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domingo, maio 19, 2013

PENTESCOSTES

que esperássemos
na escadaria dos céus
por uma ave que nos abraçasse
de poder, em tua honra
fomos queimando incenso
de brilho tenso escorreito
ao teu olfacto
queimámos, e tu trasladaste
o teu brilho em línguas escorreitas
ao sonho e à visão


entretanto fomos traduzidos
no rumor de um vento
surdo como um terramoto
e as nossas cabeças feitas pequemos sóis
a esperança foi contada
em inúmeras línguas
as línguas em que os anjos
compõem sonhos e visões aos homens


19/05/13

Rui Miguel Duarte

quinta-feira, maio 02, 2013

FUNDAMENTOS DA LUZ

Hoje absorto pela fulgência nascente da tua boca, acerquei-me do teu palácio arrebatado às ameias do teu corpo. Esse é o branco castelo da alegria que me é dada. O pranto escarlate, reverdecido na paisagem que os olhos contemplam, expandido nos rios que as mãos apreendem. 
Oriundos da tua boca, do sangue luminescente do teu flanco, são pássaros novos produzidos, aos bandos rendidos ao vento. 
Aí, mato a sede, aí possuo a terra.

Hoje é sempre hoje, na luz que se abriu, no lume do teu corpo feito pão.

Rui Miguel Duarte
08/04/13

FLORES DE CEREJEIRA

FLORES DE CEREJEIRA

ein windstoß nur und
kirschblüten bringen den schnee
zum schmelzen — siehst du”
Nico Helminger (poeta luxemburguês)

uma rajada de vento só
e novas cores trazem na mesma palidez
para perto de ti
— sombras de neve

quando chegam as flores abrem o ramo
vazio derretem o esplendor em cristais ao vento
— nas volutas das pétalas

nesse relicário em que pasma o mundo
o que vês é a passagem de um puro sopro
— pincel incoarcto de branco novo

Rui Miguel Duarte

29/04/13