Ocorreu um erro neste dispositivo

quinta-feira, agosto 21, 2008

Os candidatos e as suas religiões




Sempre, desde que me lembro, as eleições presidenciais norte-americanas foram marcadas pela fé religiosa dos candidatos, assumida e/ou vivida. Invariavelmente, esse debate gira em torno do cristianismo evangélico, das suas tendências, e do que este representa como influência política, sociólogica, cultural e espiritual.
Se eu fosse cidadão americano evangélico, ou me deixaria levar nas ondas dominantes, ou teria grandes dificuldades em escolher em quem votar. Todos se declaram evangélicos, mas as suas obras deixa muito perplexo e confuso quando à genuinidade da sua fé. No caso do presidente actual ou passados, George W. Bush foi eleito duas vezes com o apoio da maioria dos evangélicos. Confessa Cristo Jesus como Senhor e Salvador. Defende a pena de morte. Empreendeu uma guerra (no Iraque) com base numa mentira (a existência de armas de destruição), inspirado supostamente por Deus, mas que resultou num pântano. Quando Deus age e ordena uma acção, funciona e resulta restauração e estabilidade, não confusão. Jimmy Carter, ex-presidente democrata, embora evangélico, situa-se do outro lado da barricada política.
Bill Clinton igualmente se declarou evangélico baptista. Cometeu adultério e apoiou a liberdade do recurso ao aborto como opção.
Dos actuais candidatos, John McCain é conservador quanto ao aborto e à união matrimonial homossexual, e promete prosseguir a política externa de Bush. Barack Obama, se promete mudar a política externa, é liberal quanto ao aborto e defende o direito ao casamento homossexual.

Se fosse cidadão norte-americano evangélico, poderia ser conservador quanto à moral sexual e à defesa da vida dos fetos humanos, continuar a defender a pena de morte e a proclamar o carácter messiânico da nação americana, defendendo a legitimidade do argumento da força no exterior, ainda que com o preço de um pequeno pretexto, vulgo "peta". Ver-me-ia no risco de me deixar levar pela onda dominante e talvez votasse Republicano.

Mas, embora seja evangélico, não sou cidadão norte-americano. Por isso, tristemente confesso que a não-escolha é fácil para mim.

sábado, agosto 09, 2008

Ser pai… # 2



A minha filha já tem 6 meses. Como voou o tempo – um lugar comum, mas uma evidência.

Em 6 meses, desenvolveu-se dos 50,5 cm e 3,2 kg até aos 67 cm e 7,4 kg.
Cada vez mais bonita. E cada vez mais se revelando o seu temperamento. De uma menina calada que mal conseguia chorar e não ria, passou pela crise das dores de barriga dos três primeiros meses. Então aprendeu a chorar: de dores, de fome, de desconforto, de resistência ao sono. De birra, de fitinha. Várias vezes este pai se irritou e lhe dava uma ou duas palmadas no traseiro. Supostamente teria fome — pensava o pai — por haverem passado muitas horas desde a última refeição, o pai dava-lhe o biberão e ela fazia fita e pouco bebia. Ou tinha sono mas resistia e desatava a chorar. O que o pai conseguia era com as palmadas era provocar mais choro, e logo se arrependia da estupidez, pedia desculpa à filha e ajuda ao Espírito Santo para o ajudar a dominar-se a si mesmo. Hoje chora, ri, sorri muito, abre-se muito aos outros e às atenções que
lhe queiram dar.
Muito mexida, energética, forte e saudável. Desde muito cedo gosta de balanço e de fazer de avião — o que dá o pai que daqui a uns anos ela será viciada em montanha russa, em rodas e gigantes e outras coisas mais radicais — o que será para este pai um doce regresso à meninice, pois também gostava dessas coisas. Não pára quieta. Até os dedos dos pés estão sempre a mexer-se.
Curiosa, quer ver e mexer em tudo. Dede os 4 meses que consegue manter-se sentada sem apoiar o tronco. Hoje, consegue-o já durante muito tempo. Até que se cansa, ou se mexa procurar alcançar algum objecto, e cai: para trás, de lado, para frente, de cabeça. Por vezes magoa-se.
Quase gatinha. Deitada de gostas ou de bruços, num piscar de olhos já se arrastou para outro lugar e se acha em outra posição. Facilmente se vira, estando de costas, para posição de bruços, e vice versa. Faz força nos quadris, estica as pernas, e acto contínuo a cabeça e o tronco baixam e afunda a cabeça no tapete. E então zanga-se e reclama. Mas insiste. Se deitada com a parte baixa do tronco, estica os braços e levanta a cabeça, e assim consegue ficar longos segundos, olhando para a televisão ou para outra coisa qualquer.
Desde os 4 meses também que, pegando-se-lhe nas mãos, estando deitada, é capaz de se erguer e sentar sozinha. Agora, basta pegar-lhe em apenas uma mão para ela ter onde se apoiar, sem a puxar, e ela não precisa de mais nada. Já descobriu que pode usar a outra mão, apoiando-a no solo, enquanto faz força para levantar o tronco. Mais ainda: já se levantou sozinha, connosco à distância a assistir. Sentada, com as pernas flectidas para dentro, as mãos, e ei-la que, apoiando-se nelas, faz força nos pés e nas pernas, estica-as e levanta-se. Novamente sozinha.
Por vezes, fica absorta a olhar para a televisão, que propositadamente sintonizamos em canais para crianças desenhos animados, sentada no tapete no chão, queixo levantado e fazendo uma boquinha. E enquanto assim estiver ocupada, não liga a nada nem a ninguém.
Segundo um livro, aos 8 meses a criança consegue reconhecer o seu nome, quando chamado, e adoptar estratégias para chamar a atenção e dar e entender que quer mimo, como a tosse. Aos 6 meses, isso já ela sabe fazer. A Cristina testemunhou até que, certa vez, estando sentada, se deixou cair e começou a clamar por atenção.

Depois dos "rrreeesss" dos 3 meses, a sua garganta já produz uma variada gama de sons, gritos, canções. Na igreja, após o tempo de louvor, em que normalmente se mostra sossegada, começa a manifestar-se: grita, canta, prega.

Em Junho, começou a variar a dieta alimentar, com as papinhas de vegetais, frutos, e agora de refeições completas de carne e acompanhamento. Aplica-se-lhe um babete, dá-se-lhe a colher à boca, mas como criança que é fica o babete, a boca, os lábios, o queixo, as bochechas, os olhos, o cabelo tudo sujo. E fala enquanto come. E quer levar a mão e o pé à boca, e também acabam por comer.

Quando tem sono, é aconchegá-la ao ombro ou peito, embalá-la um pouco (por vezes esse pouco é longo), até que, nesse conforto e nesse mimo, adormeça.

Recentemente, aprendeu o gesto de bater palmas (a foto é de um desses ensaios). Falta ainda a perfeição na coordenação dos movimentos, manter as palmas abertas e acertar bem com uma na outra. Mas o movimento de lançar uma mão contra a outra lá está, o imitar do gesto que vê os pais fazerem e que estes ensinam o bebé a fazer, pegando-lhe nas mãos e executando-o. Foi a Cristina que o testemunhou pela primeira vez; chamou-me aos gritos e pudemos os dois assistir com entusiasmo e grande festa a esta nova proeza.

Que experiência, esta de ser pai. Nada é mais excitante nem doce, em especial o tempo de bebé. Brincar com a bebé, balançá-la, aconchegá-la. Ouvi-la, falar com ela, cheirá-la. Tudo nela é especial. E esta foi especialmente marcada pelo Criador Deus com uma manchinha de nascença na face direita. Cada dia é uma novidade, uma graça nova, uma proeza nova. E mesmo que nada haja de novo em certos dias, mas apenas a repetição de um gesto, um som, uma atitude, das mesmas coisas que o bebé já sabe, representa para um pai a reedição da novidade, que ele saboreia deliciado.