domingo, janeiro 25, 2009

Respica te, Barack Obama


O meu amigo João Tomaz Parreira destas andanças publica um poema dedicado a Barack Obama. Nele, confirma o seu sentimento de esperança suscitado pela eleição histórica afro-americano para a Presidência dos Es.tados Unidos da América, expresso dias antes num texto em prosa publicado aqui . Obama é o seu novo "ídolo" depois de J. F. Kennedy

Essa esperança não é justificada pela etnia do homem — o que em si mesmo é circunstância é motivo de júbilo, por a América, a nação que se diz a mais livre e igualitária da Terra com isto na sua generalidade (à excepção das minorias supremacistas brancos saudosos da era antes de Lincoln, que se deseja se tornem mais e mais minoritários) ultrapassar tabus e preconceitos como o de a cor da pele ser factor indicativo do grau de humanidade. Mais ainda: de com isto abrir um feliz precedente: em futuras eleições, porque não sonhar com a eleição de um Presidente de origem hispânica, ou índia. As nações e tribos índias foram os primeiros americanos, e dos mais excluídos do sonho americano. Assim a América pode aspirar a cumprir a declaração de princípios da sua Constituição e leis, formulada pelos Pais fundadores (religiosamente deístas) e antes mesmo pelo grupo cristão dos peregrinos embarcados do porto inglês Southhampton no navio Mayflower e chegados ao porto americano de Plymouth, em 1620, auto-exilados de Inglaterra por motivos religiosos, em busca de um lugar em que pudesse livremente viver e servir Deus num espírito e ética biblicamente fundados, que deram o exemplo de convívio fraterno com outros povos. "Liberty and Justice for all!"
O que mais atrai em Obama não é tanto essa circunstância de ter uma cara mais morena. É a revelação do seu carácter, ornado por uma "belíssma retórica identificativa", que nos "implica a todos", como escreve João Tomaz Parreira. A gentileza, o espírito de paz, da convivência tranquila das diferenças entre pessoas de bem e bom senso, de defensor da igualdade de oportunidades e prosperidade para todos. E foi isto que cativou milhares de milhões em todo o planeta, e os encheu de esperança. Um discurso novo, um sorriso novo, um estilo novo, agastados que estávamos todos com George W. Bush, o tosco e bruto adolescente fazedor de problemas e semeador de ventos. Se a mudança poderia vir para a nação americana, essa mudança repercutir-se-ia em todo o mundo. Pois tudo o que se passa, diz e faz na e da América se propaga para o mundo todo (ver o exemplo da actual crise financeira mundial). Mesmo em remotas terras de Trás-os-Montes
A esperança em Obama tornou-se a esperança de todo o planeta e converteu-se em Obamamania. E esta elevou o homem à categoria de salvador. Uma reportagem nas ditas terras de Trás-os-Montes, que vi num serviço informativo da SIC-Internacional são paradigmáticos disso. Pessoas havia nessas terras que expressavam ter fé em Barack Obama. E a uma pergunta do (ou da, não me lembro) repórter, responderam que o viam como salvador. O seu discurso inclusivo, inspirado numa concepção holística do planeta como casa de todos, na qual todos devemos (independentemente da religião, opções políticas, etc.) viver em boa vizinhança e cooperando para o bem de todos, favorece a criação dessa imagem de salvador, de novo Messias.
Entre as reacções conhecidas dos líderes políticos internacionais, uma destoou, a do Primeiro-Ministro russo, Vladimir Putin. Disse ele: "as grandes desilusões provêm das grandes esperanças". Este é o tipo de ideia e de frase que ninguém, na esperança colectiva, quer ouvir nem pensar. Cristãos evangélicos como João Tomaz Parreira, assim como certamente muitos na América, olham Obama com esperança, mas outros há que, com o faro sempre pronto e apurado para detectar os odores do Anticristo em todo o novo líder religioso, político e empresarial mundial que surja, o vêem nada mais nada menos como essa personagem sinistra e misteriosa cuja manifestação a Bíblia anunciara (por exemplo, aqui). Será Obama esse enganador com pele de cordeiro e corpo e boca de lobo? Estou certo de que não, e a Bíblia fala de um espírito de Anticristo, e de muitos anticristos, que já se manifestavam no tempo em que João escreveu as suas cartas. E não é nada certo que se trate de um homem, ou que os cristãos (evangélicos) tenhamos que basear a sua agenda pelo seu suposto advento (e sei que muitos evangélicos ditos "dispensacionalistas" discordarão de mim). Nem que seja tão pouco o seu oposto, o Messias, que esse só há um, Jesus Cristo, o ressurrecto Filho de Deus, cujo regresso eu e muitos esperam. Não dou, portanto, para este peditório.

Mas é algo em que devemos pensar. Aquilo que devemos fazer fazer é ser sensatos, ser sábios — uma exigência de Deus. Barack Obama não vai salvar o mundo. Nem levá-lo ao cataclismo da "grande tribulação". Nem creio que ele se julgue a si mesmo como salvador do mundo, mas dou-lhe o benefício da dúvida de acreditar que ele pensa de si mesmo ser alguém que quer deixar boa influência no mundo, como a sua função lho permitir. Um sentimento que muitos seres humanos partilham, seja qualquer for a sua religião.
Como é geral entre os Presidentes dos Estados Unidos da América, declara-se cristão. Apesar de os seus ascendentes terem sido muçulmanos. O seu pai tornou-se ateu. Mas tem defeitos, enquanto cristão. Com efeito, não é possível dizer quantos foram cristãos genuínos, daqueles cuja vida se resume m Cristo, em obedecer a Cristo, em viver Cristo, em pensar o que Cristo pensa e fazê-lo acontecer. Como escrevi, numa postagem de 21 de Agosto, intitulada "Os candidatos e as suas religiões":

"Todos se declaram evangélicos, mas as suas obras deixa muito perplexo e confuso quando à genuinidade da sua fé. No caso do presidente actual ou passados, George W. Bush foi eleito duas vezes com o apoio da maioria dos evangélicos. Confessa Cristo Jesus como Senhor e Salvador. Defende a pena de morte. Empreendeu uma guerra (no Iraque) com base numa mentira (a existência de armas de destruição), inspirado supostamente por Deus, mas que resultou num pântano. Quando Deus age e ordena uma acção, funciona e resulta restauração e estabilidade, não confusão. Jimmy Carter, ex-presidente democrata, embora evangélico, situa-se do outro lado da barricada política.
Bill Clinton igualmente se declarou evangélico baptista. Cometeu adultério e apoiou a liberdade do recurso ao aborto como opção.
Dos actuais candidatos, John McCain é conservador quanto ao aborto e à união matrimonial homossexual, e promete prosseguir a política externa de Bush. Barack Obama, se promete mudar a política externa, é liberal quanto ao aborto e defende o direito ao casamento homossexual."

E certamente que a maioria deles crê que Deus criou… a evolução. Pesados os prós e contras dos presidentes americanos e de candidatos a presidentes, qual deles é o mais cristão? Qual deles é menos convicto e radical seguidor de Cristo? Qual deles defende ideias e pratica acções mais abomináveis aos olhos de Deus? Não sei. Por isso — concluía eu nessa postagem — eu teria dificuldades em escolher em quem votar, se fosse cidadão americano e cristão evangélico.

Quem é pois Barack Obama? Nada mais do que um homem. É necessária esta circunspecção. Nem um semi-deus messiânico salvador do mundo nem um hediondo demónio. Não um ídolo (e sei que João Tomaz Parreira usa o termo conotativamente, no sentido em que o adolescente que foi o teria usado em relação a J. F. Kennedy — ou qualquer adolescente o usaria em relação a um jogador de futebol, cantor ou guerrilheiro revolucionário —, pois como cristão evangélico é insuspeito de idolatria). E é assim que todo o planeta o deveria ver. E como homem que é, tem defeitos e podres, falhará e desiludirá. E não uma vez apenas. E é certo que não cumprirá tudo o que propõe em todas a as área. Pessoalmente, espero um progresso: o de recolocar a praxis americana numa base de concerto com as outras nações, ainda que se julgue primeira entre iguais. De restaurar uma certa decência e legalidade, em coisas tão simples como não iniciar uma guerra a qualquer preço e de extinguir a vergonha de Guantánamo, como já decretou. Para que aqueles prisioneiros sejam efectivamente julgados pelos tribunais, quer estes provem ou não que são culpados de terrorismo. Foi o primado do Estado de Direito que fez a presunção da superioridade da civilização ocidental sobre as demais, consideradas mais brutais e arbitrárias na justiça e na defesa dos direitos humanos. Se Barack Obama se concentrar e conseguir pelo menos isto, será já digno de registo. Merecerá aplausos humanos de todo o lado e limpará a imagem da sua nação. Quanto ao mais, no entanto, a defesa dos interesses da sua nação será a sua prioridade. Quanto estes forem incompatíveis ou colidirem com os de outras nações ou grupos de nações, será o seu país que escolherá. Como assim foi com os seus predecessores. Não nos iludamos quanto a isso — para não nos desiludirmos demasiado.

Seria bom o Presidente eleito dos Estados Unidos da América ter um criado ou secretário com licença para o advertir em particular dessa verdade, no momento do desfile após o juramento. A exemplo da Roma antiga pagã. Num mundo em que os deuses eram humanos nas paixões e na aparência e se misturavam com os seres humanos deixando mestiços entre eles, não seria raro um general regressado vitorioso de uma campanha militar ser tentado a deixar-se possuir pela vaidade de um momento de sucesso e achar-se igual aos deuses ou até filho de um deus, por orgulho pessoal ou porque outros a isso o tentassem. Júlio César começou o que o seu sobrinho-neto Octaviano Augusto consumou: a glorificação da sua estirpe familiar pela redescoberta da sua ascendência divina, que remontaria ao princípio troiano Eneias e à mãe deste, a deusa Vénus. Ao general vitorioso esperava, pois, a honra de uma parada na capital do império, o triunfo, o seu exército exibindo o orgulho da sua disciplina e armamento, os prisioneiros de guerra (de preferência os chefes dos inimigos vencidos) e os despojos em exposição pública. Segundo é tradição, o general desfilava de pé, numa quadriga conduzida por um escravo pessoal, que lhe segredava os tais conselhos de temperança:
— Respica te, hominem te memento "Vira o teu olhar para ti próprio, lembra-te que és apenas um ser humano".

sábado, janeiro 10, 2009

Esmeralda…


Foi dada a sentença final ao caso Esmeralda, que tanto atraiu, entusiasmou e dividiu a opinião pública. A favor do pai "biológico", confirmando sentença já com quase cinco anos.
Confesso que fui daqueles que, desde o início, teve simpatia pela casal de pais "adoptivos". Acolher uma criança abandonada pelos progenitores, recebê-la como sua, dar-lhe uma casa e cuidados parentais é em si mesmo um acto cuja dignidade e beleza dispensam encómio. O pai "biológico" aparecia aos olhos da opinião pública como um daqueles homens que conhecem uma gaja, dão-lhe uma queca sem protecção e que mal o sol nasce dão às de vila-Diogo. A mãe "biológica", uma daquelas mulheres sexualmente emancipadas, que não rejeitam uma noite de prazer quando as hormonas fervem. E uma gravidez surge, consequência indesejada de uma noite de libertinagem. Como uma cárie em quem exagera nos doces. Por causa disso, há quem aborte!
A imagem transmitida era grosso modo esta. Maniqueísta quanto baste. De um lado os bons e generosos, do outro os maus.
Os pais "adoptivos" cometeram rapto da criança, para não terem de cumprir uma sentença que determinava a entrega da menina ao pai "biológico" . Mesmo assim, tal acto suscitou onda de simpatia.
Mas uma ideia começou a ver à minha mente: não teria o pai "biológico" o direito ao arrependimento? Como todo o ser humano? Se de início duvidava da paternidade (a mãe biológica, afinal, prostituía-se), ou não a desejava assumir, não mereceria a oportunidade de mudar de ideia, não poderia o seu coração ter-se deixado apoderar pelo sentimento de paternidade? Lutar pela custódia da filha, com unhas e dentes, fazer o legalmente possível e impossível para reconquistar o afecto da filha seriam a tradução de uma reviravolta interior. E dignas de compreensão, quando não de solidariedade. E os pais "adoptivos" insistiam, praticaram rapto, insistiam, possessivos, em reclamar para si a custódia, o que também não deixa de ser compreensível, pois tinham ganho afecto à menina. E o processo arrastou-se.
Presentemente, pois, tenho outra visão do caso. Já não o vejo a preto e branco. E considero a sentença agora exarada como justa, sensata e equilibrada. O pai "biológico", que com toda a certeza aprendeu a amar a filha, é quem fica com ela. Como deve ser. E prevê-se um regime de visitar por parte da família "adoptiva". Esta não fica de todo desligada da história da vida da menina, porque fará para sempre parte dela. E será bom que continue a fazê-lo, e não apenas na memória da mais remota infância, mas como numa relação com outros "pais". E o suposto trauma da mudança de família, de nome e de referências, do constante stress que a indefinição do seu destino lhe causaria, tudo isso será atenuado. Mesmo porque a criança terá acompanhamento psicológico.

All's well that ends well.

quinta-feira, janeiro 08, 2009

Na Gaza dos Filisteus

Na Gaza dos Filisteus,

A mão que golpeia a ilharga é a mesma que estilhaça o crânio.

Dispõe a pedra na funda a sombra de Golias
E lança-a…
Efraim riposta com a catapulta
Jacob arremete em cheio com a espada.

De Gaza os filhos de Ismael gritam em fúria
e dos pulmões jorra o sangue
as pedras voam.
Os filhos de Isaac soltam as matilhas de molossos.

A pedra que golpeia a ilharga, a espada que estilhaça o crânio
em arremetidas repetidas, uma e mais uma e outra ainda, até milhares de fragmentos
que tingem o mar de escarlate e cinza
pois é impossível escapar por terra, para o deserto, para lá dos montes:
há o muro, um bando de leões de dentes de aço no caminho. A porta fechada na cara da urgência e do pânico.

Os filhos de Abraão
lutam por um lugar entre as estrelas do céu
que seu pai contemplou e contou.
Mas só restam os crânios rolados na praia, o sangue a excrescer da pele da fronte.

terça-feira, dezembro 30, 2008

Fim de ano

Fim de ano.
Momento de balanço e reflexão. Do que se alcançou e do que ficou por alcançar. De exprimir gratidão pelas vitórias alcançadas e pela persistência nas lutas que ainda duram. De relançar projectos, propósitos, alvos.
Para mim, o ano ficou marcado em especial pela paternidade. Pelo privilégio de ver nascer a minha filha, Caroline, crescer, metamorfosear-se, de ouvir chorar, rir e balbuciar, ronronar, de a adormecer nos braços. De os meus braços serem por ela procurados. De ela se agarrar às minhas pernas. De a ver manifestar um temperamento, com tudo quanto nele há de próprio e herdado de pai e mãe. De a ver viver.
De vê-las dar passos. Ainda que os meus olhos não tenham visto esta conquista. E só não dá mais passos por preguiça. É um barco que navega junto à costa, apoiada a coisas ou a pernas, mas que o longo não se aventura, preferindo sentar-se no chão e gatinhar.
Bendito seja o nome do Senhor!

quinta-feira, dezembro 04, 2008

Mudanças, instalação


A casa situa-se num bairro de uma vila numa região que foi há décadas terra mineira e de indústria de aço. Onde se veio implantar, entre outras, uma importante comunidade italiano.

Mudanças feitas. Instalação concluída. Mas ainda as obras. Parece que estamos uns em cima dos outros. E há defeitos na casa que se vão descobrindo.
Mas como sói dizer-se: Roma e Pavia não se fizeram num dia. E é uma casa para a vida (ou até que Deus permita vender esta e comprar outra). Na recuperação dos exteriores e interiores. Nas águas furtadas, que um só dia poderão ser uma divisão mais (um grande quarto ou escritório, ou, divididas em duas). No quintal, que poderá ser plantado, parte dele transformado em jardim.
Oops… Algumas tábuas de madeira no chão do quarto das meninas estão mal assentes, ou flutuam, e eu esqueci-me disso e no outro dia pisei uma… e rachou.
Roma e Pavia…

terça-feira, outubro 28, 2008

Mudanças

Estamos em mudanças. Comprámos casa e estamos em mudanças. Obras por fazer na nova casa. Pó. O prazo (fim do mês) que se aperta para deixar a casa de renda onde ainda estamos, em Saulnes, para Herserange, aqui ao lado. Caixotes. Pegar constantemente na Caroline ao colo, que com dificuldade vive este período, sem poder pô-la no chão e deixá-la explorar o mundo "à quatre pates" (de gatas), pois este já sujo.
Mudanças. Depois disto, um tempo de transição em que viveremos numa casa ainda em obras.
Até que tudo se estabilize e possamos dizer que estamos definitivamente instalados. E pouco a pouco vamos fazendo um arranjo aqui, um incremento acolá, na casa, na varanda, no jardim. Teremos tempo. E valorizaremos o nosso espaço, a casa que Deus nos permitiu comprar e que será o nosso lar por muitos e longos anos. E cremos que os recursos não nos faltarão. Pela bênção de Deus, e ao arrepio da crise de que se ouve falar no mundo.
"Põe a tua confiança no Senhor, e não no teu próprio entendimento" – diz a Escritura.

sábado, setembro 27, 2008

Lisboa revisitada (2008)




Tinha saudades tuas, Lisboa da minha infância e adolescência
Da Lisboa de outrora de hoje, do manto de céu de rainha
Das colinas do império e dos Mouros e Judeus
Da macieza do Tejo mudo e dorido de naus cacilheiros e sonhos lançados às águas
E de tudo

Do mistério de teres sido minha mãe e de eu ser teu filho pródigo
Te revejo e a ti regresso breve
Eu, sim, o mesmo que volta à mesma cidade? Outro sou, e mesmo
E tu, sempre Lisboa. Continuas a dar à luz filhos e filhas, a receber outros adoptivos
Em ti há mais árvores, mais floresta, mais galerias de toupeira.
Formigas que vão e vêm, de todos os solos, pétalas multicolores
Mas sempre o mesmo moroso estar e não estar com um café e uma imperial
O fluxo alucinado do trânsito
E o Tejo quieto e mudo
Que me dá o seu abraço e me saúda, filho de visita
E me dá as boas-vindas – e eis-me reconciliado com o fio-memória
Que me liga a mim mesmo
E ao Cristo Rei, a quem hoje sirvo
Abraço nocturno – porque à noite é mais belo, como xaile negro de fadista

Lisboa de mágoas e amor, de correrias e demoras
De museus e história
Embora novos prédios se ergam eucaliptos, novas estradas te sulquem a pele
E novas linhas de metro te perfurem a carne,
Se possa matar apetite e tédio em novos restaurantes

Novos gestos, vestes e adereços no cabelo
Que eu não conhecia
És a Lisboa de cujos seios me nutri,
Folgazão e estudante
Em bebedeiras e paixão,
Em cujo horizonte de mundo desenhei o porto da minha navegação
Exibes ainda a mesma nostálgica majestade nas praças e avenidas
Cingida de ouro do céu e de prata do Tejo
Que revejo, com um sorriso.

Quando voltar a Portugal, é a ti, Lisboa, que voltarei.

quinta-feira, agosto 21, 2008

Os candidatos e as suas religiões




Sempre, desde que me lembro, as eleições presidenciais norte-americanas foram marcadas pela fé religiosa dos candidatos, assumida e/ou vivida. Invariavelmente, esse debate gira em torno do cristianismo evangélico, das suas tendências, e do que este representa como influência política, sociólogica, cultural e espiritual.
Se eu fosse cidadão americano evangélico, ou me deixaria levar nas ondas dominantes, ou teria grandes dificuldades em escolher em quem votar. Todos se declaram evangélicos, mas as suas obras deixa muito perplexo e confuso quando à genuinidade da sua fé. No caso do presidente actual ou passados, George W. Bush foi eleito duas vezes com o apoio da maioria dos evangélicos. Confessa Cristo Jesus como Senhor e Salvador. Defende a pena de morte. Empreendeu uma guerra (no Iraque) com base numa mentira (a existência de armas de destruição), inspirado supostamente por Deus, mas que resultou num pântano. Quando Deus age e ordena uma acção, funciona e resulta restauração e estabilidade, não confusão. Jimmy Carter, ex-presidente democrata, embora evangélico, situa-se do outro lado da barricada política.
Bill Clinton igualmente se declarou evangélico baptista. Cometeu adultério e apoiou a liberdade do recurso ao aborto como opção.
Dos actuais candidatos, John McCain é conservador quanto ao aborto e à união matrimonial homossexual, e promete prosseguir a política externa de Bush. Barack Obama, se promete mudar a política externa, é liberal quanto ao aborto e defende o direito ao casamento homossexual.

Se fosse cidadão norte-americano evangélico, poderia ser conservador quanto à moral sexual e à defesa da vida dos fetos humanos, continuar a defender a pena de morte e a proclamar o carácter messiânico da nação americana, defendendo a legitimidade do argumento da força no exterior, ainda que com o preço de um pequeno pretexto, vulgo "peta". Ver-me-ia no risco de me deixar levar pela onda dominante e talvez votasse Republicano.

Mas, embora seja evangélico, não sou cidadão norte-americano. Por isso, tristemente confesso que a não-escolha é fácil para mim.

sábado, agosto 09, 2008

Ser pai… # 2



A minha filha já tem 6 meses. Como voou o tempo – um lugar comum, mas uma evidência.

Em 6 meses, desenvolveu-se dos 50,5 cm e 3,2 kg até aos 67 cm e 7,4 kg.
Cada vez mais bonita. E cada vez mais se revelando o seu temperamento. De uma menina calada que mal conseguia chorar e não ria, passou pela crise das dores de barriga dos três primeiros meses. Então aprendeu a chorar: de dores, de fome, de desconforto, de resistência ao sono. De birra, de fitinha. Várias vezes este pai se irritou e lhe dava uma ou duas palmadas no traseiro. Supostamente teria fome — pensava o pai — por haverem passado muitas horas desde a última refeição, o pai dava-lhe o biberão e ela fazia fita e pouco bebia. Ou tinha sono mas resistia e desatava a chorar. O que o pai conseguia era com as palmadas era provocar mais choro, e logo se arrependia da estupidez, pedia desculpa à filha e ajuda ao Espírito Santo para o ajudar a dominar-se a si mesmo. Hoje chora, ri, sorri muito, abre-se muito aos outros e às atenções que
lhe queiram dar.
Muito mexida, energética, forte e saudável. Desde muito cedo gosta de balanço e de fazer de avião — o que dá o pai que daqui a uns anos ela será viciada em montanha russa, em rodas e gigantes e outras coisas mais radicais — o que será para este pai um doce regresso à meninice, pois também gostava dessas coisas. Não pára quieta. Até os dedos dos pés estão sempre a mexer-se.
Curiosa, quer ver e mexer em tudo. Dede os 4 meses que consegue manter-se sentada sem apoiar o tronco. Hoje, consegue-o já durante muito tempo. Até que se cansa, ou se mexa procurar alcançar algum objecto, e cai: para trás, de lado, para frente, de cabeça. Por vezes magoa-se.
Quase gatinha. Deitada de gostas ou de bruços, num piscar de olhos já se arrastou para outro lugar e se acha em outra posição. Facilmente se vira, estando de costas, para posição de bruços, e vice versa. Faz força nos quadris, estica as pernas, e acto contínuo a cabeça e o tronco baixam e afunda a cabeça no tapete. E então zanga-se e reclama. Mas insiste. Se deitada com a parte baixa do tronco, estica os braços e levanta a cabeça, e assim consegue ficar longos segundos, olhando para a televisão ou para outra coisa qualquer.
Desde os 4 meses também que, pegando-se-lhe nas mãos, estando deitada, é capaz de se erguer e sentar sozinha. Agora, basta pegar-lhe em apenas uma mão para ela ter onde se apoiar, sem a puxar, e ela não precisa de mais nada. Já descobriu que pode usar a outra mão, apoiando-a no solo, enquanto faz força para levantar o tronco. Mais ainda: já se levantou sozinha, connosco à distância a assistir. Sentada, com as pernas flectidas para dentro, as mãos, e ei-la que, apoiando-se nelas, faz força nos pés e nas pernas, estica-as e levanta-se. Novamente sozinha.
Por vezes, fica absorta a olhar para a televisão, que propositadamente sintonizamos em canais para crianças desenhos animados, sentada no tapete no chão, queixo levantado e fazendo uma boquinha. E enquanto assim estiver ocupada, não liga a nada nem a ninguém.
Segundo um livro, aos 8 meses a criança consegue reconhecer o seu nome, quando chamado, e adoptar estratégias para chamar a atenção e dar e entender que quer mimo, como a tosse. Aos 6 meses, isso já ela sabe fazer. A Cristina testemunhou até que, certa vez, estando sentada, se deixou cair e começou a clamar por atenção.

Depois dos "rrreeesss" dos 3 meses, a sua garganta já produz uma variada gama de sons, gritos, canções. Na igreja, após o tempo de louvor, em que normalmente se mostra sossegada, começa a manifestar-se: grita, canta, prega.

Em Junho, começou a variar a dieta alimentar, com as papinhas de vegetais, frutos, e agora de refeições completas de carne e acompanhamento. Aplica-se-lhe um babete, dá-se-lhe a colher à boca, mas como criança que é fica o babete, a boca, os lábios, o queixo, as bochechas, os olhos, o cabelo tudo sujo. E fala enquanto come. E quer levar a mão e o pé à boca, e também acabam por comer.

Quando tem sono, é aconchegá-la ao ombro ou peito, embalá-la um pouco (por vezes esse pouco é longo), até que, nesse conforto e nesse mimo, adormeça.

Recentemente, aprendeu o gesto de bater palmas (a foto é de um desses ensaios). Falta ainda a perfeição na coordenação dos movimentos, manter as palmas abertas e acertar bem com uma na outra. Mas o movimento de lançar uma mão contra a outra lá está, o imitar do gesto que vê os pais fazerem e que estes ensinam o bebé a fazer, pegando-lhe nas mãos e executando-o. Foi a Cristina que o testemunhou pela primeira vez; chamou-me aos gritos e pudemos os dois assistir com entusiasmo e grande festa a esta nova proeza.

Que experiência, esta de ser pai. Nada é mais excitante nem doce, em especial o tempo de bebé. Brincar com a bebé, balançá-la, aconchegá-la. Ouvi-la, falar com ela, cheirá-la. Tudo nela é especial. E esta foi especialmente marcada pelo Criador Deus com uma manchinha de nascença na face direita. Cada dia é uma novidade, uma graça nova, uma proeza nova. E mesmo que nada haja de novo em certos dias, mas apenas a repetição de um gesto, um som, uma atitude, das mesmas coisas que o bebé já sabe, representa para um pai a reedição da novidade, que ele saboreia deliciado.

terça-feira, julho 15, 2008

Ingrid Betancourt e ZIdane



Não sabemos que não há seres humanos perfeitos (não falamos de Jesus, obviamente)? E que não há bela sem senão?
Não é que Ingrid Betancourt teria afirmado, em entrevista a uma revista francesa, que "adorou" a cabeçada Zidane deu no italiano Materazzi, na final do campeonato do mundo de futebol de 2006. O próprio Materazzi,admitira que provocara jogador francês.
Contra os métodos violentos das FARC e de todos os corruptos e narco-traficantes da sua Colômbia, Betancourt tem usado a força da inteligência. Zidane, ele próprio, não deixa de concordar. Contra as provocações dos adversários, é preciso é usar a cabeça.

Um FARCuinho comunista


A libertação de Ingrid Betancourt e de outros catorze reféns das FARC (Forzas Armadas Revolucionarias de Colombia) a 2 de Julho foi motivo da apresentação de votos de congratulação na Assembleia da República, como nos demais países europeus. Dois votos foram apresentados: um apresentado por PS, PSD e CDS-PP, o outro pelo PCP.
O primeiro voto classificava as FARC de grupo terrorista, repudiando as suas actividades, e foi aprovado com voto contra do PCP e a favor dos demais partidos. O segundo voto, por sua vez, proposto pelo PCP, foi rejeitado, com votos a favor do pleno da esquerda à esquerda do PS e dos partidos de centro-direita.
O PCP recusa-se a classificar as FARC de organização terrorista, a despeito dos seus métodos, a que não são alheios, por exemplo, a ameaça de morte que pesa sobre os seus membros que, na luta militar e de espionagem contra o exército estatal, deixem escapar um prisioneiro ou se deixem tocar por um pouco de compaixão, à revelia das chefias.
No seu voto, o PCP prefere um registo neutro de satisfação por esta libertação e mostra insatisfação por esta luta de décadas, com prisioneiros e mortos de cada lado. Ao fim e ao cabo, como salientam os restantes partidos de esquerda, o mal não está apenas de um dos lados, e de ambos os lado há vítimas (como o próprio PCP assume). Não bastando porém isto, logo a seguir borrar a pintura, desancando somente no "fascista" do Presidente da Colômbia, Álvara Uribe e descarregando toda a sua bílis, como era previsível, sobre os EUA, com o blá blá blá do costume. A famosa cassete.
O PCP mantém-se fiel ao que sempre foi. Revela, mais uma vez, que nada aprendeu, e que a fidelidade à ideologia e às simpatias partidárias falam mais alto do que a justiça em sentido absoluto. Assim é fiel ao saudoso pai dos povos Estaline, como ao comunismo dinástico de Pyongyang. É a mesma fidelidade que tem ao Fidel. A tirania de direita é má; aquela que se proclama de Marx, Lenine, Estaline, da família Kim, de Mao, de Castro e Che Guevara é sacrossanta e libertadora. Não importa que haja homicídio, tortura, massacres, coacção, roubo e saque no currículo destes senhores. O genocídio cultural do Tibete pelos comunistas de Pequim é uma bagatela para o PCP. Apesar da semelhança em relação à estratégia do "direitista" e imperialista pró-americano Suharto aquando do domínio indonésio em Timor Oriental, colonizando os territórios dominados com populações de funcionários, elites e militares da etnia dominante no governo (estratégia que os Romanos e outras puseram em prática).
A proverbial "coerência" de Álvaro Cunhal e seus herdeiros é de facto — já as mentes sensatas o sabiam há muito — incoerente. O pior é que o PCP se mantém prisioneiro destas insanáveis contradições. Teria sido escandaloso não se congratularem, de todo, pela libertação dos reféns. Na sua contragutalação, porém, limitam-se a um shame on you, mister Uribe, and on you, mister Bush, and on those before you! A santidade revolucionária das FARC, debaixo do pétreo silêncio do PCP a seu respeito, permanece imaculada.

Ter-lhes-ia feito bem atentarem um pouco no percurso político dessa senhora, ex-candidata presidencial. Antes e depois da sua captura e libertação, lutava politicamente contra a corrupção, o rapto, o homicídio, o tráfico de droga, tanto de um lado como do outro. Se Álvaro Uribe, por exemplo, é suspeito de tráfico de droga para financiar o seu poder, as FARC, ao que parece, recorrem ao mesmo meio para adquirir armamento.

Quem não quer aprender, como o PCP, não só fica ignorante como de nenhuma utilidade serve.

sábado, junho 28, 2008

Exposição online de cadernos de Fernando Pessoa


Imagens digitalizadas fac-similadas de espólio de Fernando Pessoa, com descrição dos manuscritos, no portal electrónico da Biblioteca Nacional, do poeta sempre desafiador que sentia a pensar, aqui!

sexta-feira, maio 30, 2008

Verdade conveniente



As árvores já têm copas de lava
de tão violentadas as águas do rio
exibem fissuras nos dedos
os ursos polares têm calor em pouco gelo
ao sol.

O que antes foram cedros e figueiras e abetos
não são hoje cardos?
E não pode a água fluir límpida
da boca do ventre?
Cessarem os sacrifícios de canários em minas de carvão?
Não basta o sangue de um só para lavar as suas entranhas?

Tirar o cinto que garroteia as nuvens
e retêm os mananciais na esponja e a luz
a rega precoce e tardia que fala e beija a terra
e alimenta com a profecia os chacais e as avestruzes
as bestas selvagens do ermo?

Vamos, filhos do Rei, que não é a hora de a rocha
emanar a lava, mas de estancar o vómito aos vulcões!
Manifestai a vossa glória de príncipes!
É a hora de plantar os lírios e colher o vetusto jardim
de deixar que os ossos enterrados sejam as raízes
da árvore da vida.
De rasgar no deserto a via por onde passarão os exércitos!
De fazer brotar o rio das ânsias de parto do pesadelo!

(27/05/08 Após ver o filme An inconvenient truth e correr a ler Paulo, Carta aos Romanos 8:19 “Porque a ardente expectação da criatura espera a manifestação dos filhos de Deus.”)

domingo, maio 18, 2008

Look who's talking! Conversa com a minha filha de 3 meses e 3 semanas


Foi no sábado de manhã. Pousei o maxy cozy com a minha filha Caroline no banco traseiro do carro e passava-lhe o cinto de segurança à volta. Já antes tinha saído com ela, a levar a minha mulher ao trabalho, uma segunda vez, em visita a uma casa para comprar, e saíamos pela terceira, para uma reunião no nosso banco para tratar do pedido de crédito.
Prendia o cinto e…

– Papá, aonde vamos? Já é a terceira vez que me levas a passear esta manhã.
E como ela gosta de passear. Quantas vezes a chorar por ter sido posta mais uma vez naquela cadeirinha afinal ela não acha tão cozy assim, basta dar à chave, meter a primeira e pôr as rodas em movimento para se aquietar e adormecer!
– Vamos ao banco, filha.
– O que é banco?
– Um banco é um sítio onde vamos falar com uns senhores e pedir-lhes dinheiro.
– Aaahhh... E precisas de dinheiro, papá?
– Sim.
– Ah, isso é coisa dos grandes. Os grandes é que pensam muito em dinheiro. Acordam a pensar no dinheiro. Vão trabalhar e cansar-se fora por causa do dinheiro, adormecem a pensar em dinheiro, sonham com dinheiro. Ou nem chegam a dormir por causa do dinheiro. Preocupam-se muito com o dinheiro, se não o têm e o desejam ou se o têm em excesso e não sabem o que fazer com ele. Zangam-se uns com os outros por causa do dinheiro, casam-se e separam-se por causa do dinheiro. Matam e matam-se por causa dele. Deprimem-se por causa dele. Os grandes vivem para o dinheiro.
– Ah, sim, filha, pois…
– Nós, os pequeninos, não precisamos de dinheiro. Nem sabemos o que é. Temos mama e biberão, pegam-nos ao colo, dão-nos banho, mudam-nos a fralda e a roupa, limpam-nos o bolsado, levam-nos a passear, embalam-nos, abanam-nos, fazem aviação connosco, riem, enchem-nos de beijinhos e carinhos, sorriem, cantam, balbuciam para nós, imitam-nos e deliciam-se com o nosso "arrreee" e falam "bebesês" connosco. Acorrem a toda a velocidade quando choramos, às vezes mais tomados de aflição e desespero do que nós mesmos. Não precisamos de dinheiro.

Uma lição de sabedoria da minha filha de 3 meses e 3 semanas.

sexta-feira, maio 02, 2008

Don't cry, Maddie!



Completa-se um ano sobre o caso mais mediático de sempre no mundo de desaparecimento de uma criança. Toca-nos a nós, Portugueses, porque se passou em Portugal.
Não quero dar a minha opinião nem botar palpites nem sentenças sobre quem presuma ser o culpado, se houve assassinato acidental ou propositado, com desembaraço do corpo, ou rapto. Se os pais montaram um grande esquema para encobrir uma eventual culpa, ou se simplesmente moveram mundos e fundos na busca da sua filhinha, como se calhar casal de pais faria se pudesse. Nem se o arrastamento ou a não resolução deste caso interessa a alguém. Nem quero filosofar sobre a razão porque, dentre tantos milhares de crianças desaparecidas no mundo, inclusive em Portugal, teve este caso tão grandes atenções das autoridades policiais, da comunicação e da opinião pública. Agora que outros casos vamos conhecendo de abusos de crianças e adolescentes, por vezes pelos próprios pais (como o caso daquele senhor austríaco que sequestrou durante 24 anos e gerou filhos dela).

Quero apenas invocar a criança, o elo mais fraco. A quem ninguém perguntou nada, e isenta de malícia para ser cúmplice do seu próprio desaparecimento. Invoco apenas a sua memória, como símbolo da colheita demoníaca que é fazer mal a uma criança. Em qualquer parte do mundo. Porque delas, das tais crianças, simples de coração, ingénuas, prontas a acreditar no amor dos grandes, dependentes, rápidas a ser cruéis – é certo – mas também a perdoar e esquecer; ainda sem noção do bem e do mal – e por isso herdeiras, mais do que ninguém, do Reino de Deus. Essas crianças que, sentadas no seu colo e saltitando ao seu redor, Jesus abençoou (Marcos 10:13-16), e nestas todas as crianças do mundo, esperança do futuro.

E quero dizer-lhe – embora tenha noção que ela não lerá estas palavras: don't cry! Estas foram as únicas palavras que se me oferece dizer-te. O Senhor Deus é o teu criador. Ele diz que, mesmo que uma mãe possa esquecer o seu bebé e perder o amor ao filho que ela gerou, ele, o teu Criador, jamais te esquecerá. O teu retrato está gravado na palma das suas mãos (Isaías 49:15-16)! E sei que te fará justiça. Que possas sossegar, pois és habitante do seu Reino! Quem te fez mal, melhor lhe fora se pendurassem uma pedra de mó ao pescoço e o lançassem ao fundo do mar, a enfrentar a julgamento do Senhor (Mateus 18:6). Porque o Senhor tem memória.

E o que te digo não é apenas para ti – mas para todas as crianças do mundo.

sábado, março 22, 2008

Finalmente, a promoção!

A 28 de Maio do ano psssado, relatava aqui um milagre: uma porta aberta de um emprego.
Mal sabia eu que se tornaria um pesadelo, a grande prova, o quente, grande e pavoroso deserto (Deut 8), o calabouço de José.

Durante dias, semanas, meses a fio outra coisa não fiz senão desapertar botões de camisa, separá-las por cores para as lavar. Repetitivamente. Ganhei uma tendinite, dores nos dedos e pulsos, gretas nas mãos e pela seca de todo o dia manipular roupa suja.
A humilhação do chefe e do patrão que insistiram em me manter na função mais baixa na empresa (ainda que todos sejam pagos pela mesma tabela mínima), que jamais pagam e compensam acima do mínimo mas exigem sempre mais do que o máximo a toda a gente, e para quem os empregados são meros números e sempre devedores.
O sentimento de revolta, de não aceitação que tive de possuir e dominar, a sensação de ter sido esquecido por Deus e a incompreensão que a essa sensação dava.
As portas que continuavam a fechar-se.
O ambiente baixo, de linguagem ordinária, de maledicência.
A luta existencial, o sentido de falta de propósito, de ter perdido a noção de qual seria realmente a vocação da minha vida.
A luta interior, sacrificando em louvor a Deus mediante a apresentação da gratidão pela humilhação e provação, porque a fé provada é mais preciosa do que o ouro mais fino e porque a humilhação precede a exaltação. Fazia-o pela fé, decidido diariamente a crer nisso e confessando-o, a chamar à existência o que não existia como se já existisse, desprezando e passando além do que deveras sentia. Por vezes, acaba por dizer o que não devia e deveras sentia, e expressar desapontamento e frustração. Desilusão com Deus e com a vida.
E as portas – todas as portas – continuavam a fechar-se

Fazer o melhor, sempre, esforçar-me e a procurar na Palavra o ânimo, como se escavasse uma mina de ouro, persistentemente. Decidido a crer que a obediência precede a recompensa, que a fidelidade no pouco atrai a promoção ao muito. Que Deus efectivamente me colocara nessa provação e que só Ele, quando o entendesse, dela me livraria.

A manter a minha língua isenta de maledicência, de críticas ao chefe e ao patrão, mesmo quando ouvia e referia entre colegas as más atitudes de um e de outro, mesmo quando grande parte dos empregados (entre os quais eu) decidiu sindicalizar-se para melhor defender-se. Nunca ter saído da minha boca palavra de desonra.

Não sei dizer quantas vezes chorei, nem conto já os domingos, que deixaram de ser o cume almejado da semana, de ida à casa do Senhor e de comunhão com os irmãos, para serem a véspera de segunda-feira!

Na segunda semana de Fevereiro, ao cabo de sete meses (quando o Código do Procedimento Administrativo prescreve 30 dias) de espera, é-me finalmente dada razão no recurso à FCT que interpus face à recusa da bolsa de pós-doutoramento.

Veio a recompensa. Posso alegrar-me que a fidelidade no pouco produziu a recompensa de Deus.

GLÓRIA A DEUS!

quinta-feira, fevereiro 21, 2008

Ser pai…




Ser pai… humm…

A aventura de um pai em início de carreira.
Pegar nos braços, segurar a cabecinha para não tombar, mudar para o outro braço, falar com ela, rir para ela, elogiá-la com muitos diminutivos e palavras de doçura, chamá-la, mimá-la, profetizar para ela um grande futuro em Deus, enchê-la de beijinhos, acariciá-la, apreciar cada esgar facial, cada boquinha, cada beicinha, franzir de sobrolho, esboço de sorriso. Limpar-lhe os beiços quando bolsa, cheirá-la para saber se fez chichi e cocó, mudar-lhe a fralda, despi-la, dar-lhe banho, vesti-la, limpar-lhe o nariz e as orelhas com um cotonete molhado em soro.
Correr ansiosamente a cada um dos seus choros, pegar nela, pôr-lhe a chupeta, embalá-la nos braços, dar-lhe palmadinhas no traseiro, sentir-me impotente quando chora de cólicas. Rir quando dá umas flatutências e chamar-lhe "cagona!"
Ter de a dar à mãe quando penso que falhei em consolá-la, e ficar ciumento porque o cheiro da mãe e a promessa da mama da mãe a tranquiliza mais do que nada.
Dormir intermitentemente de noite com os seus ciclos de choro e sono.

Ter um coração que ama, que protege, que cuida, mas que ainda não definiu bem os sentimentos que tem, pois o meu ventre não a suportou. Mas um coração que está a descobrir, a aprender.

domingo, janeiro 27, 2008

Caroline Sophie n. 26/01/08 A filha da promessa




Nasceu a nossa filhinha querida. Às 23h25 locais (TMG +1) de sábado no Hôpital de Mont Saint Martin (Meurthe-et-Moselle, Lorena, França).
E todo o evento encerra um milagre e está marcado com a assinatura inconfundível do Senhor. Não um milagre como o da maravilhosa concepção biológica de cada ser humano, e moldado espiritualmente à imagem do seu Criador, como uma obra de arte única e irrepetível, de que fala o Salmo 139. Refiro-me a uma intervenção de Deus na forma como, no domínio natural, interveio na resolução de uma ou outra situação que requeriam tal intervenção, geriu sobrenaturalmente a agenda do evento e dos envolvidos (pais, avós, irmã), e o esvaziou de tensão e excessivas dores.



Em primeiro lugar, ela é linda! Perfeita! Carinha redondinha. Tão pacífica, quase só dorme, praticamente não chora, não reclama, reage bem. Só quando tem fome e frio, e mesmo assim um choro breve, que em poucos segundos cessa. E digo que é — dirão os leitores — como qualquer pai o diria de um filho ou filha. O juízo estaria viciado pelo interesse emocional envolvido. Talvez. Mas nem por isso deixa de ser linda.

Os primeiros exames pediátricos revelaram saúde.

Contarei as circunstâncias da concepção e nascimento. Quem leu a mensagem de 4 de Novembro de 2006 "De volta…" decerto se lembrará do relato que fiz da descoberta da gravidez da Cristina e do aborto às oito semanas, e o abalo que trouxe à esperança que tínhamos em ter uma menina. A Cristina fizera e consagrara votos antes do casamento por uma menina, eu próprio alimentara esse desejo no coração durante anos, mesmo antes de conhecer a mulher com quem me casei.

Todavia, a promessa de Deus foi mantida.

Consumou-se a nova gravidez, dura, preenchida de dores e desgaste físico, de azia, problemas de circulação, noites de ansiedade e insónia.
Entre os dias 18 e 27 de Janeiro, decorreu no Luxemburgo uma conferência de cura, organizada por três igrejas (lusófona, anglófona e francófona), com o evangelista Billy Smith, em que testemunhámos a confirmação de que ainda hoje Deus cura em nome do Seu Filho Jesus em resposta à fé (eu próprio senti alívio instantâneo de dores nas mãos). Numa das noites (quinta 24) o servo de Deus orou a favor de uma senhora grávida, no fim do tempo tal como a Cristina, por um parto de menos de três horas. Senti-me desafiado por essa oração e pelo testemunho de provisão financeira em momento de grande necessidade na vida de outro irmão, e a minha oferta dessa noite foi semente na esperança de um parto normal, rápido e reduzido ao mínimo de dor para a Cristina. Os meus pais pediam a Deus uma hora pequena para a Cristina, e meditaram no Salmo 100. Na quarta 24 os meus sogros vieram da Alemanha passar uns dias connosco. Eu e a minha sogra andávamos a tentar convencer a Cristina uma noite à conferência. Na noite de sexta, a Cristina, que de maneira nenhuma queria sequer sair de casa, achava-se melhor, pois tinha dormido toda a tarde, sentia-se fisicamente menos dorida, e finalmente manifestou ela própria a vontade de ir à conferência. Nessa noite, o irmão Billy Smith fora dirigido a separar um momento para orar pelas crianças. Seria uma ocasião apropriada para a Eunice e para o nascituro.

Billy Smith impôs as mãos sobre o ventre da Cristina e denunciou a existência de um pequeno problema, que seria porém resolvido. A Cristina sentiu nesse momento o ventre rodar internamente. Num curso de preparação para o parto para futuros pais e mães que frequentávamos na maternidade, ficáramos a saber que umas posições melhores do que outras para o bebé. A melhor posição é aquela em que o bebé se apresenta de cabeça, mas mesmo esta tem variantes que tornam o parto mais ou menos rápido e fácil, tanto para a equipa médica e de parteiras como para a mãe e bebé. Depende de o dorso deste estar virado para um dos lados em relação ao corpo da mãe, esquerdo ou direito, interno ou externo. Ecografias haviam revelado que a Caroline se achava de cabeça para baixo, mas virada para o lado menos adequado. Esse era o pequeno problema revelado, e que percebi que ficava nesse momento solucionado. E o servo de Deus pediu às demais mulheres grávidas presentes na sala que impusessem as mãos e com ele intercedessem pelo mesmo motivo de dois dias antes: um parto de menos de três horas. E profetizou que a nossa menina seria filha da alegria.

No sábado a Cristina passou o fim da tarde com contracções regulares. Sacos no carro, e entrámos nas urgências pouco antes das 20h30. Às 20h42 estava ligada a um electrocardiógrafo, com as contracções e os ritmos cardíacos de mãe e filha monitorizadas. O colo do útero tinha um dedo de dilatação. Era certo que passaria lá a noite, mas incerto que o parto tivesse lugar.
Uma hora e um quarto depois, as contracções continuavam, com pequenos intervalos. Fizeram-lhe uma perfusão para provocar o parto e conduziram-na à respectiva sala. Acompanhei-a. Ela pediu a epidural, mas o colo do útero dilatou tão depressa que não houve tempo para chamar o anestesista. Por volta das 23h00 arrisquei:
— O parto será até às 23h30.
No meio das dores de um parto natural, nascia a Caroline às 23h25. Estava na posição certa para um parto absolutamente rápido e fácil, com o mínimo de dor e complicações. Tranquila, sem um queixume, sem parecer estranhar coisa alguma, dir-se-ia que colabarova conscientemente em todo o processo. Pude terminar o seu primeiro banho. Orar por ela, impor-lhe as mãos e abençoá-la, sossegá-la com o som da minha voz a cantar palavras de amor, de elogio à sua doçura e de louvor a Deus.

Foi o melhor dos partos por que a Cristina passou. Após uma gravidez dura, três outros partos e dois abortos. Anteriormente, fora cortada, rasgada, submetida uma vez a cesariana, passara horas a fio de intenso sofrimento. Desta feita, perdeu demasiado sangue após o nascimento, para se lhe poder retirar a placenta, o que ocasionou quebra dos níveis de glóbulos vermelhos e, consequentemente, anemia. Não sendo porém caso extremo a ponto de receber transfusão sanguínea, uma dieta adequada e comprimidos de ferro promoverão o devido restabelecimento. E foi apenas isso. Uma hora e meia de trabalho parto propriamente dito e, desde a entrada na maternidade, cerca de duas horas e três quartos. MENOS DE TRÊS HORAS!

O bom Deus assim cumpriu. Sem acrescentar dor. E a visita dos avós maternos foi presenteada com o conhecimento da neta. Agora, estão cá os outros avós, os paternos. Todas as circunstâncias foram dirigidas e bem encaixadas pelo Mestre escultor e Senhor das nossas vidas.

Começou uma aventura…

sexta-feira, novembro 02, 2007

Design Inteligente e evolucionismo

Para os interessados nos debates entre Darwinismo e Design Inteligente, entre Evolucionismo e Criacionismo, é de visitar Design Inteligente.
Aí encontrarão algumas notícias, reflexões, extracções de artigos e livros sobre o tema.
Se és daqueles que torce o nariz à história da carochinha da evolução amiba-até-ao-homem, colherás alguma informação interessante, ao mesmo tempo que te rirás com o tatebitate, e a "fé" com que os maiores profetas do evolucionismo (caso do inefável biólogo ateu Richard Dawkins) pregam a sua doutrina. Porque é mesmo de rir. Se, porém, és dos que juram que a evolução é um facto, será caso para pensar um pouco, te auto-questionares e pelo menos adoptar atitude de humildade científica, admitindo que podes ter de estudar melhor...

sábado, setembro 29, 2007

Boas e más notícias II: a boa notícia

Na segunda-feira, a ecografia e os resultados da amniocentese revelaram que a criança esperada é uma menina. E que se encontra bem.
O meu desejo e oração de há muito era por uma menina.
E já tem nome: Caroline Sophie. Com sonoridade francesa. Como vivemos em França e por aqui contamos viver ainda uns anos, teríamos de suportar o horror de ouvir a pronúncia Carroliná Sofiá, em francês! Só por isso a opção pela fonologia local. Em Portugal, se no nosso país não autorizarem o galicismo, será naturalmente Carolina Sofia, ou Sophia. A Cristina, a mãe, é Christine de resgisto francês, mas Cristina foi obrigada a ser ao regressar a Portugal aos 10 anos. Como a criança terá um dia dupla nacionalidade, pode perfeitamente ser nomeada à francesa em França, e à portuguesa em Portugal.
O princípe Charles de Inglaterra é Carlos em Portugal, a mãe Elisabeth no seu país e Isabel no nosso. Pas de problème!
Quanto à razão da escolha, queríamos que o nome fosse uma declaração profética do que confessamos sobre a criança e que cremos será parte da sua vida (procedimento correntemente atestado nas culturas humanas, hebraica bíblica e não só). Carolina (ou Caroline) como homenagem à bisavó e porque este nome é forma feminina de Carolino, derivado de Carlos, por sua vez proveniente do germânico Karl, ao que consegui saber, com o sginificado de de "forte, viril". Sofia (variantes Sophia e Sophie) é grego, e significa "sabedoria".
O nome desta criança será pois um híbrido e significará "forte sabedoria". E assim cremos que a sua vida assim o confirmará.

Boas e más notícias I: a má notícia


Maria Carolina, minha avó, 6/06/1923 - 23/09/2007

Na sequência de um AVC e 7 horas de coma, expira a minha avó materna. Quase ao cabo de uma semana de aparecer com um pé roxo e frio e de internamento, e quando o seu estado dava sinais de evolução positiva.
Todos nós, na nossa família, nos lembramos do seu humor e boa disposição. Fomos tocados pela candura do seu coração, pela simplicidade, ingenuidade, ternura, simpatia, lindo sorriso com que se relacionava com os outros. Mostrava-se generosa e sempre pronta a acreditar nos outros e simples na sua fé. Era uma simplicidade de criança, sem malícia. As experiência de vida que lhe endureceram o carácter (só chorava quando se comovia com um filme ou telenovela, ou com os netos, e nunca a conheci com tendência para se deprimir ou se lamuriar), respondia com humor. Um exemplo foi — contaram-me — quando deu entrada no hospital. O médico perguntou-lhe como se chamava e ela respondeu: Maria Carolina Roseira Martins. Nisto, toca na mão do médico e pergunta-lhe se gostava do seu nome. Ao que ele respondeu que sim, que era o nome de pessoas importantes, como a Princesa Carolina do Mónaco. Ao lhe perguntarem quem a acompanhava, terá apontado para a filha, minha mãe, e terá gracejado que esta estava muito acabada! Queixou-se da sopa que lhe serviram, que qualificada como “água de lavar couves”! E mostrava-se lúcida e consciente do seu estado de saúde e da idade que tinha, com dúvidas de que chegaria a ver o bisneto. Houve tantas outras situações em que nos rimos com ela, por coisas comentários ou observações ditas com graça a propósito de tudo e de nada, às vezes por ignorância, em virtude do seu baixo nível de estudos, ou simplesmente por simplicidade infantil, tantas que não me consigo agora lembrar de nenhuma em particular. Fizeram parte da nossa vida em comum durante os 38 anos em que fui seu neto. Destaco apenas as mais recentes situações, por serem as mais recentes e por serem reveladoras desse humor de quem parecia passar ligeira pela vida.
Todos nós nos fomos habituando à sua presença. E, apesar de a saúde, a robustez, agilidade física e intelectuais diminuírem, as dificuldades na saúde se acrescentarem (normal com o avançar da idade), fui-me (fomo-nos) acostumando a ver os seus anos acumularem-se. A sua presença tranquila e doce impunha-se. E resistindo a braços fracturados, quedas ou constipações. Como a Duracell. Inconscientemente, sabia (sabíamos) que mais tarde ou mais teria de partir, até por ser a mais velha da família. Mas vê-la durar dava a impressão de que ainda a veríamos testemunhar o nosso próprio envelhecimento, e acomodei-me (acomodámo-nos) a isso. Pessoalmente, esperava que ainda conheceria a sua bisneta. Partiu na véspera de saber que a criança esperada é uma menina, ao menos isso, pois teria de viver até fim de Janeiro para a conhecer.
Assim o Senhor não fez. E embora esteja triste por isso, e muito me custe que ela não venha a partilhar desse momento por vir, sou imensamente grato a Deus por ter prolongado os seus anos até aos 84. Bonita idade. E por ter permitido que não sofresse, por não ter passado uma dolorosa sobrevivência a um acidente vascular cerebral. Grato ainda muito mais por tê-la tido como avó e como pessoa. Pela bênção que foi para mim. Por tê-la amado tanto e ter sido igualmente tão amado por ela. Posso dizer que, ao contrário do que sucede com muita gente, que nestes momentos expressam remorsos e concluem por não terem presenteado o familiar falecido com bastante amor, carinho, simpatia, atenção, tenho paz no meu coração por — apesar de algum afastamento meu a partir de 1991, em virtude da minha vida profissional, tendo saído da casa dos meus pais e passado a residir longe da Amadora, com visitas de longe em longe, curti (passo o termo) a minha avó velha. Aproveitei-a bem. Não posso dizer: não lhe expressei amor as vezes suficientes. Não sinto que lhe ficasse a dever alguma coisa. Não. Recebi e dei.

Chorei convulsivamente quando recebi a notícia do AVC, orei, clamei a Deus em desespero, lutei contra qualquer influência que Satanás tivesse nessa doença. Ao receber a notícia do desfecho, não chorei tanto. Era um desfecho previsível e natural, face ainda à ao quadro de arteriosclerose e diabetes, pois deste lado da eternidade ainda estamos sujeitos à morte física, apesar de Deus ser Senhor de milagres e da cura. E é possível que ainda venha a chorar… então, que chore tudo o que tiver a chorar, pois, se a vida continua, nem por isso se deixa de chorar quando se sofre uma grande perda.
É pois desta velhinha querida, a minha velhinha, que me despeço, que digo adeus no meu coração. Que descanse em Jesus tinha sido a minha oração por ela, pois quem quer que invoque este nome será salvo (Actos 2:20).

sábado, setembro 15, 2007

Mais bebés na família!

Ficámos a saber que o meu cunhado José Fernando, irmão da Cristina, também vai ser pai, no Brasil. O nosso bebé nascerá no início de Fevereiro, o nosso sobrinho em Maio.
Grande geração de profetas se avizinha!
Parabéns ao Zé Fernando e à Zelinda!

domingo, julho 15, 2007

Primeira foto oficial do meu bebé


Dia 9/07/07 com 12 semanas de gravidez e 5,35 cm de dimensões.
Foto a 3D de Ecografia. Levanta os braços à cabeça e o ginecologista (Hôpital Mont Saint Martin) tira o instantâneo. Segundo o médico, dizendo:
— Ai que pais tenho eu!
Quanto a mim, expressão de louvor ao Senhor.

quarta-feira, julho 04, 2007

Vou ser pai


A Cristina está grávida, novamente. Vai em cerca de 12 semanas. Tudo bem, excepto que ela está com constantes indisposições, o que não deixa, no entanto, de ser normal. E vai, como se prevê, passar toda a gravidez de baixa, dada a natureza do seu trabalho, a 5 à sec, de pé, em esforço.
Glória a Deus!!! Em Outubro, morreu-nos a Melissa, aquela que teria sido uma abelhinha (significado deste nome em grego, e que sempre desejei dar a uma filha). Se de facto de uma menina se tratava — mas um dia dia a conheceremos, ressurrecta. Mas esta criança será nossa, pois é promessa de Deus para nós. E como João Baptista, protetizo que será cheia do Espírito Santo ainda em feto, e como Jeremias já é conhecida e foi chamada, para ministério profético.
Será a minha querida — assim desejamos — filha.

Na segunda-feira, a primeira ecografia.

Que alegria!

domingo, junho 17, 2007

Mariza no Luxemburgo


No sábado 12 de Maio, no Grande Auditório da Philharmonie do Luxemburgo, concerto integrando no programa de Luxemburgo capital europeia da cultura 2007. Sala cheia, esgotada desde havia muito. Público de Portugueses, Luxemburgueses e outros (ouvi falar espanhol cá fora) rendido. O muito mal que a Mariza fala francês está desculpado pelo português que falou e cantou poetas do seu país. Memórias da sua e nossa terra, com cheiros de África, na frieza desta Europa que descobriu este calor do fado. E nós, Portugueses, redescobrimos.
Que pena que outros não falem esta língua, que, "que com pouca corrupção crê que é a latina", como escreveu Camões (Os Lusíadas 1.33). Não sei, por isso, quem serve quem, se foram os poetas portugueses que escreveram para a Mariza os cantar, ou se a foi a sua voz que nasceu para os cantar.
Convite já para voltar no próximo ano.
Noite momorável para mim e a Cristina.

segunda-feira, maio 28, 2007

Finalmente, um milagre!

Um milagre.
E se ainda o não pude relatar, foi especialmente por falta de tempo. Mas este é um motivo que bem mais se pode tornar desculpa, e ser revelador de alguma ingratidão. Porque o que é bom é para testemunhar, e o Espírito de Deus lembrou ao meu espírito as palavras da Escritura: não desprezar o dia das coisas pequenas, dos pequenos e modestos começos.
Estava eu para regressar a Portugal, pois nenhuma porta se abria aqui, e em Portugal tinha-me sido atribuído serviço numa escola em Mafra, como professor do quadro da zona pedagógica do Oeste, até ao fim do ano lectivo. Teria, na sequência, de concorrer para o próximo ano a afectação a escola. Após isso, e se tivesse de ficar em Portugal, a Cristina iria ter comigo em Setembro com a filah. Teria assim que o plano de Deus seria o nosso regfresso.
Deveria ser-me enviado um ofício por e-mail, a confirmá-lo. Regressar a Portugal era a solução menos desejada, por me obrigar a separar-me da minha mulher.
Como o ofício demorasse a chegar, o meu pai soube que tinha sido enviado para um endereço electrónico errado, por volta do dia 20 de Abril! Rectificado o erro, recebi novo e-mail da DREL no dia 2 deste mês, com instruções para me apresentar até ao final (sexta dia 4) dessa semana na escola. Consumava-se o facto de ter de partir para Portugal, e a tristeza da perda de todos os sonhos enchia-me a alma. Não só Deus porta alguma abrira, como também teria de me separar da minha mulher. A única coisa que consegui foi negociar com a escola, por telefone, pedir mais uma semana, pelo menos, para me apresentar, justificando o facto com motivos familiares e por residir no estrangeiro, tendo de fazer uma exposição por correio electrónico. Fá-lo-ia até essa sexta-feira. O possível regresso a Portugal, que aceitáramos pudesse ser a boa, perfeita e agradável (embora incompreensível e bizarra) vontade de Deus para nós, e por isso a ela só nos restaria a submissão era iminente. Eu compremetera-me a responder até sexta-feira. de E a dor agudizava.
E orávamos, há algum tempo, pelo milagre de uma solução para eu ficar. Cremos, e outros connosco, que o Senhor o poderia fazer, ainda que no limite. Não seria já o primeiro caso.
Na quinta-feira dia 3, dizia eu ao meu pastor, por telemóvel, que a minha partida era decisão necessária e tomada, liga-me a Cristina para po fixo, para me comunicar com urgência que o patrão de uma blanchisserie com que a 5 à Sec trabalha tinha ele próprio ido fazer as entregas à loja pois um dos empregados estava doente, e necessitava imperativamente de contratar um homem para serviço misto de oficina e entregas. Ficou eufórica! Logo ela falou de mim. E eu deveria apresentar-me, se quisesse, no dia seguinte, sexta, às 7h30, para trabalhar. Sem entrevista. Início imediato. A 4 de Maio.
Nas horas vagas — que agora são em menor número — lá me vou dedicando aos tais outros projectos.

quarta-feira, março 21, 2007

De volta a velhos projectos



Ainda à espera da porta aberta em termos laborais, estou de volta a velhos projectos. Designadamente, o da tradução da Bíblia, no âmbito da revisão da tradução interconfessional em Português corrente "A Boa Nova".
Couberam-me alguns dos apócrifos (ou deuterocanónicos) do Antigo Testamento, redigidos em grego (como não sei hebraico, nenhuma contribuição pude ter nos canónicos). No momento, ocupo-me do 2º de Macabeus.
Entre a leitura e a compreensão do texto grego, a comparação com outras versões (entre as quais as portuguesas dos frades capuchinhos e uma inédita da Sociedade Bíblica do Brasil) e a busca do melhor equivalente de cada vocábulo e de cada expressão, num português corrente mas primoroso, e que não traia, tanto quanto possível, a literalidade e literariedade do original, o trabalho prossegue, devagar.

terça-feira, fevereiro 27, 2007

Estado da NAÇÃO

Após a vitória do "sim" no referendo "fracturante" sobre a despenalização (na verdade uma liberalização) do aborto e quando o Ministério da Educação propõe, entre os critérios de pontuação dos candidatos à nova categoria de professores titulares, a falta de assiduidade "independentemente da sua natureza", como reza o artigo 8.º 11.b) (incluindo licenças e dispensas, por doença, maternidade, amamentação, assistência a familiares, nojo, formação, cumprimento de obrigações, etc.) , caso único — e ilegal — entre as profissões em Portugal, transcrevo um comentário de uma leitora à notícia do Público online a este propósito. Sintetiza brilhantemente o estado do do Estado e da nação portuguesa. Em particular sob a governação socrática, pouco inspirada porém na filosofia do antigo homónimo de Atenas, que esse dizia "só sei que nada sei", ao seja, tudo estaria por descobrir e investigar mais. O Sócrates português, e seus inspirados ministros, pelo contrário, pro-activamente agem como se soubessem que tudo sabem.

"Parece impossível mas é verdade...Os dirigentes ...
Por Antónia Portugal - Lisboa
Parece impossível mas é verdade... Os dirigentes socialstas estão empenhados em criar um modelo de desenvolvimento do país baseado na mão de obra barata e precária ( ministro da economia); no sacrifício dos trabalhadores e das suas famílias ao trabalharem mesmo doentes e claro que nunca devem assistir familiares ou pensarem sequer em terem filhos e devem ter de preferência contratos precários (ministros da educação e da segurança social); no envelhecimento da população activa, sem a devida assistância médica - fecho de urgências e maternidades e no impedimento da renovação das gerações - desinsentivo à natalidade e apoio ao aborto - ( ministério da saúde)... ASSIM NÃO!!! Por este caminho, o país irá afundar-se e a sua população voltará a níveis de vida semelhantes aos do Estado Novo... SERIA UMA VERGONHA INTERNACIONAL..."

Lemos. Mas agora, como cristãos, não nos é encomendado que apontemos o dedo. Face ao erro, oremos pelos governos e principalmente por que Deus levante o Seu povo para cumprir a missão que lhe é dada: ser a luz, guia, condutora e segurança social das nações (Isaías 60).

Notícia de um futuro próximo: Aborto clandestino aumenta entre a classe docente

Pois é. As professoras portuguesas terão mesmo de abortar para não faltar por maternidade. Mas como abortar pode igualmente implicar faltar, restar-lhes-á de duas uma: ou o aborto clandestino (rápido, tudo fica despachado numa manhã ou numa tarde, sem pós-operatório, com alta ultra-rápida) ou o planeamento familiar com opção pelos zero filhos, ou a abstinência sexual.
É o que decorre do resultado do referendo e das novas propostas do governo.
NÃO PERCA, JÁ A SEGUIR!

quinta-feira, fevereiro 01, 2007

Comparticipações na saúde e aborto

Vi há pouco no noticiário da RTP Internacional que os custos dos medicamentos estão a aumentar para os pacientes consumidores. Isto porque, apesar de os respectivos preços terem descido, as comparticipações do Estado também baixaram, sendo que, no cômputo, os clientes das farmácias ficam a perder.
Através de uma rápida pesquisa na internet, fiquei a saber que, ao saber, a a Associação Nacional de Farmácias teria conseguido conquistar o direito a escoar os stocks em armazém aos preços antigos, antes de pôr à venda os novos stocks aos preços novos. Uma estratégia de mercado que dará lucros tanto para o Estado (que assim desinveste na saúde) e para as farmácias, mas prejuízos para os pobres doentes.
O Estado se tem progressivamente descomprometido com o financiamento da saúde e das comparticipações sociais. Os doentes, especialmente os reformados, e
os que sofrem de uma deficiência são os principais prejudicados. E com o actual governo a tendência se tem acentuado, em nome da redução do deficit.
Perante isto, pergunto o que pensam fazer caso o "sim" à "despenalização" do aborto vença o referendo de 11 de Fevereiro, e a maioria que sustenta o governo faça aprovar a legislação conforme a vontade expressa dos cidadãos que votarem. Em coerência, será de esperar que venha a haver alguma forma de comparticipação aos abortos livres — como existe em outros países. Além de se esperar que as listas de espera das instituições públicas de saúde para operações aumentem, na procura e no tempo de espera, uma vez que será necessário cativar espaços e recursos para os abortos até às 10 semanas, pois este tipo de intervenção é incompatível com longas esperas.
Ou então começaria por comparticipar, para depois reduzir tais comparticipações. Afinal, seria apenas mais um corte orçamental, como tantos outros, em tantas áreas. E a batalha pelo aborto "despenalizado" seria mais uma
paixão de um governo de Portugal: forte, intensa, publicamente jurada, mas fátua, rapidamente esvaziada.
Como quer que seja,
se o governo e o partido que o suporta não comparticiparem, ou se comparticiparem pouco, faltarão às promessas e frustrarão as expectativas lançadas na campanha, e a novo lei, deste modo, nada alterará quanto ao mal do aborto, clandestino ou legal. Pior será se mantiverem tais comparticipações, sustensadas pela inevitável redução de outras. Neste caso, foi quem os elegeu com esperança de mais atenção e sensibilidade social que se sentirá defraudado.

Com esta revolução, prepara-se a iniquidade de desinvestir na vida e de subsidiar a morte. Além de que, um dia (repito: se o "sim" vencer), quando se fizer o balanço, este será negativo. E o governo e os deputados da Nação apoiantes da "despenalização", hoje em exercício, serão responsabilizados?

Em França, onde existe uma lei de liberalização, e onde os abortos são comparticipados (como, repito, em outros países), já há quem deseje voltar atrás, dado o pernicioso efeito sobre a natalidade do país.

São questões simples, do mais elementar senso comum, da parte de alguém que socraticamente assume
ignorância mas que se pergunta, que aqui deixo. Estou certo de que igualmente muitos outros já se colocaram este tipo de questões. Seria bom que os ingénuos defensores do "sim" pensassem e respondessem.

sábado, janeiro 27, 2007

Primeiras neves em Saulnes, Lorraine (Lorena em português) 26/01/2007

"Batem leve, levemente,

como quem chama por mim.
Será chuva? Será gente?
Gente não é, certamente
e a chuva não bate assim.


É talvez a ventania:
mas há pouco, há poucochinho,
nem uma agulha bulia
na quieta melancolia
dos pinheiros do caminho...

Quem bate, assim, levemente,
com tão estranha leveza,
que mal se ouve, mal se sente?
Não é chuva, nem é gente,
nem é vento com certeza.

Fui ver. A neve caía
do azul cinzento do céu,
branca e leve, branca e fria...
Há quanto tempo a não via!
E que saudades, Deus meu! …" (em BALADA DA NEVE, de AUGUSTO GIL )





Após um começo de Inverno anormalmente doce, ei-la, a leve e fria neve.
Como Augusto Gil, também tinha saudades dela. No ano passado, por esta altura, já caíra, ainda que, como me contam, o grande nevão tenha sido em Fevereiro. Por esta altura, estava em Portugal, em Chaves, na planície, onde não nevara. Sim, só em pontos mais altos. E em Lisboa, e no Alentejo. Eu apenas a vira nos picos das serras.
E graças a Deus, ao contrário de Augusto Gil, que a saudade agora satisfeita da neve não deu lugar à visão desolada dos pés nus de criança enterrados nessa brancura fria, e à pergunta feita a esse Deus por que razão permitira tão injusta visão. A criança, aqui, bem agasalhada, está somente maravilhada, a posar solícita para a foto, e brinca.

Eu e Eunice (ou simplesmente Nice), minha filha (já não lhe chamo enteada) à porta da nossa casa.


quinta-feira, janeiro 18, 2007

Em que Jesus crer?

Recebi esta citação na mensagem diária do portalevangélico, por correio electrónico.
Dificilmente encontrarei uma afirmação tão lapidar a este respeito.

"Hoje, quase no vigésimo primeiro século da era cristã, nós temos uma decisão a tomar. A qual relato devemos dar crédito – ao das quinhentas testemunhas oculares que viveram naqueles dias, ou ao dos cépticos “eruditos” que viveram mil e setecentos anos depois dos acontecimentos? Se nossa decisão baseia-se na evidência e não meramente na aversão pelo sobrenatural, há somente uma escolha: Jesus de facto ressuscitou dentre os mortos."
(Tim LaHaye; Um Homem Chamado Jesus; UP; pp. 295)

sexta-feira, janeiro 12, 2007

Ano Novo

Ano Novo, vida nova — sói dizer-se.
E fazemos planos, e escrevemos alvos e votos. Eu também fiz alguns.
Um deles é a resposta que busco de Deus à petição e à busca que tenho feito: emprego. Porque Ele diz e garante que quem pede recebe, e que quem busca acha. Que temos esta confiança: que Ele nos responde afirmativamente quando oramos segundo a Sua vontade. E que a toda semente produz uma colheita.
Creio e tenho confinça que a porta se abrirá — outra garantia dele. Que Ele mesmo a abrirá.
Só que seja bem depressa… Está a ficar carga para elefante carregar.
Mas com Ele, tenho mais força do que elefante. E creio que este será um ano de abundância para os que confiam nele.
Próspero ano para todos.

sexta-feira, dezembro 22, 2006

sexta-feira, dezembro 15, 2006

Luxemburgo: aventuras no Grão-Ducado



O Luxemburgo é uma espécie de Índia, de Oriente na Europa, para os Portugueses. Um país próspero graças sobretudo aos recursos naturais (minas), à emigração (portuguesa principalmentem hoje de todo o mundo) e a ter-se convertido numa praça financeira. Sendo embora um dos fundadores da União Europeia, é na verdade um países muito fechado aos estrangeiros: para estes, os Luxemburgueses reservam os lugares de empregado, de comerciante, quando muito, mas para si mesmos os de administração, de chefia, de quadros. E há uma certa imagem de eficácia, de organização, de ordem luxemburguesa.
O que denota grande falta de humildade. A soberba procede a queda, como escreveu com acerto o sábio Salomão.
Com efeito, recentemente, essa imagem ficou seriamente abalada: um choque frontal entre dois comboios, um luxemburguês de passageiros e outro francês de mercadorias. Os inquéritos apuraram que a responsabilidade recaía totalmente sobre uma ordem dada do lado luxemburguês para mandar avançar o comboio luxemburguês, sendo que à mesma hora circulava outro no sentido contrário e na nmesma via, por motivos de inutilização por obras na outra.
E há outros pormenores que para mim são anedóticos. Não há um dia em que se não dê com uma estrada cortada ("route barrée"), apesar do estado geral impecável das mesmas, nem que seja para limpeza das bermas.
Mas o mais caricato sucedeu uma 6ª feira. A Cristina saiu às 9 para entrar às, num percurso de uns 60 km que, em hora de ponta, se faz no máximo em 1 hora. Demorou quatro horas…
Porquê? Mais uma das célebres "routes barrées", desta feita da A4, uma das principais vias de acesso à capital do Grão-Ducado. Tal obrigou a grandes desvios e horas e horas de engarrafamento.
E porquê? Para a colocação de novo tapete de asfalto? Não. Um grande acidente num dia de chuva ou gelo? Também não, estava dia seco. Caiu um meteorito em plena autoestrada, abrindo cratera no pavimento? Nada disso. Foi o arrebatamento, deixando algumas viaturas desgovernadas, repentinamente sem condutor? Tão pouco, ainda não foi o regresso do Senhor.
Então? Pelo que a Cristina soube mais tarde, resolveram nesse dia instalar radares para controlo de velocidade na estrada…
Imagine-se, uma 6ª feira, ainda dia de trabalho, cortar uma estrada que milhares de pessoas utilizam diariamente para ir trabalhar. Não foi de noite, nem em fim-de-semana, mas em dia laboral. A Cristina, em vez de pegar às 10, pegou às 14h. Resultado: quatro horas que não trabalhou, outras tantas que não recebe (pois trabalha à hora).
Imaginem os caros leitores da região de Lisboa (faltando-me referências de vida no Porto, penso talvez na VCI) se se cortasse completamente a Segunda Circular, um dia de semana, o caos que não seria, e para muitos (empresas e empregados) um dia praticamente perdido!!!1
Pois isto aconteceu no Luxemburgo, paradigma do orgulho do Primeiro Mundo e do culto do material na Europa central.

Evidentemente que sempre é possível ver o lado positivo e divertido das coisas. Eu poderia dizer que se calhar os Luxemburgueses quiseram ser cordiais os Portugueses, pois essa 6ª foi dia 1 ou 8 de Dezembro (não posso precisar), feriado nacional em Portugal, e que, como a maioria da força laboral do país é originária do país de Santana Lopes e José Sócrates, e presumiram que, por essa razão, os Portugueses fariam feriado nesse dia, pelo que a estrada estaria com uma circulação de domingo. Se assim foi, deveriam ter avisado a Cristina para ela não sair de casa nesse dia!
Outro aspecto irónico: escolhendo esse dia para instalar os radares de controlo de vecolidade, conseguiram-no: a velocidade foi, pelo menos nesse dia, controlada e de que maneira!!!
Os Franceses costumam contar anedotas de Belgas, como os Portugueses de Alentejanos ou os Brasileiros de Portugueses (hoje já há do contrário). Autores de anedotas, eis um novo motivo para a vossa imaginação: os Luxemburgueses!

quarta-feira, dezembro 06, 2006

Kirk Franklin, Brighter day

Um dos meus favoritos



When i close my eyes i think of you
And reminisce on all the things you do...
What you did on calvary
Makes me wanna love you more!

I never knew
I could be so happy
I never knew
I'd be so secure
Because of your love
Life has a brand new meaning
It's gonna be a Brighter day

Nothing can compare to the joy
You bring,
And ever lasting love affair
Jesus, my life will never be the same.
I found some one who truly cares!...

I never knew
I could be so happy
I never knew
I'd be so secure
Because of your love
Life has a brand new meaning
It's gonna be a Brighter day
Brighter day, Brighter day, Brighter day,...
Brighter day, Brighter day, Brighter day,...

terça-feira, dezembro 05, 2006

Presley


Este é o Presley, o cão do Tiago, filho do meio da Cristina e adoptado como cão familiar. Tem um irmão chamado Elvis, que vive na Gafanha de Aquém, Portugal, com a mãe de ambos. É pequeno, da raça "pincher". Quando andamos com ele na rua, chamam-lhe um "chihuahua". Mas este último tem as orelhas maiores e a cara redonda. Tem entre três e quatro anos.
É tranquilo e faz boa companhia.
Como os da sua espécie em geral, é boa companhia, fiel e com sentido de guardião da casa e tem audição e olfacto apuradíssimos. Basta chegar-lhe às narinas o odor ou aos ouvidos o quase inaudível som dos passos de alguém que simplesmente passou do outro lado da rua que já começa rosnar e a desloca-se à porta pondo-se a ladrar. O pior é quando alguém se chega mesmo à porta ou entar (carteiro, um colega do Tiago, um familiar). Chega a ser preciso fechá-lo na casa-de-banho.
A Eunice é quem mais o entretém, o aperta, o esmaga nos braços, o atira ao ar, o pega pelas patas posteriores, inventa danças com ele. Eu não lhe fico muito atrás. O cão aceita com paciência as brincadeiras. Não sem uma ou outra rosnadela à Eunice, especialmente quando ela se chega à nossa cama e o vem acordar. A Cristina, por sua vez, não deixa de o tratar bem o cão, mas não tolera lambidelas, não brinca com ele. Ele, porém, adora-a. Tem preferência por descansar no colo e nas pernas dela. Na semana em que ela esteve de baixa, a abortar, não se apartava dela, percebendo certamente que ela se achava doente. Em contínua vigília por ela.

Mas isto é comum à maioria dos cães, pequenos ou grande, de todas as raças e feitios. O que tem, porém, este de excepcional?
Normalmente, dorme na minha cama e da Cristina. O Tiago leva-o para o quarto dele, mas ele lá se escapa de noite e vem enroscar-se no nosso edredon, às vezes metendo-se por baixo dele e cobrindo-se todo com ele, como se fosse uma mortalha. Admiro-me que não sufoque. Ou encaixa-se nas cavas das nossas pernas. Na sala ou na cama, tem preferência por almofadas e faz delas o seu colchão, dando voltas até se colocar na posição mais confortável.
Quando está aflito para ir à rua, chama-me, eu o seu habitual companheiro de passeios: levanta-se, põe-se em bicos dos pés e com a coloca as patas anteriores nas minhas pernas, chia um pouco, guincha e geme outro tanto. Ponho-lhe a trela e saímos. Ele trota, fareja, funga, pára num outro ponto, lambe. E funga mais e fareja mais ainda. Levanta a pata aqui e ali e faz chichi. E eu só à espera que se despache e faça cocó, para dar por cumprido o objectivo do passeio…

É um cão fedorento, de tal modo que teria dado uma inspiradíssma série televisiva de humor. Mas a característica mais marcante é não ter sido especialmente dotado de inteligência. Eu até alvitrei que talvez seja descendente de um galináceo (o que confirmaria a evolução das espécies…).
Quando precisa de fazer necessidades e está em casa, vai normalmente de madrugada, e em pontos estratégicos: a um canto da sala atrás de um sofá, nos quartos do Tiago e da Eunice (filha da Cristina), na cave, na casa-de-banho, e também já nosso quarto. Ainda se tentou castigá-lo para o corrigir, quando fazia necessidades em sítios que não a casa-de-banho. Pegava-se no cão, levava-se e fazia chegar o nariz e as patas aos presentes deixados, e uma palmada. Adoptou-se, em complemento, o castigo de uma ou duas horas de estágio na cave, de porta fechada. Ora o cão continuava a fazer chichi e cocó nos mesmos sítios. Repetia-se o castigo. Mas nada aprendeu. Certo dia, fez na casa-de-banho. Mais uma vez, confrontei-o com a obra feita. Mas não para o repreender, antes para o elogiar por ter dessa vez ter escolhido a casa-de-banho. Então, ele, achando a porta da cave aberta, desceu. Teria pensado que, mais uma vez, estava de castigo e que a rotina o levaria a mais uma temporada na cave. Deixei a porta aberta mas não subia. A única maneira de o tirar de lá foi mesmo ir buscá-lo. Afinal, ou ele é completamente mentecapto, ou ainda tem alguns neurónios!
Durante algum tempo, andava com constantes erecções. Não havia maneira de aquela coisa vermelha (o seu pénis) recolher ao respectivo saco de pele. O cão ainda é virgem, sabem, e o apelo da maturidade sexual gritava como nunca. A visão ou o cheiro de uma cadela, um cão ou até um gato fazia-o chiar muito, guinchar e gemer outro tanto. Levá-lo à rua era um risco e escândalo certo. Detectado outro animal, tínhamos de o segurar para não se lançar ao seu encontro. Um veterinário alvitrou que deveria ter elevados níveis de testosterona e, para aliviar o sofrimento (que tendencialmente continuaria), sugeriu a castração. O dono não queria. Certo é que, quando o dono chegou de férias, acalmou. Por coincidência, é verdade, mas talvez também lhe cheirasse a lua-de-mel entre mim e a Cristina no primeiro mês de casamento. Quando eu e ela nos aproximávamos, começava por rosnar contra tal intimidade. Eu ainda era cão novo na matilha, tentando ganhar a fêmea dominante. Depois, como o enxotássemos, passou apenas a reclamar um pouco de atenção, como uma criança ciumenta, ou simplesmente se tornou indiferente, e de outra vez retirou-se, de mansinho… Deus seja louvado, mais um neurónio revelado!

Apresento-vos o Presley.

quinta-feira, novembro 09, 2006

Huguenotes

Ainda a propósito de Metz, espero lá voltar. Parece cidade bonita. O campus universitário é agradável, situando-se na ilha de Saulcy, sobre o rio Moselle. Vêem-se, ao passar na cidade de carro, muitos espaços verdes e arvoredo.
Espero lá voltar em especial por causa de uma exposição, intitulada "Huguenots : de la Moselle à Berlin, les chemins de l’exil", que decorrerá de 10 deste mês a 10 de Março.
Para quem não sabe, os Huguenotes foram grupo de influentes protestantes calvinistas franceses. Uma importante comunidade vivia precisamente em Metz e na região da Lorena (Lorraine).
Ferozmente perseguidos pelo catolicismo, dentre os não aceitaram abjurar da sua fé e reconfessar a fidelidade ao Papado, muitos fugiram para os vizinhos estados alemães, contribuindo assim para a prosperidade destes.
Outros, porém, pagaram com a vida. No dia 24 de Agosto de 1572, dia da festa católica de S. Bartolomeu foi dada ordem do palácio real, e iniciou-se o célebre massacre, intensificado pela cólera popular. Calcula-se que, até ao fim do mês, foram selvaticamente mortos cerca de 30.000 pessoas. Este massacre ficou para a memória como uma das páginas mais hediondas da história de França e das guerras religiosas na Europa.

A exposição centrar-se-á sobre os que fugiram para a Alemanha.

Reunião de Metz

Foi boa a reunião. Encontro de cortesia. Mas, como fruto, uma mão cheia de nada. Não há possibilidades de contratações de professores para certas áreas, especialmente letras e letras clássicas. Poucos alunos. Critérios orçamentais impõem-se. Se professores se reformam ou algum adoece ou morre, o serviço será distribuído pelos outros.
Situação muito, muito semelhante à portuguesa. Onde igualmente o latim e o grego estão moribundos.
Deram-me indicações de contactar dois investigadores e professores que trabalham no meu domínio específico (retórica antiga). Mas um trabalha numa universidade em Estrasburgo e outro em Créteil, região parisiense. Um a 200 km o outro a quase 400 km. Enviei mails, mas ainda nenhuma resposta.

E o relógio bate pesadamente os meus segundos, sem emprego.

Deus, qual é a porta a bater e que se abrirá? Sim, não falhas. Mas conduz os meus passos para entrar em becos ou meter-me por labirintos. É preciso economizar dinheiro e tempo e esforço. Leva-me ao ponto preciso, à porta que destinaste abrir.

Se calhar ainda vou trabalhar bem longe do que tenho no meu coração e nos meus projectos, que é ensino e investigação. Num banco? Pois. Quem sabe.

sábado, novembro 04, 2006

De volta…

De volta…
Mais de um mês de ausência. É bom estar de volta. Perdi leituras de colegas e amigos de outros blogs. Perdi notícias de Portugal.
A 26 de Setembro, a France Telecom cortou-nos net e telefone, pois mudámos de operador. E esperámos dois meses (até anteontem) para que a linha migrasse completamente para esse novo operador. O mesmo acontece em Portugal, quando se cancela contrato com a PT se migra para uma outro operador. Coisa já possível e relativamente rápida nos grandes centros. O meu pai, por exemplo, que mora na Amadora, teve 4-horas-4 sem net nem telefone para migrar conpletemante da PT para outro operador. Aqui, onde moramos, é uma aldeiazinha. Durante este mês, tenho dependido do favor de uns primos da Cristina e do meu pastor para consultar a net e ver o correio.
Só anteontem, como disse, nos chegou o bendito modem. E somente após muita insistência, tendo de telefonar com cartão de uma cabina para o número de clientes e pagando 0,34 €/minuto! E o mais surpreendente é que os fulanos já se querem cobrar de uma factura a contar de 27 de Setembro, pois segundo eles a linha já estava activa com "dégroupage total"! Obviamente que acabámos de enviar carta de reclamação.
Nós, os Portugueses, temos o mau hábito de verberar os males pátrios com a célebre expressão "só neste país!" Este hábito revela ignorância, denota que nunca saímos do país e que ignoramos que a espécie humana, em todas as latitudes e longitudes, é repleta de defeitos. Onde está um ser humano, há problema. Nunca mais o direi. Há coisas muito más em Portugal (por exemplo, a impunidade dos grandes prevaricadores, a fantochada que é a justiça), outras muito boas. E França, que se acha luz da civilização??!!

Entrentanto, outras coisas sucederam. Do céu ao abismo. Descobrimos que a Cristina estava grávida. Logo recebemos no coração o que críamos fosse uma menina. Ao fim de cerca de 6 semanas, começou a sangrar e com contracções. Receámos um aborto. E a Cristina, antes de ter a Eunice, já tinha tido um aborto natural, aos 3 meses e meio. E veio o receio de que se repetisse. O ginecologista dela receitou progesterona para evitar o aborto. Mas passaram-se 9 dias, em casa, de baixa, com perdas de sangue, dores no ovário e no baixo ventre grande fadiga. Com o medicamento procurava-se um efeito, o organismo reagia ao contrário. A ecografia nada viu. E o fim da gravidez foi confirmado por análise sanguínea.
É provável que o embrião se tivesse implantado fora do útero, na trompa quiçá, o que explicaria que a ecografia nada detectasse e que o organismo promovesse a expulsão.

Fiquei abalado. Depositava grandes esperanças nessa gravidez. Era a filha(?) tão desejada. Orei, clamei. Repreendi o inimigo. Formulei muitas perguntas, busquei causas: falta de fé minha ou da mãe, ou o quê? Porque se perdeu esta oportunidade de ser pai???
A Cristina apenas me disse que um episódio bíblico lhe foi trazido à mente: o dos três amigos na Babilónia, que, na iminência de serem lançados num forno, mantiveram a fé em Deus e deixaram claro ao rei que Deus era poderoso para os livrar dessa provação, mas que se o não fizesse, eles não dobrariam diante do rei, mas de Deus. O rei que nessa hora nos intimava a dobrar o joelho era o do desânimo, da decepção com Deus, da morte da fé no nosso coração. Apesar de não haver respostas, Deus continuaria a ser o soberano, senhor das nossas vidas e das promessas que n'Ele temos, e a ser digno de louvor.
A Cristina recuperou. O aborto foi nas primeiras semanas, foi natural, e as sequelas não serão grandes. E o médico já deu ordem de marcha para outro trabalho. Quarentena para quê? Ainda esperamos na promessa, pois creio que, se foi semeada no nosso coração, Deus a cumprirá. Apesar da dor — seria a primeira carne da minha carne — também transpus o obstáculo. E teremos a nossa menina.

P.S.: Na terça terei uma entrevista com responsáveis de letras clássicas na faculdade de letras da Universidade de Metz. Há, pelo menos, abertura para me conhecerem. Será esta a porta que Deus abrirá? Pelo menos, é o desejo e a aspiração do meu coração: trabalhar em ensino e investigação num instituto de investigação ou universidade. E cada um é para o que está chamado.