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quarta-feira, fevereiro 27, 2013

ARMA

Carrega o teu coração 
por dentro mas carrega-o
de espingardas

verifica todos os meandros
de que cores os pintas
nas pontas dos canos 
onde as balas
se declaram ao silêncio
coloca a carne viva das flores

carrega o teu coração
por dentro, onde as balas
explodem fazendo fluir o sangue
carrega-o de amor

Rui Miguel Duarte
23/02/13

domingo, fevereiro 24, 2013

THE MYTH THAT CAME TRUE

A C. S. Lewis

desde a primeira tarde do primeiro dia
da primeira hora irrompeu o som cavo
de histórias antigas, já antigas
quando foram contadas

pela voz do pregoeiro o raio de sol
trazia cores de um novo dia o rasto
de um novo século, o altar falava
em nome de um Cordeiro de carne e sangue

o papel em que o mito foi inscrito
era a folha que declarava
que depois da pedra o ramo daria o fruto

Rui Miguel Duarte
24/02/13

sábado, fevereiro 23, 2013

Da historicidade de Jesus


Joseph Ratzinger, "Jesus da Nazaré" vol. 1, cap. 8, da historicidade de Jesus (a partir da versão francesa):

"… o grande escritor inglês Clive Staples Lewis, após ler uma obra em doze volumes sobre os mitos em questão [da morte e ressurreição dos deuses das colheitas e do pão], chegara à conclusão que este Jesus, que tomara o pão nas mãos com as palavras «este é o meu corpo», não era mais do que um destes reis do trigo que davam a sua vida em prol da vida do mundo. Certo dia, porém, no decurso de uma conversa, ouviu de um ateu inveterado que as provas que atestavam a
historicidade dos Evangelhos eram surpreendentemente boas.
E ocorreu-lhe à mente a seguinte ideia: «Estranho. Toda esta cena do Deus que morre, dir-se-ai que ocorreu uma vez.»
Sim, ocorreu verdadeiramente. Jesus não é um mito, é um homem de carne e sangue, uma presença real na história. Podemos seguir os caminhos que ele empreendeu. Podemos ouvir as suas palavras graças às testemunhas. Ele morreu e ressuscitou. O mistério da paixão do pão, por assim dizer, esperou por ele, virou-se para ele, e os mitos esperaram por ele, ele, em quem a esperança se tornou realidade."

Nas palavras de C. S. Lewis, "the myth that came true".

segunda-feira, fevereiro 04, 2013

DEIXEM


“Jesus, no entanto, disse: «Deixem as crianças vir ter comigo! Não as estorvem, porque o reino dos céus é dos que são como elas.»
Ev. Mateus 19:14


Deixem as crianças vir
equilibradas num pé
periclitantes nas cordas da dança

deixem-nas vir com a voz
nos acordes de uma tocata e fuga
não lhes coloquem armaduras de frente
não lhes prendam as mãos com tenazes
que têm de tocar o vento

deixem-nas vir com as mãos
trazer o rio no abraço
elas conhecem o concerto
das ondas ao rastejarem
pelas pedras suaves
conhecem o burburinho
que a corrente traça
ao beijar o tronco
dos que nela se lavam

deixam-nas vir de rostos
abertos sem manchas
eles vêm com a macieza dos risos


Rui Miguel Duarte
4/02/13