sábado, novembro 04, 2006

De volta…

De volta…
Mais de um mês de ausência. É bom estar de volta. Perdi leituras de colegas e amigos de outros blogs. Perdi notícias de Portugal.
A 26 de Setembro, a France Telecom cortou-nos net e telefone, pois mudámos de operador. E esperámos dois meses (até anteontem) para que a linha migrasse completamente para esse novo operador. O mesmo acontece em Portugal, quando se cancela contrato com a PT se migra para uma outro operador. Coisa já possível e relativamente rápida nos grandes centros. O meu pai, por exemplo, que mora na Amadora, teve 4-horas-4 sem net nem telefone para migrar conpletemante da PT para outro operador. Aqui, onde moramos, é uma aldeiazinha. Durante este mês, tenho dependido do favor de uns primos da Cristina e do meu pastor para consultar a net e ver o correio.
Só anteontem, como disse, nos chegou o bendito modem. E somente após muita insistência, tendo de telefonar com cartão de uma cabina para o número de clientes e pagando 0,34 €/minuto! E o mais surpreendente é que os fulanos já se querem cobrar de uma factura a contar de 27 de Setembro, pois segundo eles a linha já estava activa com "dégroupage total"! Obviamente que acabámos de enviar carta de reclamação.
Nós, os Portugueses, temos o mau hábito de verberar os males pátrios com a célebre expressão "só neste país!" Este hábito revela ignorância, denota que nunca saímos do país e que ignoramos que a espécie humana, em todas as latitudes e longitudes, é repleta de defeitos. Onde está um ser humano, há problema. Nunca mais o direi. Há coisas muito más em Portugal (por exemplo, a impunidade dos grandes prevaricadores, a fantochada que é a justiça), outras muito boas. E França, que se acha luz da civilização??!!

Entrentanto, outras coisas sucederam. Do céu ao abismo. Descobrimos que a Cristina estava grávida. Logo recebemos no coração o que críamos fosse uma menina. Ao fim de cerca de 6 semanas, começou a sangrar e com contracções. Receámos um aborto. E a Cristina, antes de ter a Eunice, já tinha tido um aborto natural, aos 3 meses e meio. E veio o receio de que se repetisse. O ginecologista dela receitou progesterona para evitar o aborto. Mas passaram-se 9 dias, em casa, de baixa, com perdas de sangue, dores no ovário e no baixo ventre grande fadiga. Com o medicamento procurava-se um efeito, o organismo reagia ao contrário. A ecografia nada viu. E o fim da gravidez foi confirmado por análise sanguínea.
É provável que o embrião se tivesse implantado fora do útero, na trompa quiçá, o que explicaria que a ecografia nada detectasse e que o organismo promovesse a expulsão.

Fiquei abalado. Depositava grandes esperanças nessa gravidez. Era a filha(?) tão desejada. Orei, clamei. Repreendi o inimigo. Formulei muitas perguntas, busquei causas: falta de fé minha ou da mãe, ou o quê? Porque se perdeu esta oportunidade de ser pai???
A Cristina apenas me disse que um episódio bíblico lhe foi trazido à mente: o dos três amigos na Babilónia, que, na iminência de serem lançados num forno, mantiveram a fé em Deus e deixaram claro ao rei que Deus era poderoso para os livrar dessa provação, mas que se o não fizesse, eles não dobrariam diante do rei, mas de Deus. O rei que nessa hora nos intimava a dobrar o joelho era o do desânimo, da decepção com Deus, da morte da fé no nosso coração. Apesar de não haver respostas, Deus continuaria a ser o soberano, senhor das nossas vidas e das promessas que n'Ele temos, e a ser digno de louvor.
A Cristina recuperou. O aborto foi nas primeiras semanas, foi natural, e as sequelas não serão grandes. E o médico já deu ordem de marcha para outro trabalho. Quarentena para quê? Ainda esperamos na promessa, pois creio que, se foi semeada no nosso coração, Deus a cumprirá. Apesar da dor — seria a primeira carne da minha carne — também transpus o obstáculo. E teremos a nossa menina.

P.S.: Na terça terei uma entrevista com responsáveis de letras clássicas na faculdade de letras da Universidade de Metz. Há, pelo menos, abertura para me conhecerem. Será esta a porta que Deus abrirá? Pelo menos, é o desejo e a aspiração do meu coração: trabalhar em ensino e investigação num instituto de investigação ou universidade. E cada um é para o que está chamado.

sexta-feira, setembro 15, 2006

As entranhas em brasa 2: do micro-ondas ou fresco?

Um dia, lia este passo do Evangelho de Lucas (Luc 24:13-35) e detive-me a meditar no comentário desses dois homens: enquanto ouviam Jesus, mesmo não o tendo reconhecido no momento, o coração ardia-se-lhe no peito. Um misto de provocação, estímulo, entusiasmo, motivação, nova excitação emocional e intelectual provocada por algo que lhes era caro. Essa mensagem que introduzira vida nas suas almas era de novo ouvida, e causava o mesmo impacto. O coração e a alma desses homens estava pois ainda disponível, como músculo em carne viva, para serem percutidos pelo martelo da Palavra provinda da boca de Deus.
Apliquei essa meditação à minha própria vida. Sim, o meu coração deve arder ao ouvir a Palavra de Deus: essa era a lição. No encontro na estrada de Emaús, os acontecimentos de Jerusalém eram recentes. Talvez isso explique a sensibilidade emocional dos discípulos. Quando, como esses dois homens, me foi comunicada a notícia da morte e ressurreição de Jesus em meu favor e me dispus a dar a esse facto a devida importância, quando busquei nela a mensagem que pudesse mudar a minha vida, também o meu coração ardia. Nos primeiros meses, um ou dois anos, o meu coração ardia. Motivava-me ouvir, ler, aprender e discutir as Escrituras. Eram a minha paixão. Mudaram a minha vida.
E com o passar do tempo? Quando os acontecimentos que constituem o âmago do Evangelho — morte e ressurreição de Jesus — ficam mais distantes temporalmente? Não só isto, mas até mais distantes do coração, da alma, das emoções, dos interesses e prioridades pessoais? Porque já lemos tantas e tantas vezes as mesmas passagens e as histórias, lhes sabemos o fim e passamos obliquamente pelos pormenores das narrativas? Porque já conhecemos de cor e salteado as declarações doutrinárias e as promessas da Palavra de Deus, consideramos adquirido, quando não perdido, o que umas dizem e as outras prometem? Quem não já experimentou comer comida aquecida no micro-ondas, em vez de fresco maná quotidiano? Eu me confesso.
No deserto do Sinai, Deus alimentou o povo com uma ração diária de maná. Guardá-lo para o dia seguinte provou-se loucura, pois apodreceu e criou vermes! Esse maná era uma prefiguração do verdadeiro pão vivo descido do céu, Jesus. E se os Israelitas deviam ingerir uma ração diária, do mesmo modo precisamos diariamente do alimento que é Jesus, a sua Palavra e a sua presença. Mas não apenas isso: a lição que aprendi foi que, se devoramos diariamente esse bom alimento como se fosse novo, a nossa fome deve também ser nova. Nova a nossa antecipação. Nova a consciência da nossa necessidade. Todos os dias. É tempo de mudar a nossa atitude íntima, a nossa disposição relativamente à presença e à Palavra de Deus. De nos voltarmos a espantar, de nos deixarmos deslumbrar, de ficarmos boquiabertos e soltar diariamente um “Aaahhh!” de admiração pela constante surpresa e maravilha que são Deus, a sua Palavra, os seus planos, as suas promessas e as suas acções. De pensar que, quando julgamos já conhecer, então é que precisamos de verdadeiramente conhecer. De ter o coração em brasa, a alma em carne viva para receber de novo o Evangelho que nos confronto e nos corrige, mas igualmente nos consola e nos salva. Ou não dependemos do seu favor, mas da nossa experiência de vida cristã ou da maturidade e conhecimento alcançados. E entramos no terreno pecaminoso da presunção.
O apóstolo percebeu isto. Por isso escreveu, aos Filipenses, que deixara de pensar que poderia possuir algum motivo de satisfação e de basear o seu crescimento como indivíduo na sua própria maturidade, conhecimento ou experiência. Provara da excelência de vida que Cristo é, e deste modo percebeu como em si mesmo era incompleto e estava ainda em contínuo processo de amadurecimento. Por isso prosseguia, tendo Cristo como referência, fonte e alvo. Todos os dias.

Dispus-me, desde então, a tornar à Palavra de Deus como se ainda estivesse no início da caminhada cristã, como quem ainda está a aprender as letras.

sexta-feira, agosto 25, 2006

As entranhas em brasa 1: a caminho de Emaús



Certo dia, após a ressurreição, Jesus apareceu a dois homens que faziam a pé o caminho para Emaús. Eram seus discípulos. Juntou-se-lhes na sua caminhada, talvez na expectativa de que o reconhecessem e de sondar se ainda O lembrariam, se falariam d’Ele, se sentiriam saudades d’Ele. Talvez para saber se esperavam a Sua ressurreição, de que Ele tanto falara como sequência do mero trânsito da Sua morte, ou se se teriam rendido a esta como o desfecho irremissível de bons e três anos e meio de grandes e tremendos feitos e maiores esperanças. Sobretudo, para lhes dar a boa notícia de que Ele estava vivo.
Esse homens tinham igual perspectiva à dos demais homens e mulheres que haviam seguido o Mestre: a morte de Jesus, que criam ser o Messias, fora prematura e deitara por terra todas as esperanças. Havia, porém, ainda uma saudade, e por isso conversavam ainda sobre o assunto. Recordariam com saudade os bons momentos passados juntos. Com dor e ódio aos opressores do Sinédrio e de Roma, os maus. Reviveriam o julgamento, a flagelação, o caminho do Gólgota e a crucificação. Os acontecimentos eram recentes, e por isso as emoções neles sentidas eram ainda frescas, em efeito de ressaca.
E Jesus mudou-lhes a perspectiva: a morte de que falavam não fora o fim, e que esse Ungido que choravam ressuscitara, e que tal fora anteriormente predito nas Escrituras, vez após vez. O sujeito desses acontecimentos dirigia-se-lhes como se fosse um viajante que apenas por rumor oral ouvira falar neles. Completamente alheio e distante relativamente a eles, mas mostrando tê-los entendido melhor, bem como as profecias que os antecipavam, do que os seus próprios espectadores. Mas não reconheceram quem lhes falava. Talvez pensassem que era um rabino sábio e santo. Mas não o reconheceram. A não ser pela forma como ele partiu o pão, quando se sentaram à mesa para comer e descansar da viagem. Não pelas Suas palavras, mas por um gesto. Jesus sai das duas vistas. Tudo indicava quem fosse Ele! Só Ele falava assim dos Textos Sagrados e da missão do Messias, e conseguia fazê-lo de forma tal que era impossível alguém ficar indiferente e não se sentir provocado. E, com efeito, foram de tal modo provocados pela explicação que aquele companheiro de viagem lhes fez das Escrituras que o seu coração ardia!

(continua)

terça-feira, agosto 22, 2006

As entranhas em brasa 2: do micro-ondas ou fresco?

Um dia, lia este passo do Evangelho de Lucas (Luc 24:13-35) e detive-me a meditar no comentário desses dois homens: enquanto ouviam Jesus, mesmo não o tendo reconhecido no momento, o coração ardia-se-lhe no peito. Um misto de provocação, estímulo, entusiasmo, motivação, nova excitação emocional e intelectual provocada por algo que lhes era caro. Essa mensagem que introduzira vida nas suas almas era de novo ouvida, e causava o mesmo impacto. O coração e a alma desses homens estava pois ainda disponível, como músculo em carne viva, para serem percutidos pelo martelo da Palavra provinda da boca de Deus.
Apliquei essa meditação à minha própria vida. Sim, o meu coração deve arder ao ouvir a Palavra de Deus: essa era a lição. No encontro na estrada de Emaús, os acontecimentos de Jerusalém eram recentes. Talvez isso explique a sensibilidade emocional dos discípulos. Quando, como esses dois homens, me foi comunicada a notícia da morte e ressurreição de Jesus em meu favor e me dispus a dar a esse facto a devida importância, quando busquei nela a mensagem que pudesse mudar a minha vida, também o meu coração ardia. Nos primeiros meses, um ou dois anos, o meu coração ardia. Motivava-me ouvir, ler, aprender e discutir as Escrituras. Eram a minha paixão. Mudaram a minha vida.
E com o passar do tempo? Quando os acontecimentos que constituem o âmago do Evangelho — morte e ressurreição de Jesus — ficam mais distantes temporalmente? Não só isto, mas até mais distantes do coração, da alma, das emoções, dos interesses e prioridades pessoais? Porque já lemos tantas e tantas vezes as mesmas passagens e as histórias, lhes sabemos o fim e passamos obliquamente pelos pormenores das narrativas? Porque já conhecemos de cor e salteado as declarações doutrinárias e as promessas da Palavra de Deus, consideramos adquirido, quando não perdido, o que umas dizem e as outras prometem? Quem não já experimentou comer comida aquecida no micro-ondas, em vez de fresco maná quotidiano? Eu me confesso.
No deserto do Sinai, Deus alimentou o povo com uma ração diária de maná. Guardá-lo para o dia seguinte provou-se loucura, pois apodreceu e criou vermes! Esse maná era uma prefiguração do verdadeiro pão vivo descido do céu, Jesus. E se os Israelitas deviam ingerir uma ração diária, do mesmo modo precisamos diariamente do alimento que é Jesus, a sua Palavra e a sua presença. Mas não apenas isso: a lição que aprendi foi que, se devoramos diariamente esse bom alimento como se fosse novo, a nossa fome deve também ser nova. Nova a nossa antecipação. Nova a consciência da nossa necessidade. Todos os dias. É tempo de mudar a nossa atitude íntima, a nossa disposição relativamente à presença e à Palavra de Deus. De nos voltarmos a espantar, de nos deixarmos deslumbrar, de ficarmos boquiabertos e soltar diariamente um “Aaahhh!” de admiração pela constante surpresa e maravilha que são Deus, a sua Palavra, os seus planos, as suas promessas e as suas acções. De pensar que, quando julgamos já conhecer, então é que precisamos de verdadeiramente conhecer. De ter o coração em brasa, a alma em carne viva para receber de novo o Evangelho que nos confronto e nos corrige, mas igualmente nos consola e nos salva. Ou não dependemos do seu favor, mas da nossa experiência de vida cristã ou da maturidade e conhecimento alcançados. E entramos no terreno pecaminoso da presunção.
O apóstolo percebeu isto. Por isso escreveu, aos Filipenses, que deixara de pensar que poderia possuir algum motivo de satisfação e de basear o seu crescimento como indivíduo na sua própria maturidade, conhecimento ou experiência. Provara da excelência de vida que Cristo é, e deste modo percebeu como em si mesmo era incompleto e estava ainda em contínuo processo de amadurecimento. Por isso prosseguia, tendo Cristo como referência, fonte e alvo. Todos os dias.

Dispus-me, desde então, a tornar à Palavra de Deus como se ainda estivesse no início da caminhada cristã, como quem ainda está a aprender as letras.

quinta-feira, agosto 03, 2006

Cinderela dos dias de hoje, do Vítor Mota

Uma versão moderna do imortal conto, do blog do Vítor Mota. Não sei se é dele ou de outrem, mas merece um lugar numa antologia de prosa bué. Bom também para usar em aulas de português de 2º ciclo. Daaahhhh!! para quem não ler.

«Cinderela para os dias de hoje

" Há bué da time, havia uma garina cujo cota já tinha esticado o pernil e que vivia com a chunga da madrasta e as melgas das filhas dela.
A Cinderela (Cindy p'ós amigos), parecia que vivia na prisa, sem tempo p'ra sequer enviar uns mails. Com este desatino todo, só lhe apetecia dar de frosques, porque a madrasta fazia-lhe bué da cenas. É então que a Cindy fica a saber da alta desbunda que ia acontecer: Uma rave!!! A gaja curtiu tótil a ideia, mas as outras chavalas cortaram-lhe as bases. Ela ficou completamente passada, mas depois de andar à toa durante um coche, apareceu-lhe uma fada baril que lhe abichou uma farda baita bacana, ela ficou a parecer uma g'anda febra. Só que ela só se podia afiambrar da cena até ao bater das 12. Tás a ver, meu
A tipa mordeu o esquema e foi para a borga sempre a bombar.
Ao entrar na party topou um mano cheio da papel, que era bom comó milho e que também a galou logo ali. Aí a Cindy, passou-se dos carretos, desbundaram "ól naite long", até que ao ouvir as 12, ela teve de se axandrar e bazou. O mitra ficou completamente abardinado quando ela deu de frosques e foi atrás dela, mas só encontrou pelo caminho o chanato da dama. No dia seguinte, com uma alta fezada, meteu-se nos calcantes e foi à procura de um chispe que entrasse no chanato.Como era um ganda cromo, teve uma vaca descomunal e encontrou a maluca, para grande desatino das outras fatelas que ficaram a anhar."

Fim: Tá-se bem.»

sexta-feira, julho 28, 2006

Sementes do Reino

Tenho andado um pouco ansioso por ainda não ter meio de sustento em França ou no Luxemburgo. Entreguei currículos em escolas privadas e ainda nenhuma resposta. Enviei e-mail com currículo para o Centro Cultural Português no Luxemburgo (Instituto Camões) e nenhuma resposta. Pretende concorrer a uma bolsa de pós-doutoramento da Fundação para a Ciência e Tecnologia (FCT), normalmente abertas em permanência, mas agora fechadas e que — dizem-me — só deverão reabrir perto do fim do ano, sendo que, na melhor das hipótese, só lá para Março ou Abril as bolsas seriam atribuídas. Em Agosto, receberei o último vencimento pela escola, faltando ainda duodécimos do 13º mês.
Tenho lutado comigo mesmo por causa disto. A Cristina procura aquietar-me: não está preocupada, confia em Deus. E, com efeito, até aqui Ele sempre deu cumpriu a sua provisão e não me faltou trabalho, nem alguma vez me vi em especial crise de fé por tal. E Jesus bem adverte: a preocupação não acrescenta um centímetro à nossa estatura (Mat. 6:27)!
Porém, na minha carne — na minha humanidade —, a luta declarava-se, e cabia-me discipliná-la, pela determinação em confiar no cuidado do Pai. Pensava, meditava o que poderia eu semear de especial para a tão desejada colheita. Ontem à noite, mais uma vez, fomos à reunião de oração na nossa igreja no Luxemburgo. Como sempre, iniciou-se com estudo bíblico sobre um tema. Ontem, Constituição do Reino.
Uma das leis da Constituição do Reino é precisamente o da sementeira e colheita. Tanto mais quando se semeia no Reino de Deus. Prov. 19:17 Deus diz-nos que a dávida ao pobre ou necessitado é, na realidade, empréstimo ao próprio Deus, que paga com juros altíssimos. Jesus fala no cêntuplo (Marc. 10:29-31)! A viúva de Sarepta (1 Reis 17) foi um desses casos: embora pobre e prestes a morrer à fome com seu filho, seguiu o que o Senhor a inspirara a fazer: do que não tinha para si mesma, sustentou outro pobre, que vivia de ofertas, o profeta Elias. E para si granjeou a gratidão de Deus, conforme a Sua promessa. Imagine-se alguém que tem 700 €, faltando-lhe 800 € para o pagamento de uma dívida de 1500 €. Aparece outra pessoa, que precisa precisamente, e com urgência, desses 700 €. Que fará a primeira pessoa? Pode ou não ser uma oportunidade que Deus lhe dá e a que a convoca para abençoar outrem? E quem abençoa será abençoado. A quem dá será dado: "boa medida, recalcada, sacudida e transbordante". Quem abençoa está, em última análise, a abençoar a si mesmo.
Estes são princípios instituídos por Deus, e que parecem funcionar universalmente, como as leis da física. Mesmo com homens e mulheres perdidos, ímpios, que não conhecem a salvação em Cristo Jesus. A sabedoria secular, humanista, reconhece-os, e pregam-na os inúmeros "powerpoints" que circulam nos e-mails, como se fosse a última descoberta da sabeoria humana. Os Judeus, apesar de não salvos, têm prosperado ao longo de séculos porquê? Não será por aplicarem esses princípios, exarados nas Torah, na Lei, nos Salmos, nos Profetas e outros escritos, no conjunto dos livros que constituem o nosso Antigo Testamento?

Quanto a mim, o estudo de ontem tranquilamente veio ao encontro dos meus cuidados. Renovou-me o entendimento, relembrou-me princípios conhecidos, restituiu-me alguma calma ao coração, alimentou-me a fé e trouxe-me de volta ao terreno conhecido, embora não sempre e persistentemente trilhado, da confiança e descanso em Deus.

Para já, ocupo-me a descansar, avançar o trabalho de revisão e tradução do Antigo Testamento no âmbito da comissão da tradução interconfessional em português corrente "A Boa Nova" da Sociedade Bíblica, de que faço parte, e penso na tradução de parte da minha tese para publicação. E, enquanto a Cristina vai trabalhar, faço de "dono-de-casa" e "baby-sitter" da sua filha mais nova. E divirto-me nestas primeiras semanas de casamento.

Que vida abundante! E a abundância consiste precisamente em fazer render ao máximo o talento recebido e viver o mal (e o bem) próprio de cada dia, com o recurso adicional da alegria de Deus introduzida no nosso espírito pelo Seu Espírito.

quarta-feira, julho 19, 2006

Fico assim sem ti

Avião sem asa,
Fogueira sem brasa
Sou eu assim sem ti
Futebol sem bola
Cowboy sem pistola
Sou eu assim sem ti

Porque é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo o instante
Nem mil altifalantes
vão poder falar por mim

Amor sem beijinho
Chelsea sem Mourinho
Sou eu assim sem ti
Bacalhau sem nata
Leitão sem batata
Sou eu assim sem ti

Estou louco pra me pôr a andar
Estou louco pra te ter nas mãos
Deitar no teu abraço
Retomar o pedaço
Que falta no meu coração

Eu não existo longe de ti
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas
Pra poder te ver
Mas o relógio está de mal comigo
Porquê? Porquê?

Queijo sem fiambre
França sem Zidane 
Sou eu assim sem ti
Carro sem estrada
Cachorro sem mostarda
Sou eu assim sem ti

Porque é que tem que ser assim?
Se o meu desejo não tem fim
Eu te quero a todo o instante
Nem mil altifalantes 
vão poder falar por mim

Eu não existo longe de ti
E a solidão foi o meu pior castigo
Contei as horas pra poder te ver
Mas já o relógio está de bem comigo


Versão adaptada da canção "Fico assim sem você" de Adrianda Calcanhoto, dedicada em absoluta estreia mundial à minha esposa, em plena boda

segunda-feira, julho 17, 2006

"Highlights" do casamento de Cristina e Rui — CCVA Aveiro 8 de Julho de 2006

















A todos os amigos e visitantes bloggers que me desejaram felicidades a mim e à minha esposa, retribuo com votos de uma colheita de cem para cada grão semeado.
A partir de agora, e aos poucos, voltarei a cuidar deste espaço bem como a visitar os meus congéneros.

Bem hajam e bênçãos de Deus.

quinta-feira, julho 06, 2006

Licença de casamento

Estarei brevemente ausente, por bons motivos: licença de casamento. Lá para dia 16 estarei de volta, a partir de Saulnes, França.
Bênçãos a todos.

domingo, julho 02, 2006

Cheiro de Cristo na relva

Lúcio

A selecção brasileira de futebol foi eliminada do Campeonato do Mundo, sem brilho nem glória. Porém, se a sua prestação foi decepcionante desportivamente, não o foi de todo nesse plano felizmente tão valorizado como o do jogo limpo, em inglês fair play.
Boa parte dos jogadores brasileiros é cristã. Assim costuma ser. Um deles, Lúcio, jogador do Bayern de Munique, perfez até ao jogo de ontem, com a França, 386 minutos sem fazer uma falta, batendo por 3 m o anterior máximo que pertencia ao paraguaio Carlos Gamarra, desde o Mundial de 1998. Cometeu uma falta aos 26 sobre Thierry Henry e aos 75 outra mereceu-lhe cartão amarelo. Como não vi o jogo, não sei que razões houve para a mostragem do cartão. Telvez tenha sido uma daquelas faltas não necessariamente violentas mas necessárias para parar o avanço perigoso de um adversário…
Merece, em todo o caso, os parabéns, para a glória de Cristo Jesus, por este record.

sexta-feira, junho 23, 2006

Novo blog "Hermeneuma"

Caros bloggers,
É com agrado que assinalo um novo espaço de referência neste domínio: Hermeneuma. É propriedade de Manuel Alexandre Júnior, professor catedrático de estudos clássicos da Faculdades de Letras de Lisboa e pastor da Igreja Baptista da Amadora, uma das figuras mais conhecedoras do grego antigo e de hermenêutica bíblica e membro da Comissão de revisão da tradução interconfessional da Bíblia em português corrente "A Boa Nova", criada na Sociedade Bíblica (equipa a que também me honro de pertencer). Meu professor na licenciatura, orientador da minha tese de doutoramento e meu amigo.
Este novo espaço centrar-se-á na interpretação de temas bíblicos e na reflexão sobre questões de doutrina e vida cristã.
A compulsar.

sexta-feira, junho 16, 2006

Avaliação dos professores 3




O gabinete do Ministério, com a proposta de revisão do Estatuto em que essa modalidade de avaliação se insere, reedita a fábula do Capuchinho Vermelho e leva-a à prática.
O Capuchinho é o aluno, inocente, puro e essencialmente bom, potencial vítima da cruel voracidade do lobo mau e outros perigos da floresta.
A mãe e a avó representam a família, humilde, de honestíssimas e nobilíssimas pessoas de bem.
O lobo mau é o professor, voraz, absolutamente perverso.
O caçador… é a própria Ministra e seus secretários de Estado, justiceiros felizmente chegados em pronto auxílio e salvação, mesmo se quase no limite de o degenerado lobo consumar a sua cruel obra de devorar Capunhinho e sua família, negando-lhe qualquer possibilidade de futuro.

Avaliação dos professores 2


"Ridendo castigat mores", como disse Ovídio (Com o riso, o humor se castigam os costumes).

Ou, nas palavras de Cícero, "O tempora! O mores!" (Ó tempos! Ó costumes!)

E que costumes, estes. O que lembra à mente iluminada da Sra. Ministra da Educação e do seu gabinete de igualmente iluminados teria mais piada e seria mais original como humor do que a célebre rábula da guerra do Raul Solnado, se não fosse infelizmente verdade.
Tornaremos a esta questão.

domingo, junho 11, 2006

PORTUGAL




Não sou dos que põem bandeirinhas na janela ou na antena de casa do carro, ou que vistam uma bandeira ou uma camisola da selecção, ou que pintem o rosto de verde-rubro. Não alinho nisso, pois, em minha opinião, se não estou no estádio de futebol, a minha identificação com a tribo da selecção nacional de futebol mediante marcas extreriores não fará sentido. Nem tão pouco traz qualquer mais-valia à prestação dos jogadores que nos representam, pois não sou supersticioso.
Outra razão prende-se com a hegemonia do futebol nos afectos nacionais. Deixo claro que gosto de futebol, mas questiono por que razão esse gesto não se estende ao apoio a outras modalidades desportivas ou a outras áreas em que deveríamos ter motivo de orgulho pátrio — justificado pelos factos ou como mera aspiração: a nossa literatura, a nossa língua, a nossa cultura, a nossa ciência, o nosso bem ordenado território, sem a pressão e império do imobiliário, a nossa cultura cívica, o nossso eficaz e justo sistema fiscal, os nossos honrados e competentes políticos, as nossas estradas bem feitas, em que raramente os buracos se rasgam ou acidentes ocorrem. Para não falar do nosso bom clima.
Ser português só quando joga a selecção nacional é bem pouco. Não fomos campeões da Europa; sê-lo-emos do Mundo? Ser português, trabalhar para a prosperidade nacional é de todos os dias, em todas as actividades.
Ainda assim, estou de coração com a selecção portuguesa de futebol, baterei palmas, saltarei e gritarei de alegria com cada golo que os nossos jogadores marcarem, na esperança de que assim seja até 9 de Julho em Berlim!

sexta-feira, junho 09, 2006

Avaliação dos professores

Mais um cartoon, lúcido e cómico como os bons cartoons, sobre a nova proposta de avaliação dos professores.

segunda-feira, junho 05, 2006

Tese de doutoramento 3

Aprovado por unanimidade, nota máxima em Aveiro. Com algumas observações, entre as críticas construtivas e sugestões de aperfeiçoamento e para reflexão, e não sem vários elogios e conselhos para procurar publicação, e ainda com a vitória da segurança e do à-vontade de quem sabia do que falava sobre o nervoso miudinho, num tom de conversa, se passaram três horas. Antes de encerrar os trabalhos para o júri se reunir, já o presidente me felicitava pela minha segurança, apesar de ele nada perceber das matérias em apreço, pois só cumpria a tarefa de presidir em representação da Reitora.
O calor era muito. E a transpiração também.

sexta-feira, junho 02, 2006

Consolo

Cito da Vilma, de uma sua página mais intimista:

Obrigada...
Repito tantas vezes a palavra "Obrigada!" que pode parecer até estranho.
Mas é o que sinto dentro de mim.
Sinto-me tão abençoada por ti Pai...
Passar pelo que passo neste momento contigo, é viver o Salmo 23 literalmente!
E pode parecer absurdo, mas agradeço pelo que estou a viver.
Porque te tenho experimentado mais ainda...
Como passar isso a quem não te tem?
Não dá... porque pelo entendimento humano não dá.
Só vivendo e experimentando.
Por isso não me canso:
OBRIGADA! OBRIGADA! OBRIGADA!

Comento eu:
Sem comentários. Não se explica humanamente. Só provando. O common sense sugeriria que se revoltasse, como fez a mulher de Job:
— Ainda louvas a Deus? Se Deus existisse não teria deixado que isso te acontecesse! Deixa-te dessas coisas de Deus. Morreu ele, morrerás tu também! Manda esse tal Deus às urtigas! Sê realista. Não há outro sentido!
Ou aconselharia a prudência da estóica resignação, temperada por lugares comuns prontos-a-usar e próprios dessas ocasiões:
— Paciência, filha. A vida é assim: são dois dias, e nós não somos nada.
Pois, aparentemente não.
Mas é desse aparente nonsense que Deus faz good sense.

Tese de doutoramento 2

Se houver curiosos… nos vos deixarei na expectativa:
E o veredicto foi… Aprovado por unanimidade.
Depois contarei pormenores.

quarta-feira, maio 31, 2006

O dia 1 de Junho e outros dias que se seguirão



É já amanhã, 5ª feira, 1 de Junho, a minha defesa de tese de doutoramento. Será na sala de actos da Reitoria da Universidade de Aveiro, pelas 15 horas.
Um certo nervoso… Mas que é isso? O Senhor é a minha calma.

Depois disso, e finda também a profissionalização, mais disponibilidade para acompanhar o trabalho dos alunos. E para a preparação do meu casamento, que será a 8 de Julho — dia santo, dia alegre e feliz que fez o Senhor!

quinta-feira, maio 25, 2006

Petição — Línguas Clássicas

O actual governo de Portugal tem norteado a sua actuação por critérios eminentemente economicistas, o que amiúde é sinónimo de insensatez. Tal insensatez, porém, não é exclusiva de Portugal, pois soluções semelhantes foram tentadas noutros países, e com resultados nefastos.
Refiro-me à intenção de fechar cursos universitários com um número de alunos abaixo de um mínimo. Tal não seria de todo negativo, se entre tais cursos não estivessem as Línguas e Literatura Clássicas.
Por ser uma área estruturante da identidade cultural europeia e portuguesa, tal possibilidade torna-se particularmente grave. Se se concretizar, dá-se um passo de gigante no sentido de remover da memória dos Portugueses uma importante componente dos seus fundamentos e razão de ser cultural, histórica e cívica. Isto a par do progessivo afastamento da sociedade europeia de Cristo, ou, pelo menos, de uma referência espiritual e ética cristãs.
Noto que no domínio das línguas clássicas existem docente e investigadores de renome internacional.

Apelo, assim, a todos os leitores deste blog a leitura da petição e a assinatura da mesma na ligação abaixo, se com ela concordarem. E peço também a divulgação da iniciativa.
Obrigado

Petição em favor das línguas clássicas.