares comuns, declarações de fé, mitos. Quando chega ao domínio da divulgação, em revistas, jornais, programas de televisão, perde o rigor e ganha em ridículo, adopta uma retórica ideológica, dogmática, tautológica, religiosa, de verdade revelada, mais do que os próprios discursos dos religiosos que tanto zurze e critica. É assim com os darwinistas (ou neo-darwinistas) e com esses outros sacerdotes das altíssimas verdades da ecologia.
Desde que "descobriu" e "provou" o aquecimento global, que o homem é o grande responsável do fenómeno e que o principal agente gerador do efeito de estufa gerador do mesmo é o dióxido de carbono, sucede-se minuto a minuto a evangelização ecológica contra essa besta apocalíptica do século XXI. Há tempos, passou na televisão francesa um anúncio (não notei a quê, a minha atenção apenas foi chamada pelo que ouvi e vi de seguida) em que se sugeria qualquer coisa como se não se poderiam suspender as emissões de CO2. E a imagem, como se accionada por um comando à distância, parava, as pessoas paravam, tudo parava. Irónico ou não, a única solução para que as emissões de CO2, logo a poluição do planeta, cessem é que paremos, que não façamos nada, que paremos de respirar, que a vida. Ridículo.
Hoje, na rubrica de meteorologia do canal infanto-juvenil Gulli, ouvi algo que me deixou estarrecido: que o planeta não gosta do CO2.
Como?! Fervente de indignação, vociferei:
— Mentira!
A Eunice, com 8 anos, dizia que era verdade. E procurei explicar que não é bem assim. Que nós inspiramos oxigénio e expiramos dióxido de carbono, e que Deus criou o mundo de maneira que com as plantas verdes fosse ao contrário: elas inspiram dióxido de carbono e dão-nos o oxigénio.

Sim, se as árvores e todas as plantas verdes, que são a maioria dos seres vivos do planeta, pudessem falar, imagino que diriam, com maior indignação do que a minha:
— E nós? De que planeta somos?

quinta-feira, fevereiro 26, 2009

Grandes coisas o Senhor nos faz




Não seria justo escrever aqui sobre uma sessão de ministração de louvor e não falar da nossa igreja local, Comunidade Cristã Restauração e das coisas tremendas que o nosso grande e bom Deus tem feito connosco.
Não somos das maiores igrejas lusófonas do Luxemburgo (lusófonas, pois não é de portugueses nem de brasileiros, mas de quem se comunica primordialmente em português). Até há um mês, desde o tempo em que éramos CCVA, partilhávamos um espaço perto da gare central do Luxemburgo com outras comunidades: anglófona, chinesa, francófona africana e nigeriana. Os chineses encontraram espaço próprio há algum tempo. Quanto a nós, há muito que pedíamos a Deus mudança. Profetas vários de Deus, em momentos vários, falaram do que o pastor e nós cremos no nosso coração ser a visão de Deus para a nossa comunidade, e de que isso implicava um espaço. E era profetizado que em breve teríamos outro e melhor espaço. No lugarejo de Steinsel.
Este ano, finalmente, o Senhor providenciou. Uma prenda: dois salões grandes, sala de reuniões, de super igreja, duas casas de banho, espaço para arrumos e outro onde será feita cozinha. Com algum recheio: cadeiras, mesas, projectores de vídeo. Por uma renda mais alta do que a que se pagava no outro espaço, mas preço bom se se considerarem as condições.
Tempo de ousar crer que, nos momentos em que Deus decide, o passo de fé deve ser dado.
Já tivemos pregadores visitantes, ensinadores e profetas. Para mim, este espaço está desde já ligado a dois dos três ou quatro momentos em que Deus trouxe através de servos Seus as palavras de conhecimento e sabedoria mais específicas para a minha vida. Revelando coisas que os próprios não sabiam e eu e mais gente sabia, outras que confirmavam o que estava no meu coração. Numa das tardes, um profeta americano, antes de começar a orar por mim, diz:
– Então tu é que és o Doutor! Ah, Deus tinha-me dito. Se soubesses o que Deus me diz.
E continuou, falando do que está no meu coração. E ilustrando com imagens o que Ele quer realizar – pois muitas vezes o Espírito de Deus fala por imagens e parábolas, como o faz na Palavra que inspirou.
Cada irmão e irmã ouviu. Foi nítido o mover de Deus, revelando o que só nós sabíamos e trazendo conselho, encorajamento, restauração de auto-estima, reforço de convicções. Quantos dos meus leitores já passaram por esta situação: alguém sem conhecimento prévio, pelo Espírito de Deus, vos dizer coisas da vossa vida, do vosso coração, do vosso ministério, algo de vós mesmos, das vossas lutas, sonhos e desejos, que só vós sabeis? E não ficastes entusiasmados por Deus revelar coisas, porque se lembrou de vós, por ter falado pessoalmente convosco,
Deus foi e é bom. A prenda que nos deu só falta estar cheia. Mas também nisso cremos. Pois para isso existimos e para isso estamos convictos que Deus nos quer fazer prosperar.

quarta-feira, fevereiro 11, 2009

Louvor de guerra

Ontem, na igreja evangélica francófona de Esch-sur-Alzette (Luxemburgo), houve reunião especial de culto a Deus com o cantor e líder de louvor canadiano do Quebec Luc Dumont. Sendo reunião aberta, estiveram presentes representantes de outras igrejas irmãs – a italiana e a nossa, Comunidade Cristã Restauração.
Conduzidos pelo nosso irmão Luc, entrámos na presença de Deus. Depois, ele ministrou a Palavra de Deus. Sobre louvor. O mote foi "louvor de guerra". A Escritura, a narração da ameaça de invasão ao reino de Judá no reinado de Josafat (Segundo Livro de Crónicas 20).
No meio de uma comunicação bem humorada e com o relato de episódios de lutas na sua própria vida de homem e ministro de Deus em que o louvor abriu as portas para o mover de Deus e a vitória, várias lições e estratégias para vitória através do louvor foram por ele extraídas desse texto. Como não tirei apontamentos, compartilho algumas delas, aquelas que melhor retive. Uma é a da solidão na guerra, algo a evitar. Não estamos sós. A solidão abre o flanco para o medo e o inimigo. Os conselheiros de Josafat, ao lhe anunciarem a iminência da invasão, disseram que os inimigos marchavam contra ele. Erro. Não contra o rei, mas contra toda a nação. A antítese do que é a liderança eficaz, que vive da partilha e corresponsabilidade. Na crise, sacudiram a água do capote e entenderam que o problema era exclusivamente do rei.
Outra lição: a oração de Josafat é o exemplo de oração derrotista. Revelou medo do inimigo e dos seus propósitos, magnificou as fraquezas e insuficiências do reino – mostrando a distorção da visão a que pode levar o derrotismo, pois ele dispunha de um exército.
Pediu a ajuda divina e convocou o povo para jejum e oração colectivos. Até que finalmente Deus falou, através do levita Jaziel (v. 14 e seguintes). A lição é a de necessidade imperiosa do recurso à arma do louvor. Estamos em estado de guerra, uma guerra invisível. Para a vencer, teremos de escolher as melhores armas, e essas são as espirituais. A declaração profética de Jaziel mostra que o louvor é uma dessas armas de grande eficácia, e que deve ser usada com espírito de combate, e não de expectativa de derrota, nem em apatia. A garantia dada por Deus é que Ele próprio (v. 17) entra em combate e luta por nós, e que dá a vitória. Em tudo na vida.

Terminámos, como não podia deixar de ser, em louvor de guerra.

quinta-feira, fevereiro 05, 2009

Caroline Sophie, 1 ano





A Caroline fez um ano, no dia 26. Teve cá a visita dos vós paternos. Festejámos o aniversário a 27, porque no dia 26, à depois de jantarmos, adormeceu. Os bebés não se regem pelos mesmos ritmos que nós.
1 ano com uma presença nova. Um solzinho dado por Deus à casa. 1 ano de aprendizagem da paternidade, no privilégio do contacto quase 24 horas com a minha filha. A mudar-lhe a fralda, dar-lhe banho, de comer, despi-la, vesti-la, levá-la a passear, brincar com ela, fazer cabriolas com ela, irritar-me com ela, deleitar-me com ela. Vê-la rir, sentir cócegas, pedir colo, dançar, bater palmas, cantar, parlar. De a ver vir da cama dela para a nossa (a dela está perpendicularmente colada aos pés da nossa, passando pela abertura na grade de guarda da dela para a nossa) e pôr-se entre nós.
De vociferar-lhe "Não!" e afastá-la de alguma coisa em que não deve mexer, aguentar-lhe depois a birra. Que é tempo de ir conhecendo o "não".
1 ano de bichos carpinteiros, de dificuldades em dormir, de boa disposição, das escassas horas diárias de sono, de sozinha fazer a festas, lançar os foguetes e apanhar as canas. Das festas à noite na cama. De a ver querer mexer em tudo, cheia de curiosidade, nunca parar, a ponto de eu dizer que gostaria de conhecer um inventor que inventasse um aparelho que captasse a energia que ela contém, pois é uma nova fonte de energia renovável.

1 ano de a ver crescer fisicamente, nas habilidades, na inteligência, na descoberta do mundo, nas manhas. 1 ano de graça e alegria.

segunda-feira, fevereiro 02, 2009

8 sonhos

A Catarina Queiroz endereçou-me o desafio de expor 8 sonhos. Uuhhmmm…

1. Aprofundar a relação pessoal com Deus.
2. Aprofundar e desenvolver o dom e vocação d'Ele em mim.
3. Retomar a aprendizagem de outras línguas (alemão e luxemburguês) e começar a aprender outras (hebraico bíblico).
4. Levar a cabo com sucesso (o melhor de mim) o trabalho de pós-doutoramento que tenho em mãos.
5. Fazer discípulos (a começar por gente de casa, da família).
6. Restauração de relacionamentos familiares.
7. Ver A Porta profissional aberta para depois da bolsa (a que melhor se adequa a mim pessoalmente e que seja canal para alcançar propósitos de Deus).
8. Dar, dar, e aumentar o dar: financeira, espiritual, emocionalmente.

A ordem é puramente arbitrária, não reflectindo uma hierarquia na ordem de prioridades, à excepção da primeira, condição da prosperidade e bom sucesso nas demais. Todas têm o mesmo grau de prioridade, situando-se em domínios diferentes.

Como se trata de uma cadeia, eu devo endereçá-lo a outros: Vítor Mota, Rute Joaquim, Tinoca Laroca.

domingo, janeiro 25, 2009

Respica te, Barack Obama


O meu amigo João Tomaz Parreira destas andanças publica um poema dedicado a Barack Obama. Nele, confirma o seu sentimento de esperança suscitado pela eleição histórica afro-americano para a Presidência dos Es.tados Unidos da América, expresso dias antes num texto em prosa publicado aqui . Obama é o seu novo "ídolo" depois de J. F. Kennedy

Essa esperança não é justificada pela etnia do homem — o que em si mesmo é circunstância é motivo de júbilo, por a América, a nação que se diz a mais livre e igualitária da Terra com isto na sua generalidade (à excepção das minorias supremacistas brancos saudosos da era antes de Lincoln, que se deseja se tornem mais e mais minoritários) ultrapassar tabus e preconceitos como o de a cor da pele ser factor indicativo do grau de humanidade. Mais ainda: de com isto abrir um feliz precedente: em futuras eleições, porque não sonhar com a eleição de um Presidente de origem hispânica, ou índia. As nações e tribos índias foram os primeiros americanos, e dos mais excluídos do sonho americano. Assim a América pode aspirar a cumprir a declaração de princípios da sua Constituição e leis, formulada pelos Pais fundadores (religiosamente deístas) e antes mesmo pelo grupo cristão dos peregrinos embarcados do porto inglês Southhampton no navio Mayflower e chegados ao porto americano de Plymouth, em 1620, auto-exilados de Inglaterra por motivos religiosos, em busca de um lugar em que pudesse livremente viver e servir Deus num espírito e ética biblicamente fundados, que deram o exemplo de convívio fraterno com outros povos. "Liberty and Justice for all!"
O que mais atrai em Obama não é tanto essa circunstância de ter uma cara mais morena. É a revelação do seu carácter, ornado por uma "belíssma retórica identificativa", que nos "implica a todos", como escreve João Tomaz Parreira. A gentileza, o espírito de paz, da convivência tranquila das diferenças entre pessoas de bem e bom senso, de defensor da igualdade de oportunidades e prosperidade para todos. E foi isto que cativou milhares de milhões em todo o planeta, e os encheu de esperança. Um discurso novo, um sorriso novo, um estilo novo, agastados que estávamos todos com George W. Bush, o tosco e bruto adolescente fazedor de problemas e semeador de ventos. Se a mudança poderia vir para a nação americana, essa mudança repercutir-se-ia em todo o mundo. Pois tudo o que se passa, diz e faz na e da América se propaga para o mundo todo (ver o exemplo da actual crise financeira mundial). Mesmo em remotas terras de Trás-os-Montes
A esperança em Obama tornou-se a esperança de todo o planeta e converteu-se em Obamamania. E esta elevou o homem à categoria de salvador. Uma reportagem nas ditas terras de Trás-os-Montes, que vi num serviço informativo da SIC-Internacional são paradigmáticos disso. Pessoas havia nessas terras que expressavam ter fé em Barack Obama. E a uma pergunta do (ou da, não me lembro) repórter, responderam que o viam como salvador. O seu discurso inclusivo, inspirado numa concepção holística do planeta como casa de todos, na qual todos devemos (independentemente da religião, opções políticas, etc.) viver em boa vizinhança e cooperando para o bem de todos, favorece a criação dessa imagem de salvador, de novo Messias.
Entre as reacções conhecidas dos líderes políticos internacionais, uma destoou, a do Primeiro-Ministro russo, Vladimir Putin. Disse ele: "as grandes desilusões provêm das grandes esperanças". Este é o tipo de ideia e de frase que ninguém, na esperança colectiva, quer ouvir nem pensar. Cristãos evangélicos como João Tomaz Parreira, assim como certamente muitos na América, olham Obama com esperança, mas outros há que, com o faro sempre pronto e apurado para detectar os odores do Anticristo em todo o novo líder religioso, político e empresarial mundial que surja, o vêem nada mais nada menos como essa personagem sinistra e misteriosa cuja manifestação a Bíblia anunciara (por exemplo, aqui). Será Obama esse enganador com pele de cordeiro e corpo e boca de lobo? Estou certo de que não, e a Bíblia fala de um espírito de Anticristo, e de muitos anticristos, que já se manifestavam no tempo em que João escreveu as suas cartas. E não é nada certo que se trate de um homem, ou que os cristãos (evangélicos) tenhamos que basear a sua agenda pelo seu suposto advento (e sei que muitos evangélicos ditos "dispensacionalistas" discordarão de mim). Nem que seja tão pouco o seu oposto, o Messias, que esse só há um, Jesus Cristo, o ressurrecto Filho de Deus, cujo regresso eu e muitos esperam. Não dou, portanto, para este peditório.

Mas é algo em que devemos pensar. Aquilo que devemos fazer fazer é ser sensatos, ser sábios — uma exigência de Deus. Barack Obama não vai salvar o mundo. Nem levá-lo ao cataclismo da "grande tribulação". Nem creio que ele se julgue a si mesmo como salvador do mundo, mas dou-lhe o benefício da dúvida de acreditar que ele pensa de si mesmo ser alguém que quer deixar boa influência no mundo, como a sua função lho permitir. Um sentimento que muitos seres humanos partilham, seja qualquer for a sua religião.
Como é geral entre os Presidentes dos Estados Unidos da América, declara-se cristão. Apesar de os seus ascendentes terem sido muçulmanos. O seu pai tornou-se ateu. Mas tem defeitos, enquanto cristão. Com efeito, não é possível dizer quantos foram cristãos genuínos, daqueles cuja vida se resume m Cristo, em obedecer a Cristo, em viver Cristo, em pensar o que Cristo pensa e fazê-lo acontecer. Como escrevi, numa postagem de 21 de Agosto, intitulada "Os candidatos e as suas religiões":

"Todos se declaram evangélicos, mas as suas obras deixa muito perplexo e confuso quando à genuinidade da sua fé. No caso do presidente actual ou passados, George W. Bush foi eleito duas vezes com o apoio da maioria dos evangélicos. Confessa Cristo Jesus como Senhor e Salvador. Defende a pena de morte. Empreendeu uma guerra (no Iraque) com base numa mentira (a existência de armas de destruição), inspirado supostamente por Deus, mas que resultou num pântano. Quando Deus age e ordena uma acção, funciona e resulta restauração e estabilidade, não confusão. Jimmy Carter, ex-presidente democrata, embora evangélico, situa-se do outro lado da barricada política.
Bill Clinton igualmente se declarou evangélico baptista. Cometeu adultério e apoiou a liberdade do recurso ao aborto como opção.
Dos actuais candidatos, John McCain é conservador quanto ao aborto e à união matrimonial homossexual, e promete prosseguir a política externa de Bush. Barack Obama, se promete mudar a política externa, é liberal quanto ao aborto e defende o direito ao casamento homossexual."

E certamente que a maioria deles crê que Deus criou… a evolução. Pesados os prós e contras dos presidentes americanos e de candidatos a presidentes, qual deles é o mais cristão? Qual deles é menos convicto e radical seguidor de Cristo? Qual deles defende ideias e pratica acções mais abomináveis aos olhos de Deus? Não sei. Por isso — concluía eu nessa postagem — eu teria dificuldades em escolher em quem votar, se fosse cidadão americano e cristão evangélico.

Quem é pois Barack Obama? Nada mais do que um homem. É necessária esta circunspecção. Nem um semi-deus messiânico salvador do mundo nem um hediondo demónio. Não um ídolo (e sei que João Tomaz Parreira usa o termo conotativamente, no sentido em que o adolescente que foi o teria usado em relação a J. F. Kennedy — ou qualquer adolescente o usaria em relação a um jogador de futebol, cantor ou guerrilheiro revolucionário —, pois como cristão evangélico é insuspeito de idolatria). E é assim que todo o planeta o deveria ver. E como homem que é, tem defeitos e podres, falhará e desiludirá. E não uma vez apenas. E é certo que não cumprirá tudo o que propõe em todas a as área. Pessoalmente, espero um progresso: o de recolocar a praxis americana numa base de concerto com as outras nações, ainda que se julgue primeira entre iguais. De restaurar uma certa decência e legalidade, em coisas tão simples como não iniciar uma guerra a qualquer preço e de extinguir a vergonha de Guantánamo, como já decretou. Para que aqueles prisioneiros sejam efectivamente julgados pelos tribunais, quer estes provem ou não que são culpados de terrorismo. Foi o primado do Estado de Direito que fez a presunção da superioridade da civilização ocidental sobre as demais, consideradas mais brutais e arbitrárias na justiça e na defesa dos direitos humanos. Se Barack Obama se concentrar e conseguir pelo menos isto, será já digno de registo. Merecerá aplausos humanos de todo o lado e limpará a imagem da sua nação. Quanto ao mais, no entanto, a defesa dos interesses da sua nação será a sua prioridade. Quanto estes forem incompatíveis ou colidirem com os de outras nações ou grupos de nações, será o seu país que escolherá. Como assim foi com os seus predecessores. Não nos iludamos quanto a isso — para não nos desiludirmos demasiado.

Seria bom o Presidente eleito dos Estados Unidos da América ter um criado ou secretário com licença para o advertir em particular dessa verdade, no momento do desfile após o juramento. A exemplo da Roma antiga pagã. Num mundo em que os deuses eram humanos nas paixões e na aparência e se misturavam com os seres humanos deixando mestiços entre eles, não seria raro um general regressado vitorioso de uma campanha militar ser tentado a deixar-se possuir pela vaidade de um momento de sucesso e achar-se igual aos deuses ou até filho de um deus, por orgulho pessoal ou porque outros a isso o tentassem. Júlio César começou o que o seu sobrinho-neto Octaviano Augusto consumou: a glorificação da sua estirpe familiar pela redescoberta da sua ascendência divina, que remontaria ao princípio troiano Eneias e à mãe deste, a deusa Vénus. Ao general vitorioso esperava, pois, a honra de uma parada na capital do império, o triunfo, o seu exército exibindo o orgulho da sua disciplina e armamento, os prisioneiros de guerra (de preferência os chefes dos inimigos vencidos) e os despojos em exposição pública. Segundo é tradição, o general desfilava de pé, numa quadriga conduzida por um escravo pessoal, que lhe segredava os tais conselhos de temperança:
— Respica te, hominem te memento "Vira o teu olhar para ti próprio, lembra-te que és apenas um ser humano".

sábado, janeiro 10, 2009

Esmeralda…


Foi dada a sentença final ao caso Esmeralda, que tanto atraiu, entusiasmou e dividiu a opinião pública. A favor do pai "biológico", confirmando sentença já com quase cinco anos.
Confesso que fui daqueles que, desde o início, teve simpatia pela casal de pais "adoptivos". Acolher uma criança abandonada pelos progenitores, recebê-la como sua, dar-lhe uma casa e cuidados parentais é em si mesmo um acto cuja dignidade e beleza dispensam encómio. O pai "biológico" aparecia aos olhos da opinião pública como um daqueles homens que conhecem uma gaja, dão-lhe uma queca sem protecção e que mal o sol nasce dão às de vila-Diogo. A mãe "biológica", uma daquelas mulheres sexualmente emancipadas, que não rejeitam uma noite de prazer quando as hormonas fervem. E uma gravidez surge, consequência indesejada de uma noite de libertinagem. Como uma cárie em quem exagera nos doces. Por causa disso, há quem aborte!
A imagem transmitida era grosso modo esta. Maniqueísta quanto baste. De um lado os bons e generosos, do outro os maus.
Os pais "adoptivos" cometeram rapto da criança, para não terem de cumprir uma sentença que determinava a entrega da menina ao pai "biológico" . Mesmo assim, tal acto suscitou onda de simpatia.
Mas uma ideia começou a ver à minha mente: não teria o pai "biológico" o direito ao arrependimento? Como todo o ser humano? Se de início duvidava da paternidade (a mãe biológica, afinal, prostituía-se), ou não a desejava assumir, não mereceria a oportunidade de mudar de ideia, não poderia o seu coração ter-se deixado apoderar pelo sentimento de paternidade? Lutar pela custódia da filha, com unhas e dentes, fazer o legalmente possível e impossível para reconquistar o afecto da filha seriam a tradução de uma reviravolta interior. E dignas de compreensão, quando não de solidariedade. E os pais "adoptivos" insistiam, praticaram rapto, insistiam, possessivos, em reclamar para si a custódia, o que também não deixa de ser compreensível, pois tinham ganho afecto à menina. E o processo arrastou-se.
Presentemente, pois, tenho outra visão do caso. Já não o vejo a preto e branco. E considero a sentença agora exarada como justa, sensata e equilibrada. O pai "biológico", que com toda a certeza aprendeu a amar a filha, é quem fica com ela. Como deve ser. E prevê-se um regime de visitar por parte da família "adoptiva". Esta não fica de todo desligada da história da vida da menina, porque fará para sempre parte dela. E será bom que continue a fazê-lo, e não apenas na memória da mais remota infância, mas como numa relação com outros "pais". E o suposto trauma da mudança de família, de nome e de referências, do constante stress que a indefinição do seu destino lhe causaria, tudo isso será atenuado. Mesmo porque a criança terá acompanhamento psicológico.

All's well that ends well.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Na Gaza dos Filisteus

Na Gaza dos Filisteus,

A mão que golpeia a ilharga é a mesma que estilhaça o crânio.

Dispõe a pedra na funda a sombra de Golias
E lança-a…
Efraim riposta com a catapulta
Jacob arremete em cheio com a espada.

De Gaza os filhos de Ismael gritam em fúria
e dos pulmões jorra o sangue
as pedras voam.
Os filhos de Isaac soltam as matilhas de molossos.

A pedra que golpeia a ilharga, a espada que estilhaça o crânio
em arremetidas repetidas, uma e mais uma e outra ainda, até milhares de fragmentos
que tingem o mar de escarlate e cinza
pois é impossível escapar por terra, para o deserto, para lá dos montes:
há o muro, um bando de leões de dentes de aço no caminho. A porta fechada na cara da urgência e do pânico.

Os filhos de Abraão
lutam por um lugar entre as estrelas do céu
que seu pai contemplou e contou.
Mas só restam os crânios rolados na praia, o sangue a excrescer da pele da fronte.

terça-feira, dezembro 30, 2008

Fim de ano

Fim de ano.
Momento de balanço e reflexão. Do que se alcançou e do que ficou por alcançar. De exprimir gratidão pelas vitórias alcançadas e pela persistência nas lutas que ainda duram. De relançar projectos, propósitos, alvos.
Para mim, o ano ficou marcado em especial pela paternidade. Pelo privilégio de ver nascer a minha filha, Caroline, crescer, metamorfosear-se, de ouvir chorar, rir e balbuciar, ronronar, de a adormecer nos braços. De os meus braços serem por ela procurados. De ela se agarrar às minhas pernas. De a ver manifestar um temperamento, com tudo quanto nele há de próprio e herdado de pai e mãe. De a ver viver.
De vê-las dar passos. Ainda que os meus olhos não tenham visto esta conquista. E só não dá mais passos por preguiça. É um barco que navega junto à costa, apoiada a coisas ou a pernas, mas que o longo não se aventura, preferindo sentar-se no chão e gatinhar.
Bendito seja o nome do Senhor!

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Mudanças, instalação


A casa situa-se num bairro de uma vila numa região que foi há décadas terra mineira e de indústria de aço. Onde se veio implantar, entre outras, uma importante comunidade italiano.

Mudanças feitas. Instalação concluída. Mas ainda as obras. Parece que estamos uns em cima dos outros. E há defeitos na casa que se vão descobrindo.
Mas como sói dizer-se: Roma e Pavia não se fizeram num dia. E é uma casa para a vida (ou até que Deus permita vender esta e comprar outra). Na recuperação dos exteriores e interiores. Nas águas furtadas, que um só dia poderão ser uma divisão mais (um grande quarto ou escritório, ou, divididas em duas). No quintal, que poderá ser plantado, parte dele transformado em jardim.
Oops… Algumas tábuas de madeira no chão do quarto das meninas estão mal assentes, ou flutuam, e eu esqueci-me disso e no outro dia pisei uma… e rachou.
Roma e Pavia…

terça-feira, outubro 28, 2008

Mudanças

Estamos em mudanças. Comprámos casa e estamos em mudanças. Obras por fazer na nova casa. Pó. O prazo (fim do mês) que se aperta para deixar a casa de renda onde ainda estamos, em Saulnes, para Herserange, aqui ao lado. Caixotes. Pegar constantemente na Caroline ao colo, que com dificuldade vive este período, sem poder pô-la no chão e deixá-la explorar o mundo "à quatre pates" (de gatas), pois este já sujo.
Mudanças. Depois disto, um tempo de transição em que viveremos numa casa ainda em obras.
Até que tudo se estabilize e possamos dizer que estamos definitivamente instalados. E pouco a pouco vamos fazendo um arranjo aqui, um incremento acolá, na casa, na varanda, no jardim. Teremos tempo. E valorizaremos o nosso espaço, a casa que Deus nos permitiu comprar e que será o nosso lar por muitos e longos anos. E cremos que os recursos não nos faltarão. Pela bênção de Deus, e ao arrepio da crise de que se ouve falar no mundo.
"Põe a tua confiança no Senhor, e não no teu próprio entendimento" – diz a Escritura.

sábado, setembro 27, 2008

Lisboa revisitada (2008)




Tinha saudades tuas, Lisboa da minha infância e adolescência
Da Lisboa de outrora de hoje, do manto de céu de rainha
Das colinas do império e dos Mouros e Judeus
Da macieza do Tejo mudo e dorido de naus cacilheiros e sonhos lançados às águas
E de tudo

Do mistério de teres sido minha mãe e de eu ser teu filho pródigo
Te revejo e a ti regresso breve
Eu, sim, o mesmo que volta à mesma cidade? Outro sou, e mesmo
E tu, sempre Lisboa. Continuas a dar à luz filhos e filhas, a receber outros adoptivos
Em ti há mais árvores, mais floresta, mais galerias de toupeira.
Formigas que vão e vêm, de todos os solos, pétalas multicolores
Mas sempre o mesmo moroso estar e não estar com um café e uma imperial
O fluxo alucinado do trânsito
E o Tejo quieto e mudo
Que me dá o seu abraço e me saúda, filho de visita
E me dá as boas-vindas – e eis-me reconciliado com o fio-memória
Que me liga a mim mesmo
E ao Cristo Rei, a quem hoje sirvo
Abraço nocturno – porque à noite é mais belo, como xaile negro de fadista

Lisboa de mágoas e amor, de correrias e demoras
De museus e história
Embora novos prédios se ergam eucaliptos, novas estradas te sulquem a pele
E novas linhas de metro te perfurem a carne,
Se possa matar apetite e tédio em novos restaurantes

Novos gestos, vestes e adereços no cabelo
Que eu não conhecia
És a Lisboa de cujos seios me nutri,
Folgazão e estudante
Em bebedeiras e paixão,
Em cujo horizonte de mundo desenhei o porto da minha navegação
Exibes ainda a mesma nostálgica majestade nas praças e avenidas
Cingida de ouro do céu e de prata do Tejo
Que revejo, com um sorriso.

Quando voltar a Portugal, é a ti, Lisboa, que voltarei.

quinta-feira, agosto 21, 2008

Os candidatos e as suas religiões




Sempre, desde que me lembro, as eleições presidenciais norte-americanas foram marcadas pela fé religiosa dos candidatos, assumida e/ou vivida. Invariavelmente, esse debate gira em torno do cristianismo evangélico, das suas tendências, e do que este representa como influência política, sociólogica, cultural e espiritual.
Se eu fosse cidadão americano evangélico, ou me deixaria levar nas ondas dominantes, ou teria grandes dificuldades em escolher em quem votar. Todos se declaram evangélicos, mas as suas obras deixa muito perplexo e confuso quando à genuinidade da sua fé. No caso do presidente actual ou passados, George W. Bush foi eleito duas vezes com o apoio da maioria dos evangélicos. Confessa Cristo Jesus como Senhor e Salvador. Defende a pena de morte. Empreendeu uma guerra (no Iraque) com base numa mentira (a existência de armas de destruição), inspirado supostamente por Deus, mas que resultou num pântano. Quando Deus age e ordena uma acção, funciona e resulta restauração e estabilidade, não confusão. Jimmy Carter, ex-presidente democrata, embora evangélico, situa-se do outro lado da barricada política.
Bill Clinton igualmente se declarou evangélico baptista. Cometeu adultério e apoiou a liberdade do recurso ao aborto como opção.
Dos actuais candidatos, John McCain é conservador quanto ao aborto e à união matrimonial homossexual, e promete prosseguir a política externa de Bush. Barack Obama, se promete mudar a política externa, é liberal quanto ao aborto e defende o direito ao casamento homossexual.

Se fosse cidadão norte-americano evangélico, poderia ser conservador quanto à moral sexual e à defesa da vida dos fetos humanos, continuar a defender a pena de morte e a proclamar o carácter messiânico da nação americana, defendendo a legitimidade do argumento da força no exterior, ainda que com o preço de um pequeno pretexto, vulgo "peta". Ver-me-ia no risco de me deixar levar pela onda dominante e talvez votasse Republicano.

Mas, embora seja evangélico, não sou cidadão norte-americano. Por isso, tristemente confesso que a não-escolha é fácil para mim.

sábado, agosto 09, 2008

Ser pai… # 2



A minha filha já tem 6 meses. Como voou o tempo – um lugar comum, mas uma evidência.

Em 6 meses, desenvolveu-se dos 50,5 cm e 3,2 kg até aos 67 cm e 7,4 kg.
Cada vez mais bonita. E cada vez mais se revelando o seu temperamento. De uma menina calada que mal conseguia chorar e não ria, passou pela crise das dores de barriga dos três primeiros meses. Então aprendeu a chorar: de dores, de fome, de desconforto, de resistência ao sono. De birra, de fitinha. Várias vezes este pai se irritou e lhe dava uma ou duas palmadas no traseiro. Supostamente teria fome — pensava o pai — por haverem passado muitas horas desde a última refeição, o pai dava-lhe o biberão e ela fazia fita e pouco bebia. Ou tinha sono mas resistia e desatava a chorar. O que o pai conseguia era com as palmadas era provocar mais choro, e logo se arrependia da estupidez, pedia desculpa à filha e ajuda ao Espírito Santo para o ajudar a dominar-se a si mesmo. Hoje chora, ri, sorri muito, abre-se muito aos outros e às atenções que
lhe queiram dar.
Muito mexida, energética, forte e saudável. Desde muito cedo gosta de balanço e de fazer de avião — o que dá o pai que daqui a uns anos ela será viciada em montanha russa, em rodas e gigantes e outras coisas mais radicais — o que será para este pai um doce regresso à meninice, pois também gostava dessas coisas. Não pára quieta. Até os dedos dos pés estão sempre a mexer-se.
Curiosa, quer ver e mexer em tudo. Dede os 4 meses que consegue manter-se sentada sem apoiar o tronco. Hoje, consegue-o já durante muito tempo. Até que se cansa, ou se mexa procurar alcançar algum objecto, e cai: para trás, de lado, para frente, de cabeça. Por vezes magoa-se.
Quase gatinha. Deitada de gostas ou de bruços, num piscar de olhos já se arrastou para outro lugar e se acha em outra posição. Facilmente se vira, estando de costas, para posição de bruços, e vice versa. Faz força nos quadris, estica as pernas, e acto contínuo a cabeça e o tronco baixam e afunda a cabeça no tapete. E então zanga-se e reclama. Mas insiste. Se deitada com a parte baixa do tronco, estica os braços e levanta a cabeça, e assim consegue ficar longos segundos, olhando para a televisão ou para outra coisa qualquer.
Desde os 4 meses também que, pegando-se-lhe nas mãos, estando deitada, é capaz de se erguer e sentar sozinha. Agora, basta pegar-lhe em apenas uma mão para ela ter onde se apoiar, sem a puxar, e ela não precisa de mais nada. Já descobriu que pode usar a outra mão, apoiando-a no solo, enquanto faz força para levantar o tronco. Mais ainda: já se levantou sozinha, connosco à distância a assistir. Sentada, com as pernas flectidas para dentro, as mãos, e ei-la que, apoiando-se nelas, faz força nos pés e nas pernas, estica-as e levanta-se. Novamente sozinha.
Por vezes, fica absorta a olhar para a televisão, que propositadamente sintonizamos em canais para crianças desenhos animados, sentada no tapete no chão, queixo levantado e fazendo uma boquinha. E enquanto assim estiver ocupada, não liga a nada nem a ninguém.
Segundo um livro, aos 8 meses a criança consegue reconhecer o seu nome, quando chamado, e adoptar estratégias para chamar a atenção e dar e entender que quer mimo, como a tosse. Aos 6 meses, isso já ela sabe fazer. A Cristina testemunhou até que, certa vez, estando sentada, se deixou cair e começou a clamar por atenção.

Depois dos "rrreeesss" dos 3 meses, a sua garganta já produz uma variada gama de sons, gritos, canções. Na igreja, após o tempo de louvor, em que normalmente se mostra sossegada, começa a manifestar-se: grita, canta, prega.

Em Junho, começou a variar a dieta alimentar, com as papinhas de vegetais, frutos, e agora de refeições completas de carne e acompanhamento. Aplica-se-lhe um babete, dá-se-lhe a colher à boca, mas como criança que é fica o babete, a boca, os lábios, o queixo, as bochechas, os olhos, o cabelo tudo sujo. E fala enquanto come. E quer levar a mão e o pé à boca, e também acabam por comer.

Quando tem sono, é aconchegá-la ao ombro ou peito, embalá-la um pouco (por vezes esse pouco é longo), até que, nesse conforto e nesse mimo, adormeça.

Recentemente, aprendeu o gesto de bater palmas (a foto é de um desses ensaios). Falta ainda a perfeição na coordenação dos movimentos, manter as palmas abertas e acertar bem com uma na outra. Mas o movimento de lançar uma mão contra a outra lá está, o imitar do gesto que vê os pais fazerem e que estes ensinam o bebé a fazer, pegando-lhe nas mãos e executando-o. Foi a Cristina que o testemunhou pela primeira vez; chamou-me aos gritos e pudemos os dois assistir com entusiasmo e grande festa a esta nova proeza.

Que experiência, esta de ser pai. Nada é mais excitante nem doce, em especial o tempo de bebé. Brincar com a bebé, balançá-la, aconchegá-la. Ouvi-la, falar com ela, cheirá-la. Tudo nela é especial. E esta foi especialmente marcada pelo Criador Deus com uma manchinha de nascença na face direita. Cada dia é uma novidade, uma graça nova, uma proeza nova. E mesmo que nada haja de novo em certos dias, mas apenas a repetição de um gesto, um som, uma atitude, das mesmas coisas que o bebé já sabe, representa para um pai a reedição da novidade, que ele saboreia deliciado.

terça-feira, julho 15, 2008

Ingrid Betancourt e ZIdane



Não sabemos que não há seres humanos perfeitos (não falamos de Jesus, obviamente)? E que não há bela sem senão?
Não é que Ingrid Betancourt teria afirmado, em entrevista a uma revista francesa, que "adorou" a cabeçada Zidane deu no italiano Materazzi, na final do campeonato do mundo de futebol de 2006. O próprio Materazzi,admitira que provocara jogador francês.
Contra os métodos violentos das FARC e de todos os corruptos e narco-traficantes da sua Colômbia, Betancourt tem usado a força da inteligência. Zidane, ele próprio, não deixa de concordar. Contra as provocações dos adversários, é preciso é usar a cabeça.

Um FARCuinho comunista


A libertação de Ingrid Betancourt e de outros catorze reféns das FARC (Forzas Armadas Revolucionarias de Colombia) a 2 de Julho foi motivo da apresentação de votos de congratulação na Assembleia da República, como nos demais países europeus. Dois votos foram apresentados: um apresentado por PS, PSD e CDS-PP, o outro pelo PCP.
O primeiro voto classificava as FARC de grupo terrorista, repudiando as suas actividades, e foi aprovado com voto contra do PCP e a favor dos demais partidos. O segundo voto, por sua vez, proposto pelo PCP, foi rejeitado, com votos a favor do pleno da esquerda à esquerda do PS e dos partidos de centro-direita.
O PCP recusa-se a classificar as FARC de organização terrorista, a despeito dos seus métodos, a que não são alheios, por exemplo, a ameaça de morte que pesa sobre os seus membros que, na luta militar e de espionagem contra o exército estatal, deixem escapar um prisioneiro ou se deixem tocar por um pouco de compaixão, à revelia das chefias.
No seu voto, o PCP prefere um registo neutro de satisfação por esta libertação e mostra insatisfação por esta luta de décadas, com prisioneiros e mortos de cada lado. Ao fim e ao cabo, como salientam os restantes partidos de esquerda, o mal não está apenas de um dos lados, e de ambos os lado há vítimas (como o próprio PCP assume). Não bastando porém isto, logo a seguir borrar a pintura, desancando somente no "fascista" do Presidente da Colômbia, Álvara Uribe e descarregando toda a sua bílis, como era previsível, sobre os EUA, com o blá blá blá do costume. A famosa cassete.
O PCP mantém-se fiel ao que sempre foi. Revela, mais uma vez, que nada aprendeu, e que a fidelidade à ideologia e às simpatias partidárias falam mais alto do que a justiça em sentido absoluto. Assim é fiel ao saudoso pai dos povos Estaline, como ao comunismo dinástico de Pyongyang. É a mesma fidelidade que tem ao Fidel. A tirania de direita é má; aquela que se proclama de Marx, Lenine, Estaline, da família Kim, de Mao, de Castro e Che Guevara é sacrossanta e libertadora. Não importa que haja homicídio, tortura, massacres, coacção, roubo e saque no currículo destes senhores. O genocídio cultural do Tibete pelos comunistas de Pequim é uma bagatela para o PCP. Apesar da semelhança em relação à estratégia do "direitista" e imperialista pró-americano Suharto aquando do domínio indonésio em Timor Oriental, colonizando os territórios dominados com populações de funcionários, elites e militares da etnia dominante no governo (estratégia que os Romanos e outras puseram em prática).
A proverbial "coerência" de Álvaro Cunhal e seus herdeiros é de facto — já as mentes sensatas o sabiam há muito — incoerente. O pior é que o PCP se mantém prisioneiro destas insanáveis contradições. Teria sido escandaloso não se congratularem, de todo, pela libertação dos reféns. Na sua contragutalação, porém, limitam-se a um shame on you, mister Uribe, and on you, mister Bush, and on those before you! A santidade revolucionária das FARC, debaixo do pétreo silêncio do PCP a seu respeito, permanece imaculada.

Ter-lhes-ia feito bem atentarem um pouco no percurso político dessa senhora, ex-candidata presidencial. Antes e depois da sua captura e libertação, lutava politicamente contra a corrupção, o rapto, o homicídio, o tráfico de droga, tanto de um lado como do outro. Se Álvaro Uribe, por exemplo, é suspeito de tráfico de droga para financiar o seu poder, as FARC, ao que parece, recorrem ao mesmo meio para adquirir armamento.

Quem não quer aprender, como o PCP, não só fica ignorante como de nenhuma utilidade serve.

sábado, junho 28, 2008

Exposição online de cadernos de Fernando Pessoa


Imagens digitalizadas fac-similadas de espólio de Fernando Pessoa, com descrição dos manuscritos, no portal electrónico da Biblioteca Nacional, do poeta sempre desafiador que sentia a pensar, aqui!

sexta-feira, maio 30, 2008

Verdade conveniente



As árvores já têm copas de lava
de tão violentadas as águas do rio
exibem fissuras nos dedos
os ursos polares têm calor em pouco gelo
ao sol.

O que antes foram cedros e figueiras e abetos
não são hoje cardos?
E não pode a água fluir límpida
da boca do ventre?
Cessarem os sacrifícios de canários em minas de carvão?
Não basta o sangue de um só para lavar as suas entranhas?

Tirar o cinto que garroteia as nuvens
e retêm os mananciais na esponja e a luz
a rega precoce e tardia que fala e beija a terra
e alimenta com a profecia os chacais e as avestruzes
as bestas selvagens do ermo?

Vamos, filhos do Rei, que não é a hora de a rocha
emanar a lava, mas de estancar o vómito aos vulcões!
Manifestai a vossa glória de príncipes!
É a hora de plantar os lírios e colher o vetusto jardim
de deixar que os ossos enterrados sejam as raízes
da árvore da vida.
De rasgar no deserto a via por onde passarão os exércitos!
De fazer brotar o rio das ânsias de parto do pesadelo!

(27/05/08 Após ver o filme An inconvenient truth e correr a ler Paulo, Carta aos Romanos 8:19 “Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus.”)

domingo, maio 18, 2008

Look who's talking! Conversa com a minha filha de 3 meses e 3 semanas


Foi no sábado de manhã. Pousei o maxy cozy com a minha filha Caroline no banco traseiro do carro e passava-lhe o cinto de segurança à volta. Já antes tinha saído com ela, a levar a minha mulher ao trabalho, uma segunda vez, em visita a uma casa para comprar, e saíamos pela terceira, para uma reunião no nosso banco para tratar do pedido de crédito.
Prendia o cinto e…

– Papá, aonde vamos? Já é a terceira vez que me levas a passear esta manhã.
E como ela gosta de passear. Quantas vezes a chorar por ter sido posta mais uma vez naquela cadeirinha afinal ela não acha tão cozy assim, basta dar à chave, meter a primeira e pôr as rodas em movimento para se aquietar e adormecer!
– Vamos ao banco, filha.
– O que é banco?
– Um banco é um sítio onde vamos falar com uns senhores e pedir-lhes dinheiro.
– Aaahhh... E precisas de dinheiro, papá?
– Sim.
– Ah, isso é coisa dos grandes. Os grandes é que pensam muito em dinheiro. Acordam a pensar no dinheiro. Vão trabalhar e cansar-se fora por causa do dinheiro, adormecem a pensar em dinheiro, sonham com dinheiro. Ou nem chegam a dormir por causa do dinheiro. Preocupam-se muito com o dinheiro, se não o têm e o desejam ou se o têm em excesso e não sabem o que fazer com ele. Zangam-se uns com os outros por causa do dinheiro, casam-se e separam-se por causa do dinheiro. Matam e matam-se por causa dele. Deprimem-se por causa dele. Os grandes vivem para o dinheiro.
– Ah, sim, filha, pois…
– Nós, os pequeninos, não precisamos de dinheiro. Nem sabemos o que é. Temos mama e biberão, pegam-nos ao colo, dão-nos banho, mudam-nos a fralda e a roupa, limpam-nos o bolsado, levam-nos a passear, embalam-nos, abanam-nos, fazem aviação connosco, riem, enchem-nos de beijinhos e carinhos, sorriem, cantam, balbuciam para nós, imitam-nos e deliciam-se com o nosso "arrreee" e falam "bebesês" connosco. Acorrem a toda a velocidade quando choramos, às vezes mais tomados de aflição e desespero do que nós mesmos. Não precisamos de dinheiro.

Uma lição de sabedoria da minha filha de 3 meses e 3 semanas.

sexta-feira, maio 02, 2008

Don't cry, Maddie!



Completa-se um ano sobre o caso mais mediático de sempre no mundo de desaparecimento de uma criança. Toca-nos a nós, Portugueses, porque se passou em Portugal.
Não quero dar a minha opinião nem botar palpites nem sentenças sobre quem presuma ser o culpado, se houve assassinato acidental ou propositado, com desembaraço do corpo, ou rapto. Se os pais montaram um grande esquema para encobrir uma eventual culpa, ou se simplesmente moveram mundos e fundos na busca da sua filhinha, como se calhar casal de pais faria se pudesse. Nem se o arrastamento ou a não resolução deste caso interessa a alguém. Nem quero filosofar sobre a razão porque, dentre tantos milhares de crianças desaparecidas no mundo, inclusive em Portugal, teve este caso tão grandes atenções das autoridades policiais, da comunicação e da opinião pública. Agora que outros casos vamos conhecendo de abusos de crianças e adolescentes, por vezes pelos próprios pais (como o caso daquele senhor austríaco que sequestrou durante 24 anos e gerou filhos dela).

Quero apenas invocar a criança, o elo mais fraco. A quem ninguém perguntou nada, e isenta de malícia para ser cúmplice do seu próprio desaparecimento. Invoco apenas a sua memória, como símbolo da colheita demoníaca que é fazer mal a uma criança. Em qualquer parte do mundo. Porque delas, das tais crianças, simples de coração, ingénuas, prontas a acreditar no amor dos grandes, dependentes, rápidas a ser cruéis – é certo – mas também a perdoar e esquecer; ainda sem noção do bem e do mal – e por isso herdeiras, mais do que ninguém, do Reino de Deus. Essas crianças que, sentadas no seu colo e saltitando ao seu redor, Jesus abençoou (Marcos 10:13-16), e nestas todas as crianças do mundo, esperança do futuro.

E quero dizer-lhe – embora tenha noção que ela não lerá estas palavras: don't cry! Estas foram as únicas palavras que se me oferece dizer-te. O Senhor Deus é o teu criador. Ele diz que, mesmo que uma mãe possa esquecer o seu bebé e perder o amor ao filho que ela gerou, ele, o teu Criador, jamais te esquecerá. O teu retrato está gravado na palma das suas mãos (Isaías 49:15-16)! E sei que te fará justiça. Que possas sossegar, pois és habitante do seu Reino! Quem te fez mal, melhor lhe fora se pendurassem uma pedra de mó ao pescoço e o lançassem ao fundo do mar, a enfrentar a julgamento do Senhor (Mateus 18:6). Porque o Senhor tem memória.

E o que te digo não é apenas para ti – mas para todas as crianças do mundo.

sábado, março 22, 2008

Finalmente, a promoção!

A 28 de Maio do ano psssado, relatava aqui um milagre: uma porta aberta de um emprego.
Mal sabia eu que se tornaria um pesadelo, a grande prova, o quente, grande e pavoroso deserto (Deut 8), o calabouço de José.

Durante dias, semanas, meses a fio outra coisa não fiz senão desapertar botões de camisa, separá-las por cores para as lavar. Repetitivamente. Ganhei uma tendinite, dores nos dedos e pulsos, gretas nas mãos e pela seca de todo o dia manipular roupa suja.
A humilhação do chefe e do patrão que insistiram em me manter na função mais baixa na empresa (ainda que todos sejam pagos pela mesma tabela mínima), que jamais pagam e compensam acima do mínimo mas exigem sempre mais do que o máximo a toda a gente, e para quem os empregados são meros números e sempre devedores.
O sentimento de revolta, de não aceitação que tive de possuir e dominar, a sensação de ter sido esquecido por Deus e a incompreensão que a essa sensação dava.
As portas que continuavam a fechar-se.
O ambiente baixo, de linguagem ordinária, de maledicência.
A luta existencial, o sentido de falta de propósito, de ter perdido a noção de qual seria realmente a vocação da minha vida.
A luta interior, sacrificando em louvor a Deus mediante a apresentação da gratidão pela humilhação e provação, porque a fé provada é mais preciosa do que o ouro mais fino e porque a humilhação precede a exaltação. Fazia-o pela fé, decidido diariamente a crer nisso e confessando-o, a chamar à existência o que não existia como se já existisse, desprezando e passando além do que deveras sentia. Por vezes, acaba por dizer o que não devia e deveras sentia, e expressar desapontamento e frustração. Desilusão com Deus e com a vida.
E as portas – todas as portas – continuavam a fechar-se

Fazer o melhor, sempre, esforçar-me e a procurar na Palavra o ânimo, como se escavasse uma mina de ouro, persistentemente. Decidido a crer que a obediência precede a recompensa, que a fidelidade no pouco atrai a promoção ao muito. Que Deus efectivamente me colocara nessa provação e que só Ele, quando o entendesse, dela me livraria.

A manter a minha língua isenta de maledicência, de críticas ao chefe e ao patrão, mesmo quando ouvia e referia entre colegas as más atitudes de um e de outro, mesmo quando grande parte dos empregados (entre os quais eu) decidiu sindicalizar-se para melhor defender-se. Nunca ter saído da minha boca palavra de desonra.

Não sei dizer quantas vezes chorei, nem conto já os domingos, que deixaram de ser o cume almejado da semana, de ida à casa do Senhor e de comunhão com os irmãos, para serem a véspera de segunda-feira!

Na segunda semana de Fevereiro, ao cabo de sete meses (quando o Código do Procedimento Administrativo prescreve 30 dias) de espera, é-me finalmente dada razão no recurso à FCT que interpus face à recusa da bolsa de pós-doutoramento.

Veio a recompensa. Posso alegrar-me que a fidelidade no pouco produziu a recompensa de Deus.

GLÓRIA A DEUS!

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Ser pai…




Ser pai… humm…

A aventura de um pai em início de carreira.
Pegar nos braços, segurar a cabecinha para não tombar, mudar para o outro braço, falar com ela, rir para ela, elogiá-la com muitos diminutivos e palavras de doçura, chamá-la, mimá-la, profetizar para ela um grande futuro em Deus, enchê-la de beijinhos, acariciá-la, apreciar cada esgar facial, cada boquinha, cada beicinha, franzir de sobrolho, esboço de sorriso. Limpar-lhe os beiços quando bolsa, cheirá-la para saber se fez chichi e cocó, mudar-lhe a fralda, despi-la, dar-lhe banho, vesti-la, limpar-lhe o nariz e as orelhas com um cotonete molhado em soro.
Correr ansiosamente a cada um dos seus choros, pegar nela, pôr-lhe a chupeta, embalá-la nos braços, dar-lhe palmadinhas no traseiro, sentir-me impotente quando chora de cólicas. Rir quando dá umas flatutências e chamar-lhe "cagona!"
Ter de a dar à mãe quando penso que falhei em consolá-la, e ficar ciumento porque o cheiro da mãe e a promessa da mama da mãe a tranquiliza mais do que nada.
Dormir intermitentemente de noite com os seus ciclos de choro e sono.

Ter um coração que ama, que protege, que cuida, mas que ainda não definiu bem os sentimentos que tem, pois o meu ventre não a suportou. Mas um coração que está a descobrir, a aprender.

domingo, janeiro 27, 2008

Caroline Sophie n. 26/01/08 A filha da promessa




Nasceu a nossa filhinha querida. Às 23h25 locais (TMG +1) de sábado no Hôpital de Mont Saint Martin (Meurthe-et-Moselle, Lorena, França).
E todo o evento encerra um milagre e está marcado com a assinatura inconfundível do Senhor. Não um milagre como o da maravilhosa concepção biológica de cada ser humano, e moldado espiritualmente à imagem do seu Criador, como uma obra de arte única e irrepetível, de que fala o Salmo 139. Refiro-me a uma intervenção de Deus na forma como, no domínio natural, interveio na resolução de uma ou outra situação que requeriam tal intervenção, geriu sobrenaturalmente a agenda do evento e dos envolvidos (pais, avós, irmã), e o esvaziou de tensão e excessivas dores.



Em primeiro lugar, ela é linda! Perfeita! Carinha redondinha. Tão pacífica, quase só dorme, praticamente não chora, não reclama, reage bem. Só quando tem fome e frio, e mesmo assim um choro breve, que em poucos segundos cessa. E digo que é — dirão os leitores — como qualquer pai o diria de um filho ou filha. O juízo estaria viciado pelo interesse emocional envolvido. Talvez. Mas nem por isso deixa de ser linda.

Os primeiros exames pediátricos revelaram saúde.

Contarei as circunstâncias da concepção e nascimento. Quem leu a mensagem de 4 de Novembro de 2006 "De volta…" decerto se lembrará do relato que fiz da descoberta da gravidez da Cristina e do aborto às oito semanas, e o abalo que trouxe à esperança que tínhamos em ter uma menina. A Cristina fizera e consagrara votos antes do casamento por uma menina, eu próprio alimentara esse desejo no coração durante anos, mesmo antes de conhecer a mulher com quem me casei.

Todavia, a promessa de Deus foi mantida.

Consumou-se a nova gravidez, dura, preenchida de dores e desgaste físico, de azia, problemas de circulação, noites de ansiedade e insónia.
Entre os dias 18 e 27 de Janeiro, decorreu no Luxemburgo uma conferência de cura, organizada por três igrejas (lusófona, anglófona e francófona), com o evangelista Billy Smith, em que testemunhámos a confirmação de que ainda hoje Deus cura em nome do Seu Filho Jesus em resposta à fé (eu próprio senti alívio instantâneo de dores nas mãos). Numa das noites (quinta 24) o servo de Deus orou a favor de uma senhora grávida, no fim do tempo tal como a Cristina, por um parto de menos de três horas. Senti-me desafiado por essa oração e pelo testemunho de provisão financeira em momento de grande necessidade na vida de outro irmão, e a minha oferta dessa noite foi semente na esperança de um parto normal, rápido e reduzido ao mínimo de dor para a Cristina. Os meus pais pediam a Deus uma hora pequena para a Cristina, e meditaram no Salmo 100. Na quarta 24 os meus sogros vieram da Alemanha passar uns dias connosco. Eu e a minha sogra andávamos a tentar convencer a Cristina uma noite à conferência. Na noite de sexta, a Cristina, que de maneira nenhuma queria sequer sair de casa, achava-se melhor, pois tinha dormido toda a tarde, sentia-se fisicamente menos dorida, e finalmente manifestou ela própria a vontade de ir à conferência. Nessa noite, o irmão Billy Smith fora dirigido a separar um momento para orar pelas crianças. Seria uma ocasião apropriada para a Eunice e para o nascituro.

Billy Smith impôs as mãos sobre o ventre da Cristina e denunciou a existência de um pequeno problema, que seria porém resolvido. A Cristina sentiu nesse momento o ventre rodar internamente. Num curso de preparação para o parto para futuros pais e mães que frequentávamos na maternidade, ficáramos a saber que umas posições melhores do que outras para o bebé. A melhor posição é aquela em que o bebé se apresenta de cabeça, mas mesmo esta tem variantes que tornam o parto mais ou menos rápido e fácil, tanto para a equipa médica e de parteiras como para a mãe e bebé. Depende de o dorso deste estar virado para um dos lados em relação ao corpo da mãe, esquerdo ou direito, interno ou externo. Ecografias haviam revelado que a Caroline se achava de cabeça para baixo, mas virada para o lado menos adequado. Esse era o pequeno problema revelado, e que percebi que ficava nesse momento solucionado. E o servo de Deus pediu às demais mulheres grávidas presentes na sala que impusessem as mãos e com ele intercedessem pelo mesmo motivo de dois dias antes: um parto de menos de três horas. E profetizou que a nossa menina seria filha da alegria.

No sábado a Cristina passou o fim da tarde com contracções regulares. Sacos no carro, e entrámos nas urgências pouco antes das 20h30. Às 20h42 estava ligada a um electrocardiógrafo, com as contracções e os ritmos cardíacos de mãe e filha monitorizadas. O colo do útero tinha um dedo de dilatação. Era certo que passaria lá a noite, mas incerto que o parto tivesse lugar.
Uma hora e um quarto depois, as contracções continuavam, com pequenos intervalos. Fizeram-lhe uma perfusão para provocar o parto e conduziram-na à respectiva sala. Acompanhei-a. Ela pediu a epidural, mas o colo do útero dilatou tão depressa que não houve tempo para chamar o anestesista. Por volta das 23h00 arrisquei:
— O parto será até às 23h30.
No meio das dores de um parto natural, nascia a Caroline às 23h25. Estava na posição certa para um parto absolutamente rápido e fácil, com o mínimo de dor e complicações. Tranquila, sem um queixume, sem parecer estranhar coisa alguma, dir-se-ia que colabarova conscientemente em todo o processo. Pude terminar o seu primeiro banho. Orar por ela, impor-lhe as mãos e abençoá-la, sossegá-la com o som da minha voz a cantar palavras de amor, de elogio à sua doçura e de louvor a Deus.

Foi o melhor dos partos por que a Cristina passou. Após uma gravidez dura, três outros partos e dois abortos. Anteriormente, fora cortada, rasgada, submetida uma vez a cesariana, passara horas a fio de intenso sofrimento. Desta feita, perdeu demasiado sangue após o nascimento, para se lhe poder retirar a placenta, o que ocasionou quebra dos níveis de glóbulos vermelhos e, consequentemente, anemia. Não sendo porém caso extremo a ponto de receber transfusão sanguínea, uma dieta adequada e comprimidos de ferro promoverão o devido restabelecimento. E foi apenas isso. Uma hora e meia de trabalho parto propriamente dito e, desde a entrada na maternidade, cerca de duas horas e três quartos. MENOS DE TRÊS HORAS!

O bom Deus assim cumpriu. Sem acrescentar dor. E a visita dos avós maternos foi presenteada com o conhecimento da neta. Agora, estão cá os outros avós, os paternos. Todas as circunstâncias foram dirigidas e bem encaixadas pelo Mestre escultor e Senhor das nossas vidas.

Começou uma aventura…

sexta-feira, novembro 02, 2007

Design Inteligente e evolucionismo

Para os interessados nos debates entre Darwinismo e Design Inteligente, entre Evolucionismo e Criacionismo, é de visitar Design Inteligente.
Aí encontrarão algumas notícias, reflexões, extracções de artigos e livros sobre o tema.
Se és daqueles que torce o nariz à história da carochinha da evolução amiba-até-ao-homem, colherás alguma informação interessante, ao mesmo tempo que te rirás com o tatebitate, e a "fé" com que os maiores profetas do evolucionismo (caso do inefável biólogo ateu Richard Dawkins) pregam a sua doutrina. Porque é mesmo de rir. Se, porém, és dos que juram que a evolução é um facto, será caso para pensar um pouco, te auto-questionares e pelo menos adoptar atitude de humildade científica, admitindo que podes ter de estudar melhor...

sábado, setembro 29, 2007

Boas e más notícias II: a boa notícia

Na segunda-feira, a ecografia e os resultados da amniocentese revelaram que a criança esperada é uma menina. E que se encontra bem.
O meu desejo e oração de há muito era por uma menina.
E já tem nome: Caroline Sophie. Com sonoridade francesa. Como vivemos em França e por aqui contamos viver ainda uns anos, teríamos de suportar o horror de ouvir a pronúncia Carroliná Sofiá, em francês! Só por isso a opção pela fonologia local. Em Portugal, se no nosso país não autorizarem o galicismo, será naturalmente Carolina Sofia, ou Sophia. A Cristina, a mãe, é Christine de resgisto francês, mas Cristina foi obrigada a ser ao regressar a Portugal aos 10 anos. Como a criança terá um dia dupla nacionalidade, pode perfeitamente ser nomeada à francesa em França, e à portuguesa em Portugal.
O princípe Charles de Inglaterra é Carlos em Portugal, a mãe Elisabeth no seu país e Isabel no nosso. Pas de problème!
Quanto à razão da escolha, queríamos que o nome fosse uma declaração profética do que confessamos sobre a criança e que cremos será parte da sua vida (procedimento correntemente atestado nas culturas humanas, hebraica bíblica e não só). Carolina (ou Caroline) como homenagem à bisavó e porque este nome é forma feminina de Carolino, derivado de Carlos, por sua vez proveniente do germânico Karl, ao que consegui saber, com o sginificado de de "forte, viril". Sofia (variantes Sophia e Sophie) é grego, e significa "sabedoria".
O nome desta criança será pois um híbrido e significará "forte sabedoria". E assim cremos que a sua vida assim o confirmará.

Boas e más notícias I: a má notícia


Maria Carolina, minha avó, 6/06/1923 - 23/09/2007

Na sequência de um AVC e 7 horas de coma, expira a minha avó materna. Quase ao cabo de uma semana de aparecer com um pé roxo e frio e de internamento, e quando o seu estado dava sinais de evolução positiva.
Todos nós, na nossa família, nos lembramos do seu humor e boa disposição. Fomos tocados pela candura do seu coração, pela simplicidade, ingenuidade, ternura, simpatia, lindo sorriso com que se relacionava com os outros. Mostrava-se generosa e sempre pronta a acreditar nos outros e simples na sua fé. Era uma simplicidade de criança, sem malícia. As experiência de vida que lhe endureceram o carácter (só chorava quando se comovia com um filme ou telenovela, ou com os netos, e nunca a conheci com tendência para se deprimir ou se lamuriar), respondia com humor. Um exemplo foi — contaram-me — quando deu entrada no hospital. O médico perguntou-lhe como se chamava e ela respondeu: Maria Carolina Roseira Martins. Nisto, toca na mão do médico e pergunta-lhe se gostava do seu nome. Ao que ele respondeu que sim, que era o nome de pessoas importantes, como a Princesa Carolina do Mónaco. Ao lhe perguntarem quem a acompanhava, terá apontado para a filha, minha mãe, e terá gracejado que esta estava muito acabada! Queixou-se da sopa que lhe serviram, que qualificada como “água de lavar couves”! E mostrava-se lúcida e consciente do seu estado de saúde e da idade que tinha, com dúvidas de que chegaria a ver o bisneto. Houve tantas outras situações em que nos rimos com ela, por coisas comentários ou observações ditas com graça a propósito de tudo e de nada, às vezes por ignorância, em virtude do seu baixo nível de estudos, ou simplesmente por simplicidade infantil, tantas que não me consigo agora lembrar de nenhuma em particular. Fizeram parte da nossa vida em comum durante os 38 anos em que fui seu neto. Destaco apenas as mais recentes situações, por serem as mais recentes e por serem reveladoras desse humor de quem parecia passar ligeira pela vida.
Todos nós nos fomos habituando à sua presença. E, apesar de a saúde, a robustez, agilidade física e intelectuais diminuírem, as dificuldades na saúde se acrescentarem (normal com o avançar da idade), fui-me (fomo-nos) acostumando a ver os seus anos acumularem-se. A sua presença tranquila e doce impunha-se. E resistindo a braços fracturados, quedas ou constipações. Como a Duracell. Inconscientemente, sabia (sabíamos) que mais tarde ou mais teria de partir, até por ser a mais velha da família. Mas vê-la durar dava a impressão de que ainda a veríamos testemunhar o nosso próprio envelhecimento, e acomodei-me (acomodámo-nos) a isso. Pessoalmente, esperava que ainda conheceria a sua bisneta. Partiu na véspera de saber que a criança esperada é uma menina, ao menos isso, pois teria de viver até fim de Janeiro para a conhecer.
Assim o Senhor não fez. E embora esteja triste por isso, e muito me custe que ela não venha a partilhar desse momento por vir, sou imensamente grato a Deus por ter prolongado os seus anos até aos 84. Bonita idade. E por ter permitido que não sofresse, por não ter passado uma dolorosa sobrevivência a um acidente vascular cerebral. Grato ainda muito mais por tê-la tido como avó e como pessoa. Pela bênção que foi para mim. Por tê-la amado tanto e ter sido igualmente tão amado por ela. Posso dizer que, ao contrário do que sucede com muita gente, que nestes momentos expressam remorsos e concluem por não terem presenteado o familiar falecido com bastante amor, carinho, simpatia, atenção, tenho paz no meu coração por — apesar de algum afastamento meu a partir de 1991, em virtude da minha vida profissional, tendo saído da casa dos meus pais e passado a residir longe da Amadora, com visitas de longe em longe, curti (passo o termo) a minha avó velha. Aproveitei-a bem. Não posso dizer: não lhe expressei amor as vezes suficientes. Não sinto que lhe ficasse a dever alguma coisa. Não. Recebi e dei.

Chorei convulsivamente quando recebi a notícia do AVC, orei, clamei a Deus em desespero, lutei contra qualquer influência que Satanás tivesse nessa doença. Ao receber a notícia do desfecho, não chorei tanto. Era um desfecho previsível e natural, face ainda à ao quadro de arteriosclerose e diabetes, pois deste lado da eternidade ainda estamos sujeitos à morte física, apesar de Deus ser Senhor de milagres e da cura. E é possível que ainda venha a chorar… então, que chore tudo o que tiver a chorar, pois, se a vida continua, nem por isso se deixa de chorar quando se sofre uma grande perda.
É pois desta velhinha querida, a minha velhinha, que me despeço, que digo adeus no meu coração. Que descanse em Jesus tinha sido a minha oração por ela, pois quem quer que invoque este nome será salvo (Actos 2:20).

sábado, setembro 15, 2007

Mais bebés na família!

Ficámos a saber que o meu cunhado José Fernando, irmão da Cristina, também vai ser pai, no Brasil. O nosso bebé nascerá no início de Fevereiro, o nosso sobrinho em Maio.
Grande geração de profetas se avizinha!
Parabéns ao Zé Fernando e à Zelinda!

domingo, julho 15, 2007

Primeira foto oficial do meu bebé


Dia 9/07/07 com 12 semanas de gravidez e 5,35 cm de dimensões.
Foto a 3D de Ecografia. Levanta os braços à cabeça e o ginecologista (Hôpital Mont Saint Martin) tira o instantâneo. Segundo o médico, dizendo:
— Ai que pais tenho eu!
Quanto a mim, expressão de louvor ao Senhor.