quinta-feira, julho 06, 2006

Licença de casamento

Estarei brevemente ausente, por bons motivos: licença de casamento. Lá para dia 16 estarei de volta, a partir de Saulnes, França.
Bênçãos a todos.

domingo, julho 02, 2006

Cheiro de Cristo na relva

Lúcio

A selecção brasileira de futebol foi eliminada do Campeonato do Mundo, sem brilho nem glória. Porém, se a sua prestação foi decepcionante desportivamente, não o foi de todo nesse plano felizmente tão valorizado como o do jogo limpo, em inglês fair play.
Boa parte dos jogadores brasileiros é cristã. Assim costuma ser. Um deles, Lúcio, jogador do Bayern de Munique, perfez até ao jogo de ontem, com a França, 386 minutos sem fazer uma falta, batendo por 3 m o anterior máximo que pertencia ao paraguaio Carlos Gamarra, desde o Mundial de 1998. Cometeu uma falta aos 26 sobre Thierry Henry e aos 75 outra mereceu-lhe cartão amarelo. Como não vi o jogo, não sei que razões houve para a mostragem do cartão. Telvez tenha sido uma daquelas faltas não necessariamente violentas mas necessárias para parar o avanço perigoso de um adversário…
Merece, em todo o caso, os parabéns, para a glória de Cristo Jesus, por este record.

sexta-feira, junho 23, 2006

Novo blog "Hermeneuma"

Caros bloggers,
É com agrado que assinalo um novo espaço de referência neste domínio: Hermeneuma. É propriedade de Manuel Alexandre Júnior, professor catedrático de estudos clássicos da Faculdades de Letras de Lisboa e pastor da Igreja Baptista da Amadora, uma das figuras mais conhecedoras do grego antigo e de hermenêutica bíblica e membro da Comissão de revisão da tradução interconfessional da Bíblia em português corrente "A Boa Nova", criada na Sociedade Bíblica (equipa a que também me honro de pertencer). Meu professor na licenciatura, orientador da minha tese de doutoramento e meu amigo.
Este novo espaço centrar-se-á na interpretação de temas bíblicos e na reflexão sobre questões de doutrina e vida cristã.
A compulsar.

sexta-feira, junho 16, 2006

Avaliação dos professores 3




O gabinete do Ministério, com a proposta de revisão do Estatuto em que essa modalidade de avaliação se insere, reedita a fábula do Capuchinho Vermelho e leva-a à prática.
O Capuchinho é o aluno, inocente, puro e essencialmente bom, potencial vítima da cruel voracidade do lobo mau e outros perigos da floresta.
A mãe e a avó representam a família, humilde, de honestíssimas e nobilíssimas pessoas de bem.
O lobo mau é o professor, voraz, absolutamente perverso.
O caçador… é a própria Ministra e seus secretários de Estado, justiceiros felizmente chegados em pronto auxílio e salvação, mesmo se quase no limite de o degenerado lobo consumar a sua cruel obra de devorar Capunhinho e sua família, negando-lhe qualquer possibilidade de futuro.

Avaliação dos professores 2


"Ridendo castigat mores", como disse Ovídio (Com o riso, o humor se castigam os costumes).

Ou, nas palavras de Cícero, "O tempora! O mores!" (Ó tempos! Ó costumes!)

E que costumes, estes. O que lembra à mente iluminada da Sra. Ministra da Educação e do seu gabinete de igualmente iluminados teria mais piada e seria mais original como humor do que a célebre rábula da guerra do Raul Solnado, se não fosse infelizmente verdade.
Tornaremos a esta questão.

domingo, junho 11, 2006

PORTUGAL




Não sou dos que põem bandeirinhas na janela ou na antena de casa do carro, ou que vistam uma bandeira ou uma camisola da selecção, ou que pintem o rosto de verde-rubro. Não alinho nisso, pois, em minha opinião, se não estou no estádio de futebol, a minha identificação com a tribo da selecção nacional de futebol mediante marcas extreriores não fará sentido. Nem tão pouco traz qualquer mais-valia à prestação dos jogadores que nos representam, pois não sou supersticioso.
Outra razão prende-se com a hegemonia do futebol nos afectos nacionais. Deixo claro que gosto de futebol, mas questiono por que razão esse gesto não se estende ao apoio a outras modalidades desportivas ou a outras áreas em que deveríamos ter motivo de orgulho pátrio — justificado pelos factos ou como mera aspiração: a nossa literatura, a nossa língua, a nossa cultura, a nossa ciência, o nosso bem ordenado território, sem a pressão e império do imobiliário, a nossa cultura cívica, o nossso eficaz e justo sistema fiscal, os nossos honrados e competentes políticos, as nossas estradas bem feitas, em que raramente os buracos se rasgam ou acidentes ocorrem. Para não falar do nosso bom clima.
Ser português só quando joga a selecção nacional é bem pouco. Não fomos campeões da Europa; sê-lo-emos do Mundo? Ser português, trabalhar para a prosperidade nacional é de todos os dias, em todas as actividades.
Ainda assim, estou de coração com a selecção portuguesa de futebol, baterei palmas, saltarei e gritarei de alegria com cada golo que os nossos jogadores marcarem, na esperança de que assim seja até 9 de Julho em Berlim!

sexta-feira, junho 09, 2006

Avaliação dos professores

Mais um cartoon, lúcido e cómico como os bons cartoons, sobre a nova proposta de avaliação dos professores.

segunda-feira, junho 05, 2006

Tese de doutoramento 3

Aprovado por unanimidade, nota máxima em Aveiro. Com algumas observações, entre as críticas construtivas e sugestões de aperfeiçoamento e para reflexão, e não sem vários elogios e conselhos para procurar publicação, e ainda com a vitória da segurança e do à-vontade de quem sabia do que falava sobre o nervoso miudinho, num tom de conversa, se passaram três horas. Antes de encerrar os trabalhos para o júri se reunir, já o presidente me felicitava pela minha segurança, apesar de ele nada perceber das matérias em apreço, pois só cumpria a tarefa de presidir em representação da Reitora.
O calor era muito. E a transpiração também.

sexta-feira, junho 02, 2006

Consolo

Cito da Vilma, de uma sua página mais intimista:

Obrigada...
Repito tantas vezes a palavra "Obrigada!" que pode parecer até estranho.
Mas é o que sinto dentro de mim.
Sinto-me tão abençoada por ti Pai...
Passar pelo que passo neste momento contigo, é viver o Salmo 23 literalmente!
E pode parecer absurdo, mas agradeço pelo que estou a viver.
Porque te tenho experimentado mais ainda...
Como passar isso a quem não te tem?
Não dá... porque pelo entendimento humano não dá.
Só vivendo e experimentando.
Por isso não me canso:
OBRIGADA! OBRIGADA! OBRIGADA!

Comento eu:
Sem comentários. Não se explica humanamente. Só provando. O common sense sugeriria que se revoltasse, como fez a mulher de Job:
— Ainda louvas a Deus? Se Deus existisse não teria deixado que isso te acontecesse! Deixa-te dessas coisas de Deus. Morreu ele, morrerás tu também! Manda esse tal Deus às urtigas! Sê realista. Não há outro sentido!
Ou aconselharia a prudência da estóica resignação, temperada por lugares comuns prontos-a-usar e próprios dessas ocasiões:
— Paciência, filha. A vida é assim: são dois dias, e nós não somos nada.
Pois, aparentemente não.
Mas é desse aparente nonsense que Deus faz good sense.

Tese de doutoramento 2

Se houver curiosos… nos vos deixarei na expectativa:
E o veredicto foi… Aprovado por unanimidade.
Depois contarei pormenores.

quarta-feira, maio 31, 2006

O dia 1 de Junho e outros dias que se seguirão



É já amanhã, 5ª feira, 1 de Junho, a minha defesa de tese de doutoramento. Será na sala de actos da Reitoria da Universidade de Aveiro, pelas 15 horas.
Um certo nervoso… Mas que é isso? O Senhor é a minha calma.

Depois disso, e finda também a profissionalização, mais disponibilidade para acompanhar o trabalho dos alunos. E para a preparação do meu casamento, que será a 8 de Julho — dia santo, dia alegre e feliz que fez o Senhor!

quinta-feira, maio 25, 2006

Petição — Línguas Clássicas

O actual governo de Portugal tem norteado a sua actuação por critérios eminentemente economicistas, o que amiúde é sinónimo de insensatez. Tal insensatez, porém, não é exclusiva de Portugal, pois soluções semelhantes foram tentadas noutros países, e com resultados nefastos.
Refiro-me à intenção de fechar cursos universitários com um número de alunos abaixo de um mínimo. Tal não seria de todo negativo, se entre tais cursos não estivessem as Línguas e Literatura Clássicas.
Por ser uma área estruturante da identidade cultural europeia e portuguesa, tal possibilidade torna-se particularmente grave. Se se concretizar, dá-se um passo de gigante no sentido de remover da memória dos Portugueses uma importante componente dos seus fundamentos e razão de ser cultural, histórica e cívica. Isto a par do progessivo afastamento da sociedade europeia de Cristo, ou, pelo menos, de uma referência espiritual e ética cristãs.
Noto que no domínio das línguas clássicas existem docente e investigadores de renome internacional.

Apelo, assim, a todos os leitores deste blog a leitura da petição e a assinatura da mesma na ligação abaixo, se com ela concordarem. E peço também a divulgação da iniciativa.
Obrigado

Petição em favor das línguas clássicas.

quarta-feira, maio 17, 2006

Pelas tantas da noite… tertúlia do Altíssimo

Estou a trabalhar pelas tantas da noite, 2 da manhã (coisa que já é rara — devo estar a mudar o relógio biológico em preparação para a vida conjugal) mudo de canal para a TVGalícia e está a passar um programa cristão evangélico ("Nacer de novo"). O formato é simples: um apresentador, um convidado, uma conversa em volta de uma Escritura, um assunto. Hoje, a mensagem de liberdade da Carta aos Gálatas. Breve interrupção para três testemunhos. Volta o pastor, disserta livremente a partir da mensagem da carta. Apelo.
Uma canção por Marcos Witt ao vivo.
Já antes tinha descoberto este programa, certa noite, embora o tenha apanhado já nos últimos minutos. Passa apenas na madrugada de 3ª para 4ª.
Uma tertúlia simples, mas um abrigo. Na Galiza, são já 3:20. Quem verá o programa? Os noctívagos galegos e os do norte de Portugal que parem e tomem um café nesta tertúlia, não um café arábica, mas um mais excelente, com sabor a Cristo.

Nacer de novo

sexta-feira, maio 12, 2006

O Código Da Vinci


Para os interessados, um pequeno folheto sobre a grandessíssima ficção e mistificação que é o enredo, tanto o alegadamente histórico como o propriamente romanesco, da história de Dan Brown et alii, no sítio do
GBU.

Abraços.

segunda-feira, maio 01, 2006

Nadir Afonso


  • Nadir Afonso
  • , pintor natural de Chaves e que dá nome à escola em que actualmente exerço.

    sexta-feira, março 31, 2006

    Arca de Noé


    Recentemente, foi anunciada a descoberta do local onde teria encalhado a arca de Noé, no monte Ararat, na Turquia. Há uma formação geológica que corresponderia à forma e às dimensões do grande navio.
    Esta descoberta, porém, não é nova. Haverá até vários locais com forma de navio, e muitos outros achados arqueológicos que compravariam a teoria.
    A questão, no entanto, não é pacífica. Desde logo pelo texto bíblico, que afirma, mais rigorosamente, que a arca encalhou "na região de Ararat", e não precisamente "no monte Aratat". Aratar seria forma alterada de Urartu, um antigo nome da região.
    Um portal insuspeito como o cristão e de ciência criacionista Answers in Genesis, o melhor que conheço no domínio, faz uma análise profunda das alegadas provas, concluindo que estas não cumprem esse propósito de provar e que não escapam a um escrutínio científico cuidado. A tal formação geológica naviforme não se revelou senão após um sismo em 1948, tendo o seu relevo aumentado na sequência de outro sismo, em 1978. E há dois picos vulcânicos Ararat, um maior e outro menor. É antes presumível que a Arca tivesse, passados milhares de anos, sido destruída, por mão humana ou pela erosão. Além disso, não há necessidade biblicamente sustentada para que a Arca tivesse sido preservada como prova de fé.
    Devemos ser sensatos e evitar o fanatismo cego na proclamação das nossas convicções face à verdade e veracidade da Bíblia. Como concluem os autores — e não resisto a citar (traduzindo do original inglês) —: "como cristãos necessitamos de constantemente exercitar a devida cautela perante alegações que se façam, e todas as alegações devem sempre ser submetidas ao mais rigoroso escrutínio científico." Deste modo, e por outro lado, não fica afastada a hipótese de a Arca ter realmente atracado naquela região; simplesmente, não naquele local, daquela forma e com aqueles indícios.

    Um poema de Miguel Torga

    Um poema de que gosto, de esperança, de ímpeto e convite a viver. Fica perfeito, e com mais força e pujança ainda, na boca dos ressuscitados de Cristo.

    Vamos ressuscitados, colher flores!
    Flores de giesta e tojo, oiro sem preço...
    Vamos àquele cabeço
    Engrinaldar a esperança!
    Temos a Primavera na lembrança;
    Temos calor no corpo entorpecido;
    Vamos! Depressa!
    A vida recomeça!
    A seiva acorda, nada está perdido!

    terça-feira, março 21, 2006

    O despir da roupa



    “… ergui os olhos e vi a última coisa que esperava: um enorme leão a aproximar-se de mim lentamente. E uma coisa estranha é que não havia luar a noite passada, mas havia luar no sítio onde o leão se encontrava. (…) Eu estava terrivelmente assustado. Podes pensar que, por ser um dragão, podia ter enfrentado qualquer leão com toda a facilidade. Mas não era essa espécie de medo que sentia. Não tinha medo de que ele me comesse, tinha só medo dele, não sei se estás a perceber. Bom, chegou junto de mim e olhou-me bem de frente, nos olhos. E eu fechei os meus com toda a força, mas de nada serviu, pois ele disse-me para o seguir.
    (…)
    Fizemos uma grande caminhada pelas montanhas. E havia sempre esse luar por cima e à volta do leão para onde quer que ele fosse. Por fim, chegámos ao cimo de uma montanha que eu nunca vira e lá no alto havia um jardim, com árvores, frutos e isso tudo. No meio, havia um poço. (…) A água era límpida como tudo e pensei que, se pudesse lá mergulhar e tomar banho, isso aliviaria a dor no meu braço. Mas o leão disse-me que primeiro tinha de me despir. (…) Ia dizer-lhe que não me podia despir porque não tinha roupa, quando de súbito pensei que os dragões são uma espécie de cobras e que as cobras largam a pele. Por isso, comecei a esfregar-me e as escamas come¬çaram a sair por todo o lado. Depois esfreguei um pouco mais fundo e, em vez de escamas a sair aqui e ali, toda a minha pele começou a cair que era uma beleza, como se eu fosse uma banana. Daí a um minuto ou dois pude sair de dentro dela. Vi-a ali caída ao meu lado com um aspecto bastante desagradável e foi uma sensação maravilhosa. Por isso comecei a entrar no poço para tomar banho. Mas, quando ia meter os pés na água, olhei para baixo e vi que eles estavam tão duros, rugosos, cheios de vincos e de escamas como antes. «Oh, não há problema», pensei, «isto só significa que tinha um fato mais pequeno por baixo do primeiro e que também vou ter de o tirar.» Por isso voltei a esfregar e a segunda pele também caiu muito bem; saí dela, deixei-a cair no meu lado, como a primeira, e entrei no poço para tomar banho. Bem, aconteceu de novo exactamente a mesma coisa. E pensei para comigo: «Oh meu, Deus, quantas peles terei ainda de tirar?» Estava desejoso de molhar o braço. Por isso esfreguei-me pela ter¬ceira vez, tirei uma terceira pele, igualzinha às outras duas, e saí dela. Mas, mal olhei para o meu reflexo na água, vi que de nada servira. Então o leão disse (embora eu não saiba se falou): «Tens de deixar que seja eu a despir-te.» Garanto-te que estava com medo das suas garras, mas também estava desesperado. Por isso deitei-me de costas e deixei-o actuar. O primeiro golpe que me deu foi tão fundo que pensei que me chegara ao coração. E, quando começou a puxar a pele, senti a maior dor que já tive na vida. A única coisa que me ajudou a suportar aquilo foi o prazer de sen¬tir a pele a sair. Se já alguma vez arrancaste a crosta de uma ferida, sabes como é. Dói que se farta, mas é tão bom vê-la sair!
    – Estou a ver exactamente o que queres dizer – respondeu Edrnund.
    – Bem, tirou-me aquela coisa horrorosa, como eu pensara ter feito das outras três vezes, só que não doera, e para ali estava, deitada na erva. Mas aquela pele era muito mais grossa, escura e nodosa do que as outras. Fiquei tão liso e macio com uma vara descascada e muito mais pequeno do que antes. Então ele pegou em mim (não gostei muito porque agora, que não tinha pele, estava muito sensível) e atirou-me para a água. Ardeu-me que se fartou, mas só durante um instante. Depois tornou-se delicioso e, mal comecei a nadar e a mexer-me na água, descobri que já não sentia nenhuma dor no braço. Foi então que percebi porquê. Era outra vez um rapaz. Nem acreditavas se eu te dissesse como sentia os meus braços. Sei que não têm músculos e que são moles, comparados com os do Caspian, mas estava tão contente por os ver! Pouco depois o leão tirou-me para fora da água e vestiu-me... (…)
    – Penso que viste Aslan.
    – Aslan! – exclamou Eustace. – Já ouvi esse nome várias vezes desde que chegámos ao Camínheíro da Alvorada. E sentia... não te sei dizer... odiava-o. Mas nessa altura odiava tudo. A propósito, quero pedir desculpa. Acho que fui detestável.
    – Não há problema – respondeu Edmund. – Aqui para nós, não foste tão mau como eu durante a minha primeira viagem a Nárnia. Só foste palerma, mas eu fui um traidor.
    – Bem, então não me fales disso. Mas, diz-me, quem é Aslan? Conhece-lo?
    – Bem... Ele conhece-me – respondeu Edmund. – É o grande Leão, o filho do Imperador de Além-Mar, que me salvou e também salvou Nárnia.”

    C. S. Lewis, O Caminheiro da Alvorada

    Neste breve excerto de um dos contos da série Crónicas de Nárnia, conta-se uma profunda operação de metamorfose sofrida por uma das suas personagens, Eustace. Caída no ponto mais baixo da solidão e da desgraça e atingido o ponto máximo do grotesco do se carácter, transformou-se num feio dragão, na ilha em que a extrema tentação atacava o incauto, a sedução de um tesouro. A metamorfose em dragão era assim a consequência natural e a figuração perfeita da decadência do coração.
    E foi precisamente no estado de feio dragão, ou antes, de homem-em-dragão, que se manifesta o arrependimento e o desejo de mudança. É então que se revela alguém, Aslan, que lhe diz que tem de o despir. Eustace ainda tenta despir-se a si mesmo, mas em vão: cobrem-no camadas de velha pele, sem jamais atingir a mais interior, a última. Uma esconde sempre outra. E só Aslan o pode vestir. Só assim a metamorfose se reverte e o homem-em-dragão torna-se dragão-em-homem, ou melhor, em verdadeiro e total homem, exterior e interiormente, melhor do que antes fora. O despir desssa velha roupa assemelha-se ao rebentar do casulo da crisálida da lagarta, uma vez feita borboleta. Foi um processo com dor, mas o resultado é belo.
    Em Nárnia, só Aslan era apto para limpar, revestir de justiça e transformar a natureza íntima. Na Terra dos filhos de Adão e Eva, igualmente só Jesus Cristo, o filho do Criador, pode dizer (Apocalipse 3:17-18):
    “Não se apercebem que são desgraçados e miseráveis, pobres, cegos e nus. Aconselho-vos a que me comprem ouro fino para serem ricos; roupas brancas para se vestirem e não se sentirem envergonhados da vossa nudez; e remédio para porem nos olhos de modo a poderem ver.”

    domingo, março 12, 2006

    Excelência na durabilidade

    «Da próxima vez que você se preparar para trabalhar nalgum projecto importante (seja ele qual for), antes de seleccionar os materiais a serem usados e decidir qual será sua abordagem, tente fazer uma pausa pelo tempo suficiente que lhe permita ter uma visão de longo prazo. Pergunte-se: "Como posso fazer isto durar por séculos, ao invés de apenas décadas?"
    Alguém fez uma afirmação ousada ao dizer que neste mundo apenas duas coisas vão durar para sempre: a Palavra de Deus e as pessoas. Tudo o mais eventualmente vai deteriorar-se e desaparecer. Se esta afirmação é verdadeira, se você quiser mesmo exercer um impacto que venha durar séculos, talvez seja sábio investir mais do seu tempo buscando aquilo que beneficie e melhore a vida das pessoas. Em João 15:16 Jesus disse: "...Eu os escolhi para irem e darem fruto, fruto que permaneça…"»
    In Momentos de Integridade com Rick Boxx (ASPEC - Reflexões da semana 27 de Fevereiro)

    terça-feira, fevereiro 28, 2006

    Instinto materno

    No noticiário das 13h de hoje da RTP, uma das notícias dizia respeito a uma cadela pastor-alemão que adoptara como filhos dois porquinhos, amamentando-os.
    O caso passa-se em Vila Verde, Portugal. A cadela e uma mãe porca deram ambas à luz na mesma noite. Como a ninhada da porca era maior do que a sua capacidade de amamentação (11 tetas) e como a cria da cadela não sobrevivera, os donos de ambos os animais retiraram dois porquinhos e colocaram-na junto da cadela, a ver o que dava. E a cadela aceitou-os como filhos. Os donos prometem que esses dois porquinhos serão especiais e que não os hão-de matar, só morrerão de velhos!
    Já não é novidade a adopção entre espécies diferentes. Mas são casos que, a nós sere humanos, ainda nos causa maravilhoso espanto. Porquê? Talvez pelo contraste de comportamentos. Muitas vezes ainda se faz selecção de cor de pele quando se trata de adoptar crianças. E vão abundando as notícias de pais e mães naturais que abandonam, maltratam e molestam sexualmente os próprios filhos, mesmo bebés. Isaías 49:16 certifica esse facto.
    Numa aula de Psicologia da Educação, do curso de Profissionalização em Serviço que estou a fazer na Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro, o professor apresentou uma série de lugares comuns sobre o comportamento humano e convidou-nos a pronuciarmo-nos sobre os que achávamos verdadeiros e falsos. Um deles era sobre o instinto materno no ser humano. Assim, ao contrário do que comummente se pensaria, o instinto materno seria inexistente no ser humano, mas herdado geneticamente nos animais. No ser humano, seria um comportamento adquirido.
    Face aos casos expostos, não será verdeira esta conclusão? Suponho que esta se baseia em estudos sobre o comportamento das espécies, e não numa simples especulação filosófica. Será que o pecado, a velha doutrina bíblica fora de moda segundo a qual o homem é um ser tendencial e prevalentemente degenerado é suficiente para explicar tudo isto? Estou inclinado a responder afirmativamente.

    Mães e pais que lerem este texto, pronunciem-se.